sábado, 27 de agosto de 2022

Frei Carlos Maria de Ferrara

 O capuchinho que fundou Crato
Armando Lopes Rafael (*)

    A poetisa Adélia Prado escreveu que a memória se contrapõe ao tempo, pois o tempo leva os fatos a serem esquecidos, e a memória os traz de volta, eternizando os momentos...

   Na memória coletiva de Crato persiste uma lacuna: a de realçar, com mais destaque, o protagonismo de Frei Carlos Maria de Ferrara, um humilde Filho de São Francisco, que aqui viveu. A memória, oral ou escrita, é a fonte primária da História, uma ciência cem por cento humana, porquanto feita unicamente pela ação do homem.  Ademais, já dizia o Prof. João Marcelo Sena: “A História não é um filme que passou. É uma película que pode constantemente ser editada e reinterpretada”. Coincidindo com um pensamento da historiadora portuguesa Ana Isabel Baescu quando afirmou: “A história, enfim, é um eterno fluir, e como compreender o presente sem o passado?”

   Fascinante a vida desse Carlos. Nascido, segundo as fontes, em 1706 “numa família abastada, em Ferrara”, cidade situada na região da Emília-Romanha, Norte da Itália. Naquela urbe, localizada próxima à margem sul do Rio Pó – o maior rio italiano – o menino Carlos nasceu e viveu sua infância e adolescência. Lá, rezou na Catedral de São Jorge; frequentou a igreja de San Cristoforo Alla Certosa; visitou outros vetustos templos de Ferrara, uma cidade quase totalmente cercada por 9 quilômetros de antigas paredes de tijolos, construídas entre 1492 e 1520. Bela Ferrara! Pontilhada de edifícios históricos, como o Castelo Estense, o Palazzo dei Diamanti, alguns soberbos espaços públicos como é o caso do Parco Massari.

         Ocorre-me lembrar aqui, uma decisão tomada por um pensador católico brasileiro, Plínio Corrêa de Oliveira (1908-1995), quando optou, ainda adolescente, por deixar as glórias do mundo e seguir o chamado vocacional. Plínio resumiu sua decisão nesta frase: “Quando ainda muito jovem, considerei enlevadas as ruínas da Cristandade. A elas entreguei meu coração. Voltei as costas ao meu futuro e fiz daquele passado carregado de bençãos o meu porvir!”. O mesmo ocorreu, dois séculos antes da decisão de Plínio, com Carlos de Ferrara.  

A vocação

    Foi em Ferrara, no primeiro quartel do século XVIII, que Carlos tomou a decisão mais séria de sua vida: seguir sua vocação religiosa, dizendo sim ao chamado de Deus. Ele optou pelo carisma Capuchinho, um ramo da primeira ordem de São Francisco de Assis. Aceitou, plenamente, o modus vivendi dessa ordem religiosa que determinava àquela época: “Curai os doentes, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios! Recebestes de graça, dai também de graça”.  E passou a viver na pobreza, conservar a  castidade, seguir à risca o que lhe era imposto por seus superiores,  naquilo que seus confrades  chamavam a “santa obediência”.  

    Para vestir, Carlos recebeu um rústico hábito marrom, com um pequeno capuz à cabeça, em italiano: capuccino (capuz pequeno). Para calçar, um par de rústicas e desconfortáveis sandálias de couro. A partir daí o jovem Carlos não teve mais vaidades, a começar pela aparência do rosto, pois lhe foi imposto o uso de barba longa, obrigatória  entre os frades capuchinhos. Em 21 de agosto de 1723, aos 17 anos,  Carlos vestiu o hábito religioso. Depois disso, ainda viveu na Europa por cerca de treze anos.

Brasil: palco da atuação desse frade

   Um dia seus superiores resolveram enviá-lo para o distante e desconhecido Brasil, à época uma colônia de Portugal. Segundo pesquisas do Pe. Antônio Gomes de Araújo (baseadas nos Arquivos da Propaganda Fidei, América Meridionalis, volume II, folha 425) o Bispo de Módena, na Itália, examinou – em agosto de 1736 – o Frei Carlos Maria de Ferrara, destinado à Missão de Pernambuco, no Brasil. E achou-o instruído e capaz para a missão. E o jovem frade atravessou o Mar Mediterrâneo; depois, cruzou o Oceano Atlântico, numa viagem de quase três meses, até avistar o litoral pernambucano, a “Terra dos Altos Coqueiros, de belezas soberbo estendal”... O mesmo Pe. Gomes escreveu – citando os arquivos capuchinhos – que Frei Carlos Maria de Ferrara chegou ao Recife em 15 de agosto de 1736.

    Frei Carlos permaneceu pouco tempo na aprazível capital pernambucana. Logo, seus superiores o destinaram a aldear tribos indígenas no sopé da Chapada do Araripe, distante mais de 600 kms de Recife, numa época que não existiam estradas, meios de transportes ou comunicação entre o litoral e o inóspito interior nordestino. E o frade se lançou a pé, atravessando as léguas tiranas da zona da Mata, do Agreste e do Sertão, levando quase dois meses, até chegar à Chapada do Araripe.

O fundador da Missão do Miranda

   Os antigos chamavam essa Chapada de “Serra do Araripe”. No entanto, as serras são acidentes geográficos com partes altas, seguidas de saliências. Já as chapadas são relevos com topos planos formados em rochas sedimentares. A Chapada do Araripe é uma imensa formação arenítica servindo de divisa entre os Estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. Segundo antiga tradição oral, essa imponente Chapada teria sido batizada de “Araripe”, pelos indígenas habitantes do seu entorno. “Araripe” na língua indígena significaria poeticamente: “lugar onde nasce o dia”.

    Arrimados em pesquisas do Pe. Antônio Gomes de Araújo, sabe-se que:  “Aos 18 de dezembro de 1737, o Superior Missionário, Reverendíssimo Padre Frei Carlos Maria de Ferrara começou a zelar no ensino aos índios e a unir as nações indígenas”. Inicialmente, a missão funcionou no local onde hoje é o bairro Mirandão, na cidade de Crato. Por exiguidade de água, naquele recanto, transferiram a missão para novo espaço,  onde hoje é a Praça da Sé – o chão mais sagrado de Crato – que ficava próximo ao então caudaloso Rio Granjeiro. Naquele lugar, Frei Carlos ergueu – em 1740 – uma capela de taipa, coberta de palha. No entanto, já em 1742, construiu – em substituição a antiga, rústica e pobre capelinha –  uma nova capela de pedra e cal dedicada  à Santíssima Trindade, à Nossa Senhora da Penha e a São Fidelis de Sigmaringa.

   Sabe-se que Frei Carlos deve ter chegado ao paradisíaco Vale do Cariri, por volta de 1737. Padre Antônio Gomes de Araújo deixou escrito: “A notícia mais antiga, até agora revelada, referente à missão do Miranda, sua igrejinha e Frei Carlos, traz a data de 30 de julho de 1741”. Está num livro de batizados e casamentos da Paróquia da Vila do Icó, a cuja jurisdição esteve subordinado o Cariri até 1748. Segundo o mesmo Pe. Antônio Gomes de Araújo, estavam aldeados na Missão do Miranda de Frei Carlos membros das tribos Cariris, Cariús, Quixeriús, Curianês, Calabassas e Icozinhos, como consta na página 304,  do livro “Informação Geral da Capitania de Pernambuco em 1749”, volume, publicado no Rio de Janeiro em 1908. Por aí se vê como era ampla a autoridade e poder pessoal de Frei Carlos Maria de Ferrara a governar tantos índios, instruindo-os na Boa Nova de Cristo.

     O frade só deixaria o Vale do Cariri em 1750, para ocupar o cargo de Prefeito dos Capuchinhos de Pernambuco, em Recife. Lá permaneceu até 1753. Naquele ano foi  transferido para o Rio de Janeiro, a  Capital da Colônia,   para exercer as funções de Prefeito dos Capuchinhos naquela importante cidade, a partir de 1754. O Rio de Janeiro  seria a última localidade a receber os frutos do ideal de  Frei Carlos. Por onde ele passou – Itália, Recife, Missão do Miranda (hoje cidade de Crato) e no Rio de Janeiro –  o humilde frade capuchinho foi tido como uma pessoa que irradiava santidade. A santidade é plasmada na simplicidade dos pequenos gestos, que embutem os sinais da prática da caridade. A santidade nem sempre é construída com  grandes gestos. Quase sempre é adquirida com pequenas  atitudes do cotidiano. Nestas, prevalecem o amor  e a sinceridade. 

      No Rio de Janeiro, Frei Carlos faleceu em 1774, com a idade de 68 anos. Nas anotações dos arquivo dos Capuchinhos pode-se ler, ainda hoje,  a anotação que transcrevo abaixo:

“Religioso doce, prudente, virtuoso e nosso Prefeito por vinte anos, vindo de Pernambuco onde também era prefeito. A sua doença foi muito prolongada, porque alguns anos antes da morte teve um esturpor que o privou do movimento das mãos e braços: pouco a pouco, com o favor de Deus e assistência de um bom médico, Romano Sciala, começou a cobrar o perdido, de sorte que já dizia Missa. Mas como os achaques fazem trégua e não paz,  finalmente acabou a vida, tendo-se disposto muito bem para a última passagem. Seu enterro foi assistido por várias pessoas nobres desta cidade, com demonstrações de grande sentimento”

    (*) Armando Lopes Rafael é historiador. As palavras acima foram proferidas no evento promovido, em 19-08-2022, pelo Instituto Cultural do Cariri, em homenagem a Frei Carlos Maria de Ferrara.

