segunda-feira, 17 de junho de 2013

Sousa e Nazarezinho sediam 1º Parahyba Cangaço

Pesquisadores e entusiastas do Cangaço de várias partes do Brasil se reúnem na cidade de Sousa para o ‘Parahyba Cangaço’




No último sábado, dia 15  aconteceu com sucesso na cidade de Sousa na Paraíba a abertura da Avant Premier do Cariri Cangaço 2013. No domingo dia 16, foi a vez de Nazarezinho.
Teve início na tarde de sábado(15) a abertura da  Avant Premier do ‘Parahyba Cangaço’ na cidade de Sousa. A abertura do evento ocorreu no auditório do Campus da Universidade Federal de Campina Grande local. Oportunidade em que diversos pesquisadores do cangaço e de outros temas ligados a temática sertaneja se fizeram presentes, dentre os quais do professor Wescley Rodrigues - anfitrião da iniciativa, César Nobrega, Manoel Severo(curador do Cariri cangaço no CE), Dr. e escritor  Bismarck, o Presidente da SBEC, professor Lemuel Rodrigues,  o representante da CCBNB Lenin Falcão, bem como o  fundador da SBEC-RN, Paulo Gastão, o cineasta Aderbal Nogueira(Fortaleza), Juliana Ischiara (Quixadá), Múcio Procópio(Mossoró), Narciso Dias(João Pessoa), Prof. Pereira(Cajazeiras), Sousa Neto(Barro), Cristina Couto(Lavras da Mangabeira), Ângelo Osmiro(pres. Gecc Fostaleza), Tomás Osterne(Fortaleza),  o pesquisador Jorge Remígio, João de Sousa Lima(Paulo Afonso-BA), professor José Cícero(Aurora), professor Alan Alves( Arraial do Cabo-PE), Professora Cláudia Maria e João Silva(Aurora), além de estudantes, professores sousenses, assim como representantes das universidades daquela região paraibana dentre outros.
Na abertura dos trabalhos o pesquisador Múcio Procópio falou sobre a palpitante história de Antonio Conselheiro e Canudos, enfatizando o aspecto da sua religiosidade. Em seguida, o professor Wescley Rodrigue discorreu acerca da construção histórica da figura do cangaceiro. Duas abordagens primorosos que prenderam do começo ao fim as atenções de todos os presentes. E que também forneceu muito combustível para o calor dos debates e discussões que se seguiram.
Na parte da noite, após o jantar, todos retornaram para a segunda rodada de apresentação que ficou a cargo de mais dois pesquisadores do Cariri Cangaço. Quer sejam: a  historiadora Juliana Ischiara e o documentarista Aderbal Nogueira. este último responsável pela produção do documentário "A Violência Institucionalizada na época do Cangaço" que uma vez exibido no auditório, fomentou o debate atinente a controversa atuação das volantes em seu histórico de combate  contra os cangaceiros lampiônicos.
As Explanações Temáticas:
O Professor Lemuel Rodrigues(presidente da Sbec) destacou a grande gama de pesquisadores na platéia, vindos de vários estados do país. Ressaltou ainda, sobre os vinte anos  de fundação daquela instituição de estudo a qual preside atualmente.   
Por sua vez, o estudioso Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço-CE fez questão de enfatizar o grande  papel desempenhado pelo referido acontecimento, ao dizer durante sua fala:"Estarmos escrevendo mais essa importante página dentro da história da pesquisa do tema cangaço; dessa vez inaugurando um novo fórum de debates, desta vez no sertão da Paraíba".
No domingo(16) todos os pesquisadores participaram do segundo dia de evento, na vizinha cidade de Nazarezinho-PB, onde ocorreram, além palestras, debates e visitações técnicas em vários locais históricos que marcaram o cangaço no lugar
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Redação do Blog de Aurora.
Fotos  J. Silva - Secult-Aurora.
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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Cariri: História e Cultura do povo...