Gastos Públicos: Monarquia X República –1ª Parte – por Geraldo Helson Winter (*)

 

   Monarquia Constitucional é uma forma de Governo moderna e eficaz. O nosso objetivo é publicar artigos e notícias com a finalidade de tirar dúvidas acerca do tema, mostrar caminhos e soluções para os diversos problemas enfrentados pela Nação, propor ideias para reforma política, conseguir adeptos a causa, desmitificar e recuperar a história deturpada ao longo dos anos. Convidamos todos a conhecer um novo caminho para o país.

     Durante quatro séculos o Brasil se beneficiou da forma de governo monárquica e isto lhe assegurou dimensões continentais, povoamento, desenvolvimento e prestígio internacional. 

   O contraste entre gastos da Monarquia e da República brasileiras também é gritante. Apesar da arrecadação ter crescido 15 vezes.durante o período da Monarquia, o salário de Dom Pedro II e de sua família, nunca ultrapassou 67 contos de réis. O Marechal Deodoro da Fonseca, entretanto, já no dia 16 de novembro de 1889 assinou decreto dobrando renda destinada ao Chefe de Estado para 120 contos de réis mensais. Com os 67 contos de réis D. Pedro II conseguia manter a Família Imperial, palácios e servidores, além de destinar às vítimas da Guerra do Paraguai 30% da todos os seus rendimentos. Pagava também de seu bolso pensão a necessitados e enfermos, viúvas e órfãos, num total de 409 pessoas. Quando, em 1871, partiu para sua primeira viagem ao Exterior, recusou vultuosa verba oferecida pela Assembleia Geral, além de aumento na dotação da Princesa Isabel, por assumir pela primeira vez a Regência. Na ocasião a Assembleia Geral ofereceu um navio de guerra, com escolta de outros três, para viagem do Imperador, que recusou e preferiu seguir viagem em navio de carreira.

    De lá para cá, o Brasil republicano cai cada vez mais pelas tabelas. No índice da Transparência Internacional sobre percepção da corrupção, irmã gêmea da roubalheira institucional, nosso país encontra-se em 72º lugar. E quem vem entre os mais honestos? Os primeiros lugares são ocupados por Monarquias: Dinamarca, Nova Zelândia, Suécia, Noruega, Holanda, Austrália, Canadá, Luxemburgo e Inglaterra, entre outros. Dois pequenos fatos mostram que as Monarquias são mais bem avaliadas: quando um incêndio destruiu, em 1992, parte do Palácio de Windsor, a Rainha Elizabeth II fez questão de pagar a reforma com seus próprios recursos; o Rei da Espanha, Juan Carlos, em 1991, doou ao patrimônio público um palácio que recebera de presente do Rei Hussein da Jordânia.

    Em suma, Monarquias e Repúblicas evidenciam diferenças de mentalidade diametralmente opostas: enquanto Monarcas visam exclusivamente ao bem de seu povo, Presidentes aproveitam seus mandatos para cobrir os gastos da última eleição e garantir a próxima.

(*) Excertos de um artigo de Geraldo Helson Winter, publicado na edição de número 37 do boletim “Herdeiros do Porvir”.


Gastos Públicos: Monarquia X República –2ª Parte – por Geraldo Helson Winter (*)

 

    Apesar de as Monarquias serem mais austeras do que as Repúblicas, existe a falsa impressão de que são mais dispendiosas. Um dos motivos é o pomposo cerimonial da Monarquia inglesa, que devido a seu aparato é a mais cara do entre todas as Monarquias. Mas, ainda assim, seu custo é incomparavelmente menor do que o de uma República. O custo anual da Monarquia inglesa é de US$ 1,20 para cada súdito, o da sueca e da belga US$ 0,77, o da espanhola US$ 0,74, o da japonesa US$ 0,41, o da holandesa US$ 0,32. Em sentido contrário, a República dos Estados Unido onera cada contribuinte em quase US% 5 dólares.

     Voltando à Inglaterra, os cofres britânicos desembolsaram 37,4 milhões de líbras para financiar a Monarquia. Em compensação, as propriedades da Coroa, que pertencem à Rainha e são administradas pelo governo, renderam ao país no ano passado 184,8 milhões de líbras. A razão de as Monarquias serem muito mais austeras reside em dois fatores fundamentais: uma é a moralidade elevada dos monarcas e o outro é o mecanismo de transmissão do poder. O primeiro fator denota a sadia formação da consciência moral da pessoa e o segundo denota a sólida formação da estrutura política e social de um país.

   Na República, o declínio vertiginoso da moralidade é sistematicamente alimentado pela engrenagem de transmissão do poder. A transmissão do poder eleitoral e transitório abre espaço a todo tipo de oportunismo, levando governantes medíocres a se preocuparem apenas com interesses pessoais ou, quando muito, com interesses de seu partido, em notório prejuízo do povo e do bem comum.

    Por outro lado, na República muitas famílias precisam ser sustentadas. O Jornal Miami Herald fez uma pesquisa em 1992 e constatou que os Estados Unidos naquele ano tiveram um gasto de mais de US$ 20 milhões em pensões de seus ex-presidentes ou de suas viúvas, sem contar as despesas com a proteção oferecida pelo Serviço Secreto, estimadas na época em US$ 18,5 milhões. No Brasil a República não é diferente. Os ex-presidentes brasileiros têm, por lei, direito a empregar oito servidores às custas do erário, além de utilizar dois carros oficiais com motoristas.

(*) Excertos de um artigo de Geraldo Helson Winter, publicado na edição de número 37 do boletim “Herdeiros do Porvir”.



O Servo de Deus Padre Cícero Romão Batista -- por Armando Lopes Rafael (*)

   O anúncio foi feito pelo Bispo de Crato, Dom Magnus Henrique Lopes. E foi recebido pelos fiéis, presentes à missa campal, em memória do Padre Cícero – em Juazeiro do Norte, no último dia 20 de agosto de 2022 – em meio às palmas, espocar de fogos, toque de sinos nos campanários e lágrimas, muitas lágrimas de alegria, por parte da multidão. Transformava-se em realidade um sonho guardado no recôndito dos corações dos devotos residentes na Nação Romeira, vasto território que se espalha pelo Nordeste brasileiro. Afinal, a Santa Sé – com a aprovação do Papa Francisco – autorizava o início do Processo de Beatificação do Padre Cícero Romão Batista.

   Este sacerdote católico foi em vida – e continua sendo depois da sua morte, há quase noventa anos –, a personalidade mais venerada pelas populações do Nordeste brasileiro.  Dentre as personalidades nascidas no Cariri, Padre Cícero tornou-se a mais conhecida em todo o Brasil. Para os seus afilhados humildes e pobres, espalhados pelos territórios da zona da mata, agreste e sertão e, em menor escala, noutras regiões do Brasil, ele é o “Meu Padim Ciço”.  Aquele a quem os fiéis católicos podem recorrer nos momentos de sofrimentos e dificuldades. Para esta porção do Povo de Deus, Padre Cícero é o “Santo dos Pobres”, o “referencial” presente da Boa Nova que Jesus Cristo anunciou à humanidade, nos anos que esteve encarnado aqui na Terra, através dos seus ensinamentos, atos e parábolas.

   O Papa Francisco não apenas veio ao encontro de um anseio de muitas gerações de nordestinos. Fez mais. Oficializou, num gesto concreto, o reconhecimento da santidade de Padre Cícero. Ratificou uma carta, enviada à Diocese de Crato em 2015, assinada pelo Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, onde consta o parágrafo abaixo:

    É inegável que o Padre Cícero Romão Batista, no arco de sua existência, viveu uma fé simples, em sintonia com o seu povo e, por isso mesmo, desde o início, foi compreendido e amado por este mesmo povo. A sua visão perspicaz, ao valorizar a piedade popular da época, deu origem ao fenômeno das peregrinações, que se prolonga até hoje, sem diminuição tanto no número como no entusiasmo das multidões que acorrem, anualmente, a Juazeiro. Essa amada Diocese tem procurado incorporar este movimento popular com um grande esforço de evangelização, orientando-o para o Cristo redentor do ser humano. Integrando seu aspecto popular e devocional em uma catequese renovada, fortalece e anima o romeiro em sua vida cotidiana, tornando-o sempre mais consciente do seu batismo e ajudando-o a viver sua vocação específica de cristão no mundo”.

   E, a partir de agora, o Padre Cícero Romão Batista passará a ser chamado de “Servo de Deus”, título que a Igreja Católica dá a uma pessoa cujo processo de canonização foi oficialmente aberto.

(*)Artigo publicado na edição do jornal "O Povo", de Fortaleza, de 27 de agosto de 2022.

domingo, 24 de julho de 2022

A coroa dos Reis e Rainhas de Portugal – por Armando Lopes Rafael (*)

A última coroa dos Reis de Portugal foi confeccionada no Brasil, em 1818

    Há uma curiosidade sobre a coroa dos reis e rainhas de Portugal. Eles não a usavam à cabeça. De 1640 até 1910 (quando a monarquia portuguesa foi derrubada pelos carbonários, que assassinaram -- em 1908 -- o Rei Dom Manuel II e o seu filho, o herdeiro do trono, Príncipe Dom Carlos, com apenas 18 anos de idade), nas solenidades de coroação essa coroa ficava pousada, numa almofada, ao lado do novo rei ou rainha, e não na cabeça do novo soberano.

   Esta tradição foi iniciada com a Restauração da Independência Portuguesa, em 1º de dezembro de 1640, quando o Rei Dom João IV colocou a coroa real aos pés da imagem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa – Padroeira de Portugal – afirmando que a Virgem Maria era a verdadeira Rainha da nação lusitana e de suas colônias, dentre as quais o Brasil. Esse gesto de Dom João IV foi seguido por seus sucessores até 1910, quando foi imposto o regime republicano aos portugueses, após o assassinato do Rei e seu herdeiro, em 1908.

     No entanto, as coroas, para investidura de novos soberanos portugueses, continuaram sendo confeccionadas, a partir de 1640.  A última feita – para a subida de Dom João VI ao trono, em 6 de fevereiro de 1818 – foi confeccionada no Rio de Janeiro, pois no Brasil morava a Família Real Portuguesa. 

      Esta coroa é guardada hoje numa das maiores caixas-fortes do Mundo, atrás de duas portas de cinco toneladas, e muito raramente é exposta (em solenidades especiais) no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa, onde funciona o Museu do Tesouro Real. Portugal conserva, em vários aspectos,  a herança da sua gloriosa monarquia, cuja lembrança permanece viva na memória das novas gerações....

 

Bandeira do Reino de Portugal

(*)Armando Lopes Rafael é historiador. Sócio do Instituto Cultural do Cariri e membro-correspondente da Academia de Letras e Artes Mater Salvatoris, de Salvador (BA).


sábado, 23 de julho de 2022

Pessoas que marcaram o Cariri: Padre Antônio Gomes de Araújo -- por Armando Lopes Rafael(*)

 

Pe. Gomes, nos tempos iniciais do seu sacerdócio

    Nascido em Brejo Santo, em 6 de janeiro de 1900,  Padre Antônio Gomes de Araújo foi um dos grandes historiadores do Cariri. Aliás, ele dizia que não se considerava um historiador e sim um pesquisador. Viveu mais da metade de sua vida em Crato, mas, próximo da morte, retornou para sua cidade natal, onde faleceu em 26 de janeiro de 1989.  

   Em 1950, Pe. Gomes venceu um concurso na Bahia com a monografia “Formação da Gens Caririense”. Escreveu muitos opúsculos dentre os quais: “Naturalidade de Bárbara de Alencar” (1953); “Pe. Pedro Ribeiro da Silva–Fundador e Primeiro Capelão de Juazeiro do Norte” (1955); “Apostolado do Embuste” (1956); “1817 no Cariri” (1962); “Povoamento do Cariri” (1973). Em 1971, a Faculdade de Filosofia de Crato reuniu alguns de seus trabalhos no livro “A Cidade de Frei Carlos”.

     Padre Gomes era um sacerdote irrequieto e sem papas na língua. Dizia ele que se não tivesse sido ordenado sacerdote teria optado pela carreira militar. Colaborou, longos anos, com excelentes trabalhos de pesquisa, nas revistas “Itaytera”, “A Província” e “Hyhyté”, bem como no jornal “A Ação”, órgão oficial da Diocese de Crato. O semanário “A Ação” foi dirigido, durante alguns anos, pelo notável Monsenhor Pedro Rocha de Oliveira. Este mantinha uma coluna naquele periódico com o título “Alfinetadas”. Nessa coluna, Mons. Rocha fazia a defesa da doutrina católica e combatia implacavelmente as ideias socialistas/comunistas.

     Certo dia, ministrando uma aula de História do Brasil, no tradicional Colégio Diocesano de Crato, Pe. Gomes foi interrompido por uma pergunta de aluno:

   – “Padre, é pecado utilizar as folhas do jornal “A Ação” como papel higiênico? ”

Padre Gomes respondeu de chofre:

    – “É não! Livre-se das “Alfinetadas” de Monsenhor Rocha e faça bom uso”...

(*) Armando Lopes Rafael é historiador

Crato foi consagrado à Santíssima Trindade desde o seu nascedouro – por Armando Lopes Rafael (*)

Atual Catedral de Crato, originada da capelinha de taipa, coberta de palha, construída por Frei Carlos Maria de Ferrara, para a Missão do Miranda

   A doutrina católica nos ensina que qualquer casa destinada ao culto do verdadeiro Deus – desde a mais humilde capelinha rural, até a mais pomposa catedral – é destinada a Celebrar a Santíssima Trindade, fonte de onde emana a Santa Igreja Católica Apostólica Romana. A Trindade Santíssima – Pai, Filho e Espírito Santo é o mistério central da fé cristã. Bem definiu o falecido teólogo Dom Valfredo Tepe, Bispo de Ilhéus (BA): “O Pai projeta a Igreja, Jesus a funda e o Espírito Santo a administra”.

   Isso explica porque o frade capuchinho Frei Carlos Maria de Ferrara, fez gravar – numa pedra – as palavras abaixo, quando ergueu uma humilde capelinha de taipa, coberta de palha, na Missão do Miranda, origem da atual cidade de Crato:

Uni Deo et Trino
Deiparae Virgini
Vulgo – a Penha
S Fideli mission.º S.P.N. Fran, ci Capuccinor.m
Protomartyri de Propaganda Fide
Sacellum hoc
Zelo, humilitate labore
D. D.
Sup. Ejusdem Sancti.i Consocy F.F.
Kalendis January
Anno Salutis  MDCCXLV.

   Nessa inscrição, feita por Frei Carlos Maria de Ferrara,  constava que a capelinha fora consagrada (em janeiro de 1745)  a Deus Uno e Trino e, de modo especial, a Nossa Senhora da Penha (Padroeira de Crato) e a São Fidelis de Sigmaringa, este último, o co-padroeiro desta cidade.

(*) Armando Lopes Rafael é historiador.

sexta-feira, 22 de julho de 2022

República: caos e frustração coletiva (*)

 No próximo dia 7 de setembro, o Brasil vai completar duzentos anos de independência política. As comemorações serão fraquíssimas. Mas é tempo para uma reflexão do que tem sido as atividades políticas na nossa pátria.


     Nascida através de um golpe, à revelia da vontade da população brasileira, a república, ao longo de 132 anos de existência,  tem simbolizado  os interesses (nem sempre legítimos) de grupos e partidos, em detrimento do bem geral. Acompanhe alguns fatos do período republicano no Brasil.

A  República em números

E toda bagunça começou c0m o Marechal Deodoro

Em pouco mais de 130 anos, a república acumula:
•    2 estados de sítio,
•    17 atos institucionais,
•    6 dissoluções do Congresso,
•    19 rebeliões,
•    2 renúncias presidenciais,
•    3 presidentes impedidos de tomar posse,
•    5 presidentes depostos,
•    7 Constituições diferentes,
•    2 longos períodos ditatoriais,
•    9 governos autoritários.
•    Depois de proclamada a república, nossa pátria já teve – no espaço de 105 anos – 9 (nove) moedas e até a implantação do Plano real viveu debaixo da mais desordenada inflação.  

A República não é democrática

   República não é sinônimo de democracia. Ao contrário, no caso brasileiro, o país já assistiu a ascensão de governos ditatoriais, com presidentes que subiram ao poder sem o voto popular. Além de ter nascido com um golpe, os 5 primeiros anos da república foram marcados por uma feroz ditadura, que cerceou liberdades e levou o país a uma crise sem precedentes. Os anos posteriores foram marcados por governos eleitos com baixíssima representação popular, ficando conhecido como política "Café com Leite", onde uma oligarquia raivosa, que odiava a Princesa Dona Isabel, por ter assinado a Lei Áurea, se revezava no poder. Eram os ricos fazendeiros, os antigos escravocratas, de São Paulo e Minas Gerais, que ditavam as regras.

   Passando pelas ditaduras de Getúlio Vargas ou dos Militares, a democracia na república pouco evoluiu. Os casos de crise e corrupção, largamente difundidos, até 2018,  são um reflexo da desvantagens deste sistema. O presidente quando se elege, sempre deve favores a todos que contribuíram para seu sucesso pessoal, tem vínculos partidários e é ligado a empresas e organizações privadas. A troca de favores é facilitada e este cargo é encarado como uma ascensão política dentro do partido.

    Segundo publicação da revista Superinteressante, dos mais de 30 presidentes que o Brasil já teve, "só 5 presidentes eleitos completaram o mandato em 90 anos". Completando ainda que, "em 129 anos de República, o Brasil teve até hoje 36 governantes – apenas um terço deles (12) foi eleito diretamente e terminou o mandato. De 1926 pra cá, a proporção é ainda mais absurda: dentre 25 presidentes, apenas 5 foram eleitos pelo voto popular e permaneceram no posto até o fim: Eurico Gaspar Dutra, Juscelino Kubitschek, Lula, FHC e Dilma (apenas no seu primeiro mandato, pois a “presidenta” – como exigia ser chamada – sofreu impeachment no segundo mandato). 

(*) Fonte: excertos de um artigo publicado no site:  https://imperiobrasileiro- rs.blogspot.com/2020/03/republica-caos-e-corrupcao.html)


segunda-feira, 18 de julho de 2022

Os monarquistas do Cariri por Armando Lopes Rafael (*)

A revista “A Província”, edição de nº 39, recém-lançada durante a Expocrato publicou a matéria abaixo:

Há mais de quarenta anos existe no Sul do Ceará o Círculo Monárquico do Cariri

    Dentre as centenas de regiões formantes deste Brasil continental, uma delas – o Cariri cearense – tem um lugar de realce. A começar por suas geomorfologias naturais, onde se destaca a Bacia Sedimentar do Araripe, um acidente geográfico e sítio paleontológico, oriunda do período cretáceo. Essa Bacia é emoldurada pela Chapada do Araripe, alta e extensa formação arenítica, a sediar a primeira reserva florestal criada – em 1946 – no Brasil. Em tempos recentes, delimitou-se, no entorno dessa chapada, uma nova área de proteção ambiental.  E culminou com a criação do Geoparque Araripe, o primeiro do continente americano e do Hemisfério Sul reconhecido pela UNESCO.