Casa de Cultura é inaugurada na cidade de Barro

Da Redação:
Solenida de inauguração da Casda de Cultura André Rodrigues em Barro/CE
Presidente de honra da Fundação' Zerinho' fala durante o evento
Prefeito Neneca Tavares discursa no momento do ato inaugural
Mesa das autoridades: Momento da execução do hino oficial do município
Secretário de Cultura do município Sousa Neto no momento da sua fala
Dep. paraibano José Aldemir em discurso durante a abertura do evento
População no interior da casa de cultura visita exposição histórica
Cangaço: Grupo de arte faz apresentação na abertura da solenidade
Vigário da paróquial( pe. Arnaldo) realiza a benção da Casa de Cultura



Na última quarta-feira, 1º de maio - Dia internacaional do trabalho, aconteceu a solenidade de inauguração da 'casa de cultura' do município de Barro, cuja mesma recebeu a denominação de André Rodrigues - O primeiro morador da antiga vila.  Trata-se da Casa de Cultura André Rodrigues numa feliz parceria entre a prefeitura local e a fundação Zerinho.
Foi um momento alegre e festivo da mais alta afirmação para a sociedade barrense, onde se fizeram presentes várias autoridades locais e de outras regiões. Dentre as aquais, o prefeito municipal prof. Neneca Tavares juntamente com a 1ª dama, o deputado paraibano José Aldemir, o ex-prefeito de Cajazeiras e filho da terra Zerinho, o presidente da câmara Coringa, o secretário da cultura local Sousa Neto, os ex-prefeitos Dr. Marquinélio e Joaquim Alves. Bem como, a atual prefeita de Cajazeiras Denise Albuquerque, o pesquisador  do cangaço professor Francisco Pereira, o historiador e radialista paraibano Chagas Amaro,  o secretário de cultura de Aurora professor José Cícero, além de vereadores,   secretários, municipais,  demais autoridades e a população local.
A programação foi iniciada com a apresentação de duas bandas de músicas(uma das quais da cidade de Sousa-PB), seguida da benção religiosa feita pelo vigário do município padre Arnaldo Pereira. Após os discursos, ocorreu o corte da fita inaugural, quando o espaço foi aberto para à população e demais convidados. 

Dado todo o zelo e o capricho verificado com o material artístico e histórico contido no acervo daquele importante instrumento sociocultural - todos os que puderam verificar de perto a riqueza história, tanto material quanto imaterial da casa de cultura do Barro, ficaram literalmente extasiados diante do belíssimo material, agora disponível para à população. Fruto de um intenso trabalho do secretário Sousa Neto e sua equipe, assim como do prefeito Neneca com o decisivo apoio da fundação Zerinho. 
Algo que muito dignifica a bela história do Barro e da região como um todo. Vale a pena conferir de perto todo o acervo disponível na casa de cultura André Rodrigues - Um grande resgate historiográfico, todo ele configurado num ato importante de puro esforço de preservação da memória, em favor da municipalidade barrense e também do Cariri.
Logo após as visitações, um jantar foi oferecido aos convidados, tendo como local o salão paroquial. Cumpre destacar também que, na mesma ocasião, a gestão municipal entregou à população as novas dependências(sede) do CRAS.
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Da Redação do Blog de Aurora
Fotos: João Silva e Blog da Secult
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Um comentário:

Vanilda disse...
Parabéns a todos que fazem este belo trabalho. Tão importante quanto a nossa cidade é também entender sua origem, conhecer um pouco ou por que não toda sua história?
Um bom trabalho, sucesso e muita luz em seus caminhos.
Gosto muito da cidade de Barro-Ceará
Vanilda SP.(aurorense)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

FAMÍLIA DA COSTA SIEBRA, DOS PATOS/MALHADA - PONTA DA SERRA - CRATO -CE

FAMÍLIA DA COSTA SIEBRA, DOS PATOS/MALHADA - PONTA DA SERRA - CRATO -CE


Tronco: Major Francisco da Costa Siebra e Dona Joaquina Rosa de Jesus.Moradores no sítio Patos, hoje  área do Distrito de Ponta da Serra, em Crato – CE, e era dono de várias propriedades de terras nesta região, tendo ele falecido em 04 de setembro de 1902.
De acordo com o Inventário do major Francisco da Costa Siebra, que teve por inventariante a viúva, Dona Joaquina Roza de Jesus, datado de 1902 (Caixa 37  Pasta 563 – Centro de Documentação do Cariri – CEDOCC - URCA) e pelos livros eclesiásticos sob a guarda, do Departamento Histórico Diocesano Padre Gomes, FRANCISCO E DONA JOAQUINA ROZA , que, aproximadamente, em 1876, eram os pais de
1º) -  ( Antonio da Costa Siebra), nascido aproximadamente em 1877 , casado duas vezes. Do primeiro, c/ Emília Bezerra de Menezes, pais de Chiquinho Siebra, pai de Grosso. do segundo c/ Lydia Carvalho de Holanda;


2º) –)  José da Costa Siebra (Zé da Costa), nascido aproximadamente em , 1878, c.c.Raimunda Alves da Costa , são seus filhos: Antonio, pai de Marconi, e outros;

 3º) –   Joaquim da Costa Siebra , nascido aproximadamente em 1881  ,casado duas vezes; do primeiro casamento com Ana Bezerra da Costa, pais de: Raimundo, Audísio, e Francisco. Do segundo, c/ Altina de Loyola de Sampaio:Divane, Arlindo, José, José Tarcísio, José Tércio, Ana Maria, José Noberto e Altina Maria.