    O Cariri sobressai também por seu patrimônio cultural, suas tradições católicas (com destaque para a religiosidade popular) e ainda pela memória de alguns dos seus episódios históricos. Neste último há lugar para registros de resistências contrarrevolucionárias ocorridas no Sul do Ceará. Outra característica do Cariri (quiçá única no interior nordestino) foi que aqui viveram, nos últimos dois séculos, valorosos adeptos da forma de governo monárquica. Aliás, desde o século XIX, o Cariri foi um foco de apoio à monarquia brasileira. Caririenses de diversas camadas sociais se destacaram como arautos da defesa da monarquia. Sobre algumas dessas lideranças monarquistas caririenses – todas já falecidas – faremos um breve e sumário resgate.

   Desde os anos 1800, nas cidades de Crato, Jardim e Barbalha, lideranças se amparavam no Direito Natural para fazer proselitismo das vantagens da monarquia.  E o que é esse tal de Direito Natural? Ele resulta da ordem posta por Deus na Criação. De origem divina, o Direito Natural assegura ao homem o direito à vida, a constituir família, à propriedade, ao trabalho, ao salário justo, à cultura, à educação, à prática da verdadeira religião, dentre outros. E, como afirmava Cícero, “tudo isso emana da própria natureza”. Independentemente da vontade do homem. Trata-se, pois, de um direito que se antecipou, em centenas de séculos, ao surgimento da instituição “Estado”. O Direito Natural não foi uma concessão do Estado. Nem depende deste. É a base dos princípios que regem, até hoje, as modernas monarquias parlamentaristas constitucionais, ainda existentes no mundo. E todas elas vão “muito bem, obrigado”.

O “sonho” da monarquia

   Talvez você nem saiba, mas, no sentido da linguagem corrente moderna, existem hoje duas formas de governo: Monarquia e República. No nosso país, as novas gerações, de 1889 para cá, desconhecem o que é a instituição monárquica. Mas o leitor certamente já ouviu falar que muitos brasileiros andam torcendo para o Brasil voltar a ter um monarca. Desiludidos com os descalabros da atual República, implantada pela força de um golpe de Estado, homens e mulheres, jovens e velhos dos vários extratos sociais desta nação continental anseiam pela volta da monarquia. Isto mesmo. Querem o retorno do velho regime que existiu – por quase 400 anos – no Brasil. Desde nosso “descobrimento” (em 1500), até 15 de novembro de 1889 (data em que uma minoria de militares “proclamou” a República, banindo para um injusto exílio a nossa honrada Família Imperial).

      Oxente! mas a monarquia não é uma velharia do passado? 

   Ledo engano! O Dr. Armando Alexandre dos Santos, autor de 64 livros, cujas obras já ultrapassam 1 milhão e 400 mil exemplares publicados, professor do Mestrado na Universidade do Sul de Santa Catarina–UNISUL declarou: “A monarquia, longe de ser uma forma de governo arcaica e ultrapassada, é moderníssima e de grande maleabilidade. Muitos a criticam por puro preconceito ou por desconhecimento, mas ela é, ao meu ver, um caminho viável para o Brasil atual. Pode parecer um sonho, mas, como escreveu Fernando Pessoa, “Deus quer, o homem sonha e a obra nasce”. Por outro lado, se a monarquia parece um sonho, a república que temos no Brasil, sem dúvida, é um pesadelo”

     Sim, ainda existem doutores de universidades que não são marxistas!

     Oportuno acrescentar que, na última lista do “ranking” das 15 (quinze) nações do mundo com melhor Índice de Desenvolvimento Humano–IDH, apurado, em 2019, pela ONU, 8 (oito) delas são monarquias. Ou seja, atualmente mais de 50% dos países que estão no topo da riqueza e do desenvolvimento do universo têm um rei ou uma rainha como Chefe de Estado.

      Eis aí um fato para reflexão...

Monarquistas do Cariri

        Voltemos ao tema central deste artigo. Como afirmamos acima, desde o primeiro quartel do século XIX, o Cariri foi palco de reações antirrepublicanas. Em 3 de maio de 1817, a partir de um gesto simbólico do seminarista José Martiniano de Alencar, este “proclamou” – no púlpito da igreja-matriz de Crato, durante a celebração de uma missa – a “instauração” da forma republicana de governo na antiga Vila Real do Crato. Surpresa geral dos presentes! E tema das conversas, nos dias seguintes, da população! A reação ao inopinado ato do jovem José Martiniano de Alencar só viria 8 dias depois. Sob a liderança do Brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro – Comandante do Regimento de Cavalaria das Milícias de Crato – com apoio de alguns proprietários rurais e seus “agregados” o vilarejo foi invadido no domingo, 11 de maio. Pânico e correria dos republicanos. O poder que estes haviam usurpado foi devolvido às autoridades reais sem necessidade de se disparar um único tiro.  

               Participou dessa “contrarrevolução” de 1817, na Vila Real do Crato, o famoso caudilho e monarquista convicto, Joaquim Pinto Madeira. Oriundo de Barbalha, mas com atividades econômicas também na Vila da Barra do Jardim (hoje cidade de Jardim), este caudilho viria, em 1832, a pegar novamente em armas. Foi quando invadiu com suas tropas várias vilas do Sul do Ceará, com o objetivo de garantir a continuidade do Reinado de Dom Pedro I, afastado do Trono por uma renúncia voluntária.  Pinto Madeira supunha, erroneamente, que a saída de Dom Pedro I do Brasil se devesse aos políticos liberais...

         De um modo geral, o povo brasileiro sempre se manteve alheio à pregação da minoria dos republicanos. No entanto, essa parcela – com participação de militares positivistas e antimonarquistas – conseguiu implantar a República no Brasil, através do golpe de Estado de 15 de novembro de 1889. As seis sucessivas e efêmeras Constituições republicanas fizeram constar sempre nos seus textos as “cláusulas pétreas” que proibiam qualquer propaganda pública em favor da causa monárquica. Nem por isso os monarquistas sul-cearenses se acomodaram. Nas décadas 1930/1940, eles adotaram a tática da “Igreja do Silêncio”. E faziam discretos proselitismos pró-monarquia em recintos fechados. Em Crato, não poderíamos deixar de citar o admirável trabalho levado a efeito, nesse sentido, pelo ilustre Prof. José Denizard Macedo de Alcântara.

        Já em Juazeiro do Norte, é de justiça resgatar a atuação de Antônio Corrêa Celestino, Dr. Edward Teixeira Ferrer, Olívio de Oliveira Barbosa, dentre outros, todos também falecidos. Quanto a Barbalha, a bandeira monarquista foi honrada por José de Sá Barreto Sampaio – mais conhecido como Zuca Sampaio – chamado de “Sertanejo de Escol”, pelo escritor Padre Azarias Sobreira. Dos filhos de Zuca Sampaio o que mais conservou as ideias do pai foi o comerciante e político Antônio Costa Sampaio. Este soube manter a chama monárquica, principalmente junto aos seus filhos. Ideal que chegou aos seus netos e bisnetos dos dias atuais. Em Barbalha merecem ser citados também os saudosos monarquistas Dr. Antônio Marchet Callou, Dr. Giovanni Livônio Sampaio, Antônio Gondim Sampaio, Dr. Fabriano Livônio Sampaio, pessoas de elevada estatura moral e de projeção social naquela cidade.

Reflexões sobre o Brasil Imperial

   O Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança, atual Chefe da Casa Imperial do Brasil, escreveu esta análise: “No tempo do Império, havia estabilidade política, administrativa e econômica; havia honestidade e seriedade em todos os órgãos da administração pública e em todas as camadas da população; havia credibilidade do País no exterior; havia dignidade, havia segurança, havia fartura, havia harmonia”.  

     Verdade. Os tempos imperiais foram o apogeu do grande surto de progresso experimentado pelo Brasil, no século XIX. Pontificava, à época, o Estado de Direito, limitado pela Ordem Jurídica vigente com os quatro poderes agindo separadamente, mas em harmonia com vistas ao bem comum. Havia a garantia e respeito às liberdades civis. Quando ocorreu o golpe de Estado que implantou a forma republicana entre nós, o então Presidente da Venezuela – Juan Pablo Rojas Paúl – sabedor do zelo que Dom Pedro II tinha pela res publica (literalmente, “coisa pública”) declarou: “Foi-se a única República do Hemisfério Sul.”

    Na monarquia brasileira, a inflação média anual era de apenas 1,5%. E durante toda a sua existência até 1889, o Brasil só teve uma moeda: o “Réis”. Diga-se, de passagem, uma moeda estável e forte, correspondente a 0,9 (nove décimos) do grama de ouro e equivalente ao dólar e à libra esterlina. Depois de proclamada a república, nossa pátria já teve – no espaço de 105 anos – 9 (nove) moedas. Ou seja, trocou de padrão monetário, a cada 14 (quatorze) anos... Fato inédito na história das nações. O Brasil Império era um país do primeiro mundo, junto aos Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. A diplomacia brasileira era uma das mais importantes do mundo de então. Diversas vezes, o Imperador Dom Pedro II foi chamado para ser o árbitro de questões envolvendo a Itália, França e Alemanha. Sob a monarquia, o Brasil possuía a segunda Marinha de Guerra do mundo. E foi o primeiro país do continente americano a implantar a novidade dos Correios e Telégrafos.  

    Segundo Ruy Barbosa: “O Parlamento do Império era uma escola de estadistas e na República virou uma praça de negócios”. Eis aí a “ponta do iceberg” do Brasil republicano. Na República, não conhecemos mais estadistas, apenas governantes. E governantes mais interessados nos seus próprios interesses do que nos altos interesses da nação. No mais, como escreveu Jhonnatha Fernandes: “A república no Brasil é um acidente, um acidente que custou e custa muito caro ao nosso país. Graças ao atabalhoado golpe liderado por um marechal do exército que só queria retirar (o Primeiro Ministro, Visconde de) Ouro Preto do Ministério, o Brasil foi entregue às oligarquias regionais e desde então não sabe o que é ter um estadista no poder”.

(*) Armando Lopes Rafael é historiador.

sexta-feira, 15 de julho de 2022

Morreu Dom Luiz de Orleans e Bragança -- por Armando Lopes Rafael (*)

 

Uma vida longa e plena de significado! Assim foi a existência deste príncipe...

   No último dia 08.07.2022, um Comunicado sobre o estado de saúde e a hospitalização do Príncipe Dom Luiz – distribuído pela Casa Imperial do Brasil – já preparava nosso espírito: “Infelizmente, na opinião dos médicos, seu quadro é considerado irreversível”. Com profundo pesar,  na tarde desta sexta-feira, dia 15 de julho, o Secretariado da Casa Imperial do Brasil anunciou o falecimento de Dom Luiz.

    As palavras são insuficientes para traduzir – na plenitude – a grandeza moral e cívica do Príncipe Dom Luiz. Muitos, só agora, se deram conta da influência que ele exerceu junto à sociedade brasileira. Dom Luiz inspirava não só os monarquistas. Ia além. Influenciava outras correntes de opinião conservadoras existentes no Brasil. Espalhava sólidos e perenes princípios de catolicidade, brasilidade, honestidade, retidão, patriotismo e honradez.  

    A mídia brasileira – “A mais sórdida do mundo” – (na feliz expressão do saudoso Cardeal Primaz Dom Lucas Neves), tão pródiga em divulgar futilidades e mediocridades, pouco noticiava as ações de Dom Luiz.  Talvez porque as atitudes de Dom Luiz sempre foram dignas e sérias. Dele nunca se ouviu falar num único gesto – por pequeno que fosse – que viesse a tisnar sua irrepreensível conduta ética. O Chefe da Casa Imperial Brasileira foi como um farol – sempre aceso – a espargir coerência, credibilidade e civismo; a iluminar o lado obscuro deste confuso e desordenado Brasil republicano.


Quem é quem

   Tetraneto de Dom Pedro I, trineto de Dom Pedro II e bisneto da Princesa Isabel, o Príncipe Dom Luiz Gastão Maria José Pio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Orleans e Bragança e Wittelsbach (este o seu nome completo) tinha nas veias o sangue de reis e santos que fizeram história. Dentre seus ilustres ancestrais estão Carlos Magno, um dos mais importantes imperadores da Idade Média, senhor absoluto do Sacro Império Romano; o Rei São Luiz IX da França e Nuno Álvares Pereira, também conhecido por São Nuno de Santa Maria, fundador da Casa de Bragança, conhecido como o “Santo Condestável do Reino de Portugal”.

   Dom Luiz de Orleans e Bragança – devido ao longo e injusto exílio imposto à Família Imperial – nasceu na França, na cidade de Mandelieu, em 6 de junho de 1938. Foi o primogênito do casal Dom Pedro Henrique de Orleans e Bragança e Dona Maria Isabel da Baviera. Aquele, neto e sucessor dinástico da Princesa Isabel, de quem recebeu a Chefia da Casa Imperial do Brasil. Esta, uma princesa alemã, nascida na família Wittelsbach – titular da Casa Real Bávara – neta de Rei Ludwig III, último monarca da Baviera. Ao nascer, Dom Luiz foi registrado no Consulado Geral do Brasil em Paris. Ele amou, como poucos brasileiros o fizeram, a sua pátria.


Seu pai, o Príncipe Dom Pedro Henrique

“A educação de um homem começa 100 anos antes do seu nascimento”
(Napoleão Bonaparte)

   Considerando a frase acima e antes de acrescentar novas informações sobre Dom Luiz, somos impelidos a discorrer sobre o pai dele, Dom Pedro Henrique. Este, ainda no exílio já era denominado, no Brasil, de “O Príncipe Esperado”. E aqui chegando, Dom Pedro Henrique passou a ser chamado   de “Condestável das Saudades e Esperanças”. Somente em 1945, após o fim da Segunda Guerra Mundial, ele, sua esposa Dona Maria da Baviera e os quatro primeiros filhos nascidos desse casal puderam deixar a Europa e fixar residência no Brasil. Aqui, a família enfrentou dificuldades financeiras.   Logo ao chegar – e tentar reaver seus bens, localizados na cidade de Petrópolis, ou seja, a parte que lhe cabia da herança da Princesa Isabel – Dom Pedro Henrique sofreu uma grande decepção.  Aqueles imóveis tinham sido repassados (antes do seu retorno ao Brasil) por um procurador que abusou da confiança do Príncipe. Tinham sido transferidos para outro membro da Família Imperial, aqui chegado antes de Dom Pedro Henrique.  

    Não conseguindo anular a transação e com os parcos recursos trazidos da Europa já minguando, Dom Pedro Henrique passou por contratempos até 1951. No entanto, naquele ano, um bondoso e rico português, ao falecer, deixou para Dom Pedro Henrique o legado de um valioso imóvel comercial, situado na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro. Com a venda desse prédio, Dom Pedro Henrique conseguiu comprar uma pequena fazenda – com área de 174 hectares – localizada no município de Jacarezinho, Norte do Paraná, à época uma pujante fronteira agrícola do Brasil. Para lá Dom Pedro Henrique se mudou, com a esposa e os seis filhos (mais dois tinham nascido no Rio de Janeiro). A esses se juntariam mais seis rebentos nascido no Paraná. Doze foi, portanto, o total dos filhos do casal. No Paraná todos viveram vários anos.

   Apesar de oriundo da nobreza, Dom Pedro Henrique revelou aptidão para os afazeres de um pequeno proprietário rural brasileiro. Plantava café e cereais. Tinha uma pequena criação de gado.  Em 1957, com o fruto dessas atividades, conseguiu permutar sua primeira propriedade rural por outra, um pouco maior – a Fazenda Santa Maria – situada no município de Jundiaí do Sul. Na década de 1960, com os filhos já encaminhados, Dom Pedro Henrique, vendeu essa última propriedade e adquiriu outra – igualmente pequena – no município de Vassouras, no Estado do Rio de Janeiro. Lá, instalou uma granja e lá viveu até sua morte, ocorrida em 1981.

A missão de Dom Luiz

     Dom Pedro Henrique exerceu forte influência na formação dos filhos. Herdeiro, pela primogenitura, da Chefia da Casa Imperial do Brasil, o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança cumpriu à risca as orientações recebidas do pai. Este sempre repetiu para os 12 filhos: “As circunstâncias não me permitem que lhes deixe uma fortuna material considerável. Mas três coisas faço questão de deixar: em primeiro lugar, a Fé Católica Apostólica Romana, herdada de nossos maiores; em segundo lugar, uma boa educação; e, em terceiro lugar, a consciência da missão histórica da nossa família”.

    Adolescente, Dom Luiz foi enviado para estudar num bom colégio do Rio de Janeiro. Posteriormente seguiu para a Europa, onde cursou Ciências Políticas e Sociais na Universidade de Paris (França). Em seguida, foi estudar Química e Física, na Universidade de Munique (Alemanha), terra da sua mãe, onde residiam alguns parentes maternos. Conquistado o diploma de Engenheiro Químico, retornou em 1967 ao Brasil, fixando-se em São Paulo, onde viveu sempre modestamente. Manteve, durante toda a vida, a coerência nas decisões e atitudes. Com a morte de Dom Pedro Henrique, em 1981, Dom Luiz assumiu a Chefia da Casa Imperial do Brasil. Nesta função exerceu um trabalho discreto e eficiente. Manteve acesa a chama do ideal monárquico no Brasil.

O Legado de Dom Luiz

   Para os monarquistas, Dom Luiz foi sempre o Imperador de jure do Brasil, cumprindo exemplarmente seu dever de herdeiro do Trono Brasileiro. E fê-lo enfrentando as muitas limitações existentes até 1988. A principal delas: a famigerada “cláusula pétrea” – um dispositivo constitucional, inserida na série das cinco e efêmeras constituições republicanas. Estas promulgadas em 1891, 1934, 1937, 1946 e 1967. Haja constituições! A tal cláusula proibia qualquer questionamento à forma de governo republicana, imposta, ao povo brasileiro, pelo golpe de 15 de novembro de 1889. Somente com a promulgação da 6ª (sexta) Constituição da República (a de 1988, atualmente vigente) mencionada cláusula foi retirada da “Carta Magna”. Também devemos este benefício a uma iniciativa de Dom Luiz.

     Explico. Em 1987, durante a última Constituinte, Dom Luiz redigiu e enviou uma “Carta aos Srs. Membros da Assembleia Nacional Constituinte”. Nela mostrava a incoerência de se manter a citada “cláusula pétrea” na mais recente “Carta Magna” republicana. Não fosse essa ação de Dom Luiz, a injusta e antidemocrática cláusula pétrea continuaria a punir ad eternum os monarquistas brasileiros. Em 1987 vivíamos a promessa de uma “Nova República” – aquela época pregada por Tancredo Neves – prometendo uma “anistia política”. Esse perdão – anunciado com estardalhaço como “amplo, geral e irrestrito” – constava no rascunho da futura constituição. Entretanto, a “anistia” deixava de fora os defensores da forma de governo monárquica. Por conta do pedido de Dom Luiz, os constituintes de 1987 revogaram, enfim, a “cláusula pétrea”. Livre desse entulho discricionário ressurgiram as campanhas e o proselitismo em favor da monarquia.  E, a partir daí, o movimento pró monarquia no Brasil só fez crescer. E o mais admirável: a maioria desse movimento é feito por jovens.