4º) – Maria Luiza Siebra, nascida aproximadamente em 1887,c.c. Simião, são os pais de Eulina de Assis de Brito;

5º) – Maria Joaquina, idade de 14 anos, nascido aproximadamente em1888, c.c. Joaquim Alves de Brito - Duquinco de Brito.


6º) –João da Costa Siebra, nascido aproximadamente em 1892,  c.c. Idalina da Costa Siebra em 1909, c/ 16 anos, são os pais de: Aluízio (1917), Nilton, Luzanira, Francisca, Juarez;

7º) – Fideralina, idade de 9  anos, nascido aproximadamente em, 1893, casada com Pedro Alves de Brito ;
8º) – Julia, idade  de 7 anos,
6- Júlia da Costa Siebra, nascida  aproximadamente em , 1895 c.c. Joaquim de Costinha. Foram proprietário e moradores no sítio Altos no século XX, pais de: Siebrinha, Edite, Taís, Quinô;


9º) – Lavínia, nascida,  aproximadamente em, 1899, c.c. Antonio Morais de Brito ;


ÁRVORE EM CONSTRUÇÃO. 


INVENTÁTIO DO MAJOR FRANCISCO DA COSTA SIEBRA – 1902, DO SÍTIO PATOS/MALHADA, EM PONTA DA SERRA – CRATO –CE.

domingo, 15 de abril de 2012

A Carroça de Mamulengos - Emerson Monteiro

Um clã organizado que viaja o Brasil produzindo arte popular através de espetáculos circenses, eis o retrato resumido dessa trupe de artistas formada de irmãos da mesma família para festas de intensa alegria, músicas e cores, mostradas em praça pública, revivendo no palco das ruas e praças do Cariri as boas noites do que oferece silenciosa felicidade, aos olhos brilhantes de crianças atenciosas ao novo que recebem.

O prenúncio desse grupo de artistas remonta 1975, em Brasília, quando seu idealizador, Carlos Gomide, trabalhava de junto do diretor de teatro Humberto Pedrancini, em outro grupo chamado Carroça. Ano seguinte e conheceria o espetáculo Festança no reino da mata verde, do Mamulengo Só Riso, assim reforçando o gosto pelo teatro de bonecos.

Em 1978, Carlos conheceu Antônio Alves Pequeno (Antônio do Babau), mestre brincante paraibano da cidade de Mari, buscando-o em 1979 para desenvolver o aprendizado nos espetáculos dos bonecos. Um ano e meio de convivência seria o suficiente para o discípulo estruturar o conjunto de bonecos da mesma brincadeira e receber permissão do mestre para levar adiante a tradição milenar em viagens pelo País, isto que vem informado no site do grupo na Internet.

Em 1982, ainda no Distrito Federal, se incorporou ao elenco das peças a teatróloga Schirley França, futura esposa de Carlos Gomide, de cuja relação nasceriam os oitos filhos do casal que compõem a base atual da caravana artística que nos visita: Maria, Antonio, Francisco, João, Pedro, Mateus, Luzia e Isabel.

Na melhor qualidade desses espetáculos, em turnê patrocinada dentre outros pela Petrobras, a Carroça de Mamulengos alimenta o encanto da arte espontânea dos terreiros, feiras e festivais, essência natural das manifestações coletivas de cunho popular, o que traduze em termos presentes os primórdios da Grécia mais antiga, naquilo que chamaram ditirambo, fonte arcaica do teatro moderno e do cinema industrial.

Desta maneira, revivem sonhos e vivências comunitárias em ações plenas de música, dança, jogos, diversões, folguedos, confraternização, força pulsante dos universos da beleza inesperada, isso diante da tecnologia artificiosa destes dias massificados da artificialidade vendida aos borbotões nos vídeos distanciados da gente.

Nossos votos de boas vindas e sucesso à Cia. Carroça de Mamulengos nas cidades do Cariri que desfrutam a luminosidade dos instantes mágicos que traz ao povo.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

PEÇA DE TEATRO DEFENDE O SÍTIO FUNDÃO

A CIA. CEARENSE DE TEATRO BRINCANTE (Crato-CE) reapresenta seu mais novo sucesso de público. Um grande espetáculo que resgata e valoriza a cultura popular e a mitologia sertanejo-universal numa aventura em que se defende a preservação da natureza.