       (*) Armando Lopes Rafael é historiador.

Subsídios de Consulta para este artigo:

Livro: “Dom Pedro Henrique, O Condestável das Saudades e da Esperança”, escrito por Armando Alexandre dos Santos, publicado por Artpress Indústria Gráfica e Editora Ltda. São Paulo, em 2006.

domingo, 3 de julho de 2022

Coração do Imperador Dom Pedro I será enviado ao Brasil para as comemorações do bicentenário da nossa independência

 

    O coração do Imperador Dom Pedro I é conservado até hoje e está guardado numa igreja da cidade do Porto(Portugal)

 O Imperador do Brasil, Dom Pedro I (que também foi o Rei Dom Pedro IV de Portugal) deixou seu coração, em testamento, à cidade de Porto, em reconhecimento ao apoio que recebeu do povo daquela cidade, na Guerra Civil Portuguesa, que travou contra o irmão, o Rei Dom Miguel I de Portugal, para devolver o Trono à Soberana legítima, sua filha, a Rainha Dona Maria II de Portugal. Desde 1972, ano do Sesquicentenário da Independência do Brasil, o corpo do Imperador repousa na Cripta Imperial sob o Monumento à Independência do Brasil, em São Paulo. Permanece em Portugal apenas o coração do Imperador Dom Pedro I, guardado na igreja de Nossa Senhora da Lapa, de Porto.

***   ***   ***

    A Agência Brasil, órgão do Governo Federal, confirmou a boa notícia: “Portugal vai mandar ao Brasil uma relíquia de 187 anos, como parte das comemorações do bicentenário da nossa independência. A notícia sobre o translado do coração de Dom Pedro I foi divulgada na página oficial da Câmara do Porto, após uma perícia do Instituto de Medicina Legal. A equipe contou com peritos das áreas de anatomia, medicina legal, genética e biologia forense, além de especialistas, docentes e investigadores de importantes faculdades de medicina da cidade portuguesa”.  

   “O transporte ficará a cargo da Força Aérea Brasileira e será acompanhado pelo presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, que deu alguns detalhes do processo, como a necessidade de um ambiente pressurizado, para o transporte e também a exigência de um compromisso de estado entre os dois países irmãos. As comemorações do bicentenário da independência do Brasil vão ocorrer ao longo do mês de setembro e contarão com a presença do Presidente de Portugal Marcelo Rebelo de Sousa”.

     “Primeiro imperador do país, Dom Pedro I declarou a independência do Brasil em 1822. Já em 1831, ele abdicou do trono em favor do filho, Pedro II, e retornou para Portugal, onde morreu três anos depois”.


Postado por Armando Lopes Rafael


 


domingo, 26 de junho de 2022

Instituto Cultural do Cariri– ICC lança Itaytera especial sobre o Prof. José Newton Alves de Sousa


       Antecedendo a uma festa junina – denominada “Furna da Onça, 2ª versão –  o Instituto Cultural do Cariri lançou, ontem à noite, no Crato Tenis Clube, o número especial de Itaytera – dedicado ao centenário de nascimento do Prof. José Newton Alves de Sousa. O historiador Armando Lopes Rafael apresentou o livro, quando pronunciou as palavras abaixo:   

    “O lançamento deste número especial de Itaytera – dedicado ao centenário de nascimento do Prof. José Newton Alves de Sousa – se constitui em mais um êxito na história do Instituto Cultural do Cariri. Resultou, este volume, do esforço coletivo de sócios desta instituição, apoiados por outras pessoas ligadas – por laços de sangue, amizade, afeto e admiração – ao Prof. José Newton.

     “Fundado em 4 de outubro de 1953, portanto próximo de completar 70 anos de existência, o Instituto Cultural do Cariri tem procurado – desde o seu início – ser fiel ao compromisso estatutário de promover o desenvolvimento do estudo das ciências, das letras e das artes em geral, dando ênfase à divulgação da História e da Geografia, bem como das tradições populares do povo que habita o Sul do Ceará.

      O ICC é, inegavelmente, o mais importante pólo cultural de Crato e do Cariri. Seu espaço é ocupado por homens e mulheres, que exercem as mais variadas atividades profissionais. Todos eles unidos – de forma democrática – buscando   o resgate e a preservação cultural da nossa região, dentro do mais amplo sentido da palavra cultura.  Operamos a cadeia da produção cultural, que valoriza até as pessoas mais simples, algumas excluídas da sociedade de consumo. Fazemos nosso o conceito empregado pela ex-Secretária de Cultura do Ceará, Cláudia Leitão, quando acertadamente definiu:

“Cultura é tudo que o homem faz”.

Sobre a revista Itaytera

        Órgão oficial do Instituto Cultural do Cariri, Itaytera teve seu primeiro número publicado no já distante 1955. A finalidade desta publicação foi muito bem definida na sua edição de número 7, publicada em 1961, assim descrita: 

   “No entanto, o coração de todo o Instituto Cultural do Cariri é a revista ITAYTERA, que entra agora em seu sétimo ano. Esta revista é a força propulsora do nosso movimento cultural, e dificilmente, nesse particular, encontra outro lugar que supere Crato em toda a hinterlândia nordestina. São as páginas da revista que atraem as simpatias unânimes para as realizações do Instituto”.

        Em anos recentes, a revista só fez crescer, melhorar seu aspecto gráfico, publicar excelentes trabalhos produzidos por seus sócios. Este ano será lançado o nº 51 de Itaytera. Entretanto, não bastasse o meritório trabalho de publicar anualmente um volume desta revista, o Instituto Cultural do Cariri, desde 2019, lançou três “números especiais “de Itaytera. Foram volumes destinados a preservar a memória de três grandes educadores que marcaram, de forma indelével, a atividade educacional de Crato e do Cariri. A título de comemorar o centenário de nascimento desses três mestres, as edições especiais foram dedicadas: ao Prof. José do Vale Arraes Feitosa (em 2019); à Madre Feitosa (em 2021) e, no corrente 2022, esse tributo focou a vida e obra do Prof. José Newton Alves de Sousa.

       Itaytera realizou assim, um relevante serviço de reconhecimento e gratidão a esses educadores. Mas não só. Resgatou e disponibilizou para as futuras gerações os frutos das atividades desses três mestres na área educacional. Aliás, os professores citados, deram sobejas mostras de amor, abnegação e idealismo nas suas tarefas na área educacional.  Ou seja, deixaram marcas inapagáveis no decorrer do processo de ensino e aprendizagem de muitas gerações. Nunca é demais relembrar o papel do verdadeiro  educador, pois este é  um profissional que investe, dando o melhor si.  da sua inteligência, do seu vigor e do seu idealismo  no processo de desenvolvimento do educando. Não só ensina, mas forja o caráter das  pessoas durante o aprendizado escolar, preparando-as para enfrentar os desafios da vida através da aquisição do conhecimento e da formação moral e cívica...

O número especial dedicado ao Prof. José Newton

              No que concerne ao presente número, ora entregue ao público, e dedicado ao Prof. José Newton Alves de Sousa, acho oportuno relembrar uma frase, escrita pelo renomado médico Clóvis Paiva – conhecido oftalmologista de Recife – que preferia ser titulado como “Professor” ao invés do tradicional “Doutor”. A conferir.

“Viver é sempre um privilégio, mesmo que seja marcado pela saudade e alguns desencantos. Desde que se conserve o afeto e a crença na vida e no perdão.”

     Sábias palavras! Penso que este pensamento sintetiza bem a existência do Prof. José Newton Alves de Sousa, que completou -- no último dia 5 -- cem anos de nascimento, encontrando-se lúcido e ativo. Neste momento, sua cidade natal, num preito de gratidão, o homenageia através do Instituto Cultural do Cariri. Todos nós aqui presentes estamos materializando o reconhecimento e gratidão de Crato a um dos seus mais ilustres filhos.

       Não é o caso de relembrar, aqui e agora, a gama de qualidades morais e intelectuais do Prof. José Newton. Ela é muita vasta e temos de ser breve e objetivo, nesta apresentação da revista.

       Os senhores e senhoras conhecerão as virtudes do velho mestre ao lerem as páginas de Itaytera – edição especial. No seu papel de cidadão e educador, o Prof. José Newton Alves de Sousa foi mais do que um simples docente. Ele executou com maestria e denodo sua missão de um autêntico mestre, foi detentor e transmissor do conhecimento às novas gerações. Orientou jovens em processo de formação, transmitindo a eles um conjunto de valores éticos e morais.

          Foi, e continua sendo,  uma das reservas morais deste mundo em crise que vivemos e sofremos.  É um intelectual, um homem de ação para os assuntos que envolvem a educação e os princípios morais que devem reger a sociedade. Autor de vários livros, aí incluídos alguns reunindo suas poesias, ele foi fundador de escolas. universidades e academias. É  Chefe de Família exemplar, um mediador do conhecimento, sendo uma referência de  legado de sabedoria, ética e respeito ao próximo.

                 Deus salve o Professor José Newton  Alves de Sousa...

sábado, 20 de novembro de 2021

Apresentando o novo livro de Francisco Luiz Soares (por Armando Lopes Rafael)

Mesmo que você esteja em uma minoria, a verdade ainda é a verdade.
Mahatma Gandhi

   O professor e advogado Francisco Luiz Soares está lançando este novo livro – “A República dos Infiéis– A maldição do Imperador continua” – no qual aprofunda a análise da interminável “crise republicana” brasileira. Neste trabalho ele analisa os últimos “mandatos presidenciais” no Brasil, ou seja, os de 1990 aos dias atuais. Este volume é a continuação do livro anterior do autor – A Maldição do Imperador – lançado em 2000, fruto de exaustivas pesquisas, por ele feitas, sobre o inegável fracasso da forma de governo republicana na nossa pátria. A bem dizer, ambas as obras – sérias, profundas, oportunizando boas reflexões – proporcionarão ao leitor traçar um paralelo entre a honradez do Brasil Imperial e os desmandos tão corriqueiros no atual Brasil Republicano. 

    O conjunto dos dois livros tem o mérito de realçar o elevado espírito público do nosso último Imperador, Dom Pedro II. Sobre o período monárquico cumpre-nos acrescentar que durante muito tempo, a historiografia oficial brasileira escondeu o fato de que, nos reinados dos imperadores Dom Pedro I e Dom Pedro II, nossa pátria passou por um grande surto de progresso.

Sobre o primeiro volume
    Um rápido comentário se faz necessário sobre o livro anterior do Dr. Francisco Luiz Soares (“A Maldição do Imperador”).  Após a segunda metade do século XIX, o Governo Imperial Brasileiro fez grandes investimentos na construção de estradas e melhoria dos nossos portos, favorecendo o escoamento dos produtos agrícolas e comerciais, melhorando a comunicação entre as províncias (hoje chamadas de Estados).  Diga-se, de passagem, que nossa economia era extremamente diversificada.

   Tivemos, sob a forma de governo monárquica, uma inflação média anual de apenas 1,58%.  O Brasil, nos tempos imperiais, era considerado um país do “Primeiro Mundo”, ao lado da Alemanha, Estados Unidos e Inglaterra. Naqueles 67 anos (1822–1889), nosso país teve iniciativas de vanguarda no desenvolvimento científico e tecnológico, notadamente na construção de quilômetros de ferrovias e no pioneirismo do uso do telefone.

    Durante a monarquia, o Brasil possuía a segunda Marinha de Guerra do mundo. O nosso Parlamento era comparado com o da Inglaterra. E a diplomacia brasileira era uma das mais importantes do mundo de então. Diversas vezes, o Imperador Dom Pedro II foi chamado para ser o árbitro de questões envolvendo a Itália, França e Alemanha. A autoridade moral do monarca brasileiro era comparada à do Papa.

   O atual Chefe da Casa Imperial Brasileira, Príncipe Dom Luiz de Orleans de Bragança, em 1989 (no centenário da “proclamação” da República), sintetizou o que foi o grandioso Império do Brasil. Escreveu ele, naquela ocasião: “Cem anos já se passaram, e os contrastes entre o Brasil atual e o Brasil Império só têm crescido. No tempo do Império, havia estabilidade política, administrativa e econômica; havia honestidade e seriedade em todos os órgãos da administração pública e em todas as camadas da população; havia credibilidade do País no exterior; havia dignidade, havia segurança, havia fartura, havia harmonia” ...

     Bem diferentes são os atuais tempos republicanos...


    Constrange-nos, como cidadãos e patriotas, fazer algumas comparações entre aquela fase – acima descrita – e o atual Brasil Republicano. Fica patente, nesse confronto de ações, a decência, brio, altivez, decoro e correção dos que nos governaram sob a monarquia. Já o que vemos e sofremos nos governos da República nem precisa comentar...

Sobre o segundo volume
   Falemos agora sobre a segunda obra de Francisco Luiz Soares (“A República dos Infiéis– A maldição do Imperador continua”). Ela transmite aos nossos ouvidos a lembrança do som dos carrilhões do honrado Império Brasileiro. Este segundo livro pode lembrar, também, uma passagem bíblica, aquela da “voz que clama no deserto”. Entretanto, sua leitura permite-nos colocar o dedo nas feridas das recentes “crises” governamentais, agravada hoje com a interferência de um poder sobre outro. Comprometendo a independência constitucional assegurada aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

    Mas, por outro lado, o conteúdo deste livro vem ao encontro do despertar (atualmente verificado na população brasileira) através do sentimento de indignação (que parecia ter desaparecido) mas está mais vivo do que nunca. Basta lembrar as multidões que, desde 2016 – vestidas de verde-amarelo e com a bandeira brasileira às mãos – saíram às ruas para protestar contra o descalabro das recentes administrações republicanas. Naqueles protestos, tantas vezes vimos e ouvimos o coro do povo a gritar: “Queremos o nosso Brasil de volta” ou ainda “A Nossa bandeira jamais será vermelha” ...

      Não seria isso a constatação (por parte do inconsciente coletivo) de que a República falhou irremediavelmente entre nós? Nenhum brasileiro, em sã consciência, pode afirmar – de boca cheia – que a República deu certo no Brasil. São atualíssimas, portanto, as palavras proferidas por Cristo Jesus (cf. Mateus 13, 10-17): “Felizes sois vós, porque vossos olhos veem e vossos ouvidos ouvem. Em verdade vos digo, muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes, e não viram, desejaram ouvir o que ouvis, e não ouviram".  

   Fica a reflexão para os dias futuros deste rico e imenso país continental, que tem tudo para dar certo. E se não atingiu esse desiderato é porque a forma de governo não vem ao encontro das aspirações populares... Como será o nosso amanhã? Não sabemos. Mas não nos custa conjecturar de que ainda existe uma força coletiva motivando a recolocarmos nos trilhos o nosso Brasil. Feito isso prosseguiremos na busca do lugar para onde nossa pátria foi escolhida – pela Divina Providência – quando, nos seus albores, chegou a ser chamada Terra de Santa Cruz. E cujo ápice de seriedade administrativa foi exatamente nos tempos do Império do Brasil. Parabéns ao Dr. Francisco Luiz Soares pela sua valiosa contribuição – através dos seus dois livros acima analisados – que mostram uma luz no fim do túnel para a crise de governabilidade que se abate sobre o Brasil, iniciada na fatídica data de 15 de novembro de 1889 e agravada, seriamente, nos dias atuais..

          Honra ao Mérito!

Armando Lopes Rafael
Historiador 
 

 

quinta-feira, 5 de março de 2020

Grande obra será construída em Crato: Centro Cultural do Cariri vai revitalizar prédio que já abrigou Seminário da Sagrada Família

 Mais um equipamento vai integrar o rol de opções culturais na região do Cariri. No dia 10 de março será aberto o certame licitatório para definir a empresa responsável pela construção do Centro Cultural do Cariri (CCC), no Crato. O valor orçado para o empreendimento é de R$ 68,4 milhões, via Secretaria da Cultura (Secult). A implantação será fiscalizada pela Superintendência de Obras Públicas (SOP).



“O Centro Cultural do Cariri comporá a Rede de Equipamentos Culturais da Secult-CE e faz parte de uma meta da Lei 16.026/2016 do Plano Estadual de Cultura para implantação de centros culturais no interior do Estado, compromisso do Governador Camilo Santana. O Centro Cultural do Cariri é também uma instituição que articula as políticas de acesso à cultura, de fomento à criação e circulação artística, de patrimônio cultural, de formação artístico-cultural e de produção do conhecimento”, explica Fabiano Piúba, secretário da Cultura.

O equipamento será construído em área que no passado pertenceu a edificações de arquitetura marcante, como o Seminário da Sagrada Família, fundado em 1948, e posteriormente, o Hospital Regional Manuel de Abreu, que funcionou de 1973 até 2014, quando foi desativado. As estruturas existentes hoje no local serão parcialmente aproveitadas para receber o Centro Cultural do Cariri , compreendendo uma área construída total de 12 mil metros quadrados (m²).

O projeto se volta a preservar o patrimônio e seu valor histórico. Para a composição do Centro Cultural está prevista a integração de três grandes áreas: o edifício antigo do hospital a ser restaurado, um novo bloco adjacente onde será construído um teatro de seis andares com capacidade para 500 lugares, e os arranjos exteriores formados por passeios, praça, parque e estacionamentos. O CCC contará com um pátio central (átrio), museu, biblioteca, teatro, residências artísticas, espaços para ensino, pesquisa, artesanato, exposições e workshops, duas áreas de estacionamento, além de um parque verde a ser revitalizado e entornos urbanizados. Há ainda a previsão de requalificação da Rua Vicente Máximo Feitosa.

“Será um centro cultural-parque de junção entre cultura e natureza, um espaço catalisador das instituições, manifestações e expressões da região do Cariri em conexão com o Ceará, o Brasil e o mundo em um contexto fértil em que estamos desenvolvendo a candidatura da Chapada do Araripe como Patrimônio da Humanidade”, conclui Fabiano Piúba.

O Centro Cultural do Cariri trará novas potencialidades de investimento ao Crato e cidades vizinhas, impulsionando de forma dinâmica a produção cultural, o turismo e o lazer pelo Interior do Ceará.


Fonte:Governo do Estado do Ceará

sábado, 8 de fevereiro de 2020

As duas últimas fotos de Dom Vicente Matos, tiradas no dia que ele deixou a cidade de Crato (*)




      O dia era 11 de junho de 1992.