"A DONZELA E O CANGACEIRO"
Texto e Direção de Cacá Araújo 
Música de Lifanco

Março
17 (sab), 18 (dom) - Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)
20 (ter) - Centro Cultural banco do Nordeste (Juazeiro do Norte-CE)
23 (sex) - Teatro do SESC (Juazeiro do Norte-CE)
24 (sab), 25 (dom) - Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)
31 (sab) - Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)

Abril
1º (dom) - Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)

Sinopse:

A ambição desmedida do homem rico, a ganância cruel do norte-americano e a trama infernal vinda das trevas ameaçam o Sítio Fundão, importante reserva ecológica brasileira. As forças do mal, lideradas pelo Bode-Preto, entram em disputa ferrenha pelo domínio da área, mas são enfrentadas pela legião do bem, liderada pela Caipora, deusa protetora da natureza. Somente o amor pode salvar o sítio da destruição total. Um enigma, proferido pela esfinge de Seu Jefrésso, contém o segredo capaz de restabelecer a paz e a harmonia. Donzela Flor, símbolo de pureza, precisa ser desencantada. O cangaceiro Edimundo Virgulino, valente e destemido, luta com bravura para salvar o sítio e conquistar o coração da donzela.


Proposta do espetáculo:

Ao abordar a ecologia e o meio ambiente a partir de motivo factual doméstico, neste caso a luta pela preservação do Sítio Fundão, importante reserva ecológica na zona urbana na cidade do Crato-CE ameaçada de extinção, o espetáculo amplia o foco ao propor uma leitura da gana imperialista capitaneada pelos USurpAdores das riquezas alheias. Envereda também pelo universo histórico e mítico do homem nordestino e universal, revisitando o cangaço e o mito da Caipora numa história fantástica, mas embrenhada “na” e “de” realidade.

A Donzela e o Cangaceiro é um projeto cênico que dá prosseguimento à determinação do autor em buscar a afirmação de uma dramaturgia nordestina alinhada ao resgate e à difusão da cultura tradicional popular, fundada na expressão do imaginário do povo, nas lendas, nos mitos, nos causos, nas aventuras, nos romances, na história, nos mistérios que habitam a alma afoita e brincante do sertanejo, cujo sangue saltitante se perpetua no riso e na dor, na graça e no sofrimento, na desventura e na esperança.


Elenco:
Personagem/Ator (em ordem de entrada)

Mateus – Cacá Araújo
Catirina – Françoi Fernandes
Pafúncio Pedregôso – Franciolli Luciano
Cafuçú – Paulo Henrique Macêdo
Feiticeira Catrevage – Jonyzia Fernandes
Vicença – Raquel Silva / Rosa Waleska Nobre
Dona Colombina – Rosa Waleska Nobre / Samara Neres
Donzela Flor – Charline Moura
Caipora – Orleyna Moura
Troncho Sam – Márcio Silvestre
Edimundo Virgulino – Jardas Araújo
Bode-Preto – Joênio Alves
Seu Jefrésso – Paulo Fernandes

Técnicos:

Texto e Direção – Cacá Araújo
Assistência de Direção – Orleyna Moura
Música – Lifanco
Sonoplastia – Cacá Araújo e Lifanco
Figurino e Maquiagem – Joênio Alves
Cenografia e Iluminação – Cacá Araújo
Cenotécnica – França Soares, Saymon Luna e Mestre Galdino
Aderecistas – Willyan Teles, Marlon Torres e Cristiano de Oliveira
Criação e execução de efeitos sonoros – Lifanco e os atores
Instrumentalização e efeitos – Lifanco e os atores
Operação de Luz – Laumiro Pereira
Operação de Som – Babi Nobre
Confecção de figurino – Ariane Morais
Guarda-Roupa – Luciana Ferreira
Cinegrafia – Antonio Wideny (Toyota)
Fotografia – Gessy Maia e Mônica Batista

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Versos e cantorias - Emerson Monteiro

Este final de semana, de 10 a 12 de março de 2012, corresponde à realização, em Crato, do Seminário do Verso Popular em sua terceira edição, que, desta vez, corresponde aos 21 anos de existência da Academia dos Cordelistas do Crato, e consta do programa exposições, painéis, palestras, conferências, homenagens, oficinas de xilogravura e cordéis, minicursos, feiras, mesas redondas, apresentações de trabalhos científicos, sessões de vídeos, recitais, lançamentos de cordéis, posse de novos acadêmicos, apresentações de humor e música regional, numa festa da cultura popular nordestina digna dos