      Naquela data, Dom Vicente de Paulo Araújo Matos completou 74 anos de idade. Há 37 anos residia em Crato. Primeiro, foi Bispo-Auxiliar (de 1955 a 1959). Depois, com a renúncia de Dom Francisco de Assis Pires, Dom Vicente foi  Administrador Diocesano (1959 a 1960) ou Vigário Capitular, como se chamava à época; De 22 de janeiro de 1961 (quando foi nomeado Bispo Diocesano) até 1º de junho de 1992 (quando renunciou ao bispado por problemas de saúde) foi o 3º Bispo de Crato. Depois da renúncia, ainda permaneceu em Crato até 11 de junho do mesmo mês, preparando o transporte dos seus objetos pessoais para levá-los a Fortaleza, onde fixou residência até sua morte, ocorrida em 06 de dezembro de 1998.

      Voltemos à manhã do dia 11 de junho de 1992. No alpendre do antigo Palácio Episcopal, área voltada para o grande quintal (onde hoje se ergue a Cúria Diocesana Bom Pastor), Dom Vicente Matos  (portando a vestimenta episcopal) recebeu poucas pessoas que foram se despedir dele. Depois, subiu pela última vez as escadas que davam ao seu quarto, localizado na parte superior da casa, vestiu um terno simples e iniciou sua viagem para Fortaleza.

        Como era do seu natural, Dom Vicente estava tranquilo, mas emocionado. Nos quase 600 quilômetros, que separam Crato de Fortaleza, ele deve ter rememorado os 37 longos anos vividos no Cariri. Onde continua a ser o maior benfeitor da região. Onde não deu um único passo que não fosse voltado para difundir o bem e a verdade. E onde recebeu muitas calúnias e ingratidões, as quais – por ser uma alma de escol e um homem superior – soube perdoar.

         Deus permitiu que o demônio tentasse joeirar a boa obra de Dom Vicente, igual ao trigo que, para ficar puro, tem de ser joeirado.  O sofrimento que os algozes de Dom Vicente lhe impingiram, serviu para que o terceiro Bispo de Crato se santificasse. E como “O tempo é o Senhor da razão”, hoje está sendo construída a maior avenida de Crato, a qual,  partindo do bairro Mirandão, e terminando no monumento de Nossa Senhora de Fátima, foi denominada oficialmente de Avenida Dom Vicente de Paulo Araújo Matos.

(*) Essas 2 fotos foram feitas pelo Prof. Paulo Tasso Teixeira Mendes, hoje residente em João Pessoa (PB).

Postado por Armando Lopes Rafael

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Lançamento do livro "Cidade dos meus sonhos", do Prof. João Pierre


O Prof. João Teófilo Pierre lançou neste dia 6 de fevereiro de 2020, o seu 22º livro, "A cidade dos meus sonhos". A solenidade ocorreu no Instituto Cultural do Cariri, e a apresentação foi feita pelo Prof. Armando Lopes Rafael. Confira abaixo a apresentação.


      Meses atrás, João Teófilo Pierre enviou-me e-mail, pedindo que eu escrevesse o prefácio deste seu livro “Cidade dos meus Sonhos”. Honrado pela escolha, fi-lo com alegria. Naquele prefácio – que vocês poderão ler a partir da página 17, do mencionado livro – escrevi apenas o ritual costumeiramente exigido para um prefácio: as explicações resumidas sobre conteúdo do livro; seus objetivos; além de comentários sobre a produção literária do autor.

    Agora, convocado a fazer – para esta seleta plateia – a apresentação da mesma obra, creio que devo acrescentar breves considerações adicionais sobre o Prof. João Pierre. Admiro nele a missão que se autoimpôs:  elevar e divulgar o nome de Crato, quando as oportunidades surgem. E isso não vem de agora. Há cerca de 50 anos, e para citar um único trabalho dele, à época Secretário Municipal de Cultura, João Pierre – remontando visões de passado e antevendo as do futuro – tornou realidade o Museu de Artes Vicente Leite, instituição que – até dez anos atrás – era o orgulho desta Cidade de Frei Carlos.  Portanto, o Prof, João Pierre aqui se apresenta portando experiências de vida, bem como   serviços prestados a esta comunidade.

       Relembro que João Teófilo Pierre é um homem viajado. O conhecimento de novas sociedades, com suas visões de vida, proporcionou-lhe vislumbrar novos horizontes para Crato. Ainda jovem, João Pierre foi enviado para estudar em Roma, a Cidade Eterna. Lá ele viveu alguns anos. Não conheço ninguém que tendo conhecido Roma não fique apaixonado, pelo resto da vida, por aquela cidade. 

          No entanto, foi outra a cidade que arrebatou o coração de João Pierre.  Sua paixão intensa (que perdura da juventude aos dias atuais), é por um pequeno centro urbano, localizado no interior do Ceará. Sim, este mesmo que os nossos primeiros professores nos ensinaram a exaltar como “A flor da terra do sol; o berço esplêndido dos guerreiros da "Tribo Cariri". Pois é esta mesma comunidade, também denominada de “Cratinho de Açúcar”, pelas pessoas simples das periferias e do supedâneo da Chapada do Araripe.  (Outro dia me adverti de que, nos meus tempos de criança, essa gente simples e boa, a que me referi, era chamada pela carinhosa expressão de “povinho”. Hoje, pela força da mídia, pouco confiável, diga-se de passagem, aquela expressão “povinho” foi transmudada para a grosseira palavra “povão”).

    João Pierre nos ensinou – já há algum tempo – várias lições de vida. Uma delas, a de que somos criadores da nossa própria história. Atraímos muita coisa para inserir na nossa própria vida. Se nos caminhos percorridos você encontra algo maravilhoso, ou se acha que à sua volta há muita coisa boa, será isso que você colherá nos seus dias de vida.

      Permitam-me ler um trechinho, bem pequeno, do livro: “Histórias para aquecer o coração”, de Jack Canfield, onde ele transcreve uma historinha contada por Willy McNamara”

“Um viajante, ao se aproximar de uma cidade grande, perguntou a uma mulher sentada à beira da estrada:
– Como são as pessoas nessa cidade?
(A mulher perguntou)
– Como são as pessoas no lugar de onde você vem?
– Uma gente horrível – respondeu o viajante. – Pessoas egoístas, em quem não se pode confiar, detestáveis sob todos os aspectos.
– Ah – disse a mulher –, você vai achar o mesmo tipo de gente por aqui.
O homem mal tinha se afastado quando outro viajante parou e fez à mulher a mesma pergunta, curioso sobre os habitantes da cidade.
Mais uma vez, a mulher quis saber como eram os habitantes da cidade de onde vinha o homem.
– Pessoas boas, honestas, trabalhadoras e compreensivas com os outros e com elas mesmas – respondeu o segundo viajante.
A sábia mulher retrucou:
– Pois é esse mesmo tipo de gente que você vai encontrar por aqui”.

(Até aqui palavras de Willy McNamara).

     Mas voltemos aos sentimentos nobres do Prof. João. Admira-nos como ele mantém um amor fiel a Crato. Talvez por ser a terra dos seus “primeiros alumbramentos”, utilizando essa expressão usada por Manuel Bandeira, para exaltar a cidade de Recife, cortada pelos rios, sob um céu líquido de azul.

   É tocante o amor que João Pierre tem pelo Crato. A palavra amor é velha; o sentimento, mais velho ainda. E embora desgastada pelo uso, e pela mentalidade coletiva dos tempos atuais, o amor é, no entanto, a palavra mais adequada para definirmos o sentimento que habita no coração de João Pierre, por tudo que ele faz pelo Crato.

   A exaltação de João Teófilo Pierre a nossa cidade é a temática recorrente de sua já vasta produção literária. Um amor também presente nos pronunciamentos que ele fez e continua fazendo, bem como nas suas ações mais corriqueiras. Ainda hoje, ele mantém sua casa na Rua Carolino Sucupira, onde gosta de sentir a alegria de abri-la, observa-la, e, em seguida, fechá-la, num ritual que sempre faz quando vem a Crato.

    Uma rotina como a marcar sua conduta de cidadão e do homem público que foi, quando exerceu os cargos de secretário municipal e vice-prefeito de Crato, nos anos da década 70. Corroborando ser verdade aquela frase da Bíblia – constante do Evangelho de Mateus – de que “A boca fala do que está cheio o coração.” 

   Esses bons e nobres sentimentos, tornaram-se uma característica marcante da personalidade de João Teófilo Pierre. E ele sabe repassar, com simplicidade e profundidade, tudo o que lhe vai no coração. 

    Ainda bem que João teve consciência e sensibilidade de saber que as boas palavras e os bons sentimentos não devem ser trancados dentro de si. Antes, devem ser regados para florir. E, depois de floridos, devem ser socializados com a comunidade, visando unicamente o bem desta. Sem buscar reconhecimento em troca; sem alimentar vaidades efêmeras, nem se preocupar em ouvir louvaminhas, as quais nem sempre são sinceras. João Teófilo Pierre ministra essa liturgia da cidadania, e isso lhe faz feliz.

     Continue assim, professor! Seu sermão silencioso tem observadores e, quiçá, terá seguidores neste seu sentimento afetivo e cívico por sua cidade. E para encerrar, faço minhas as palavras de Júlio Aukav, que caem como uma luva no agir do Prof. João Pierre:

“Seja idealista nos seus sonhos, continue buscando o que realmente lhe faz feliz. Tenha paz em sentimentos na plenitude que honre a razão. Seja luz numa estrada escura. Seja sol num dia sereno. Seja infinito no amanhecer de um dia especial. Tenha certeza de que são as paixões que movem o mundo e não os interesses materiais. Pois somente o amor ilumina um coração puro e idealista”.

        Honra ao mérito! Honra ao nobre professor João Teófilo Pierre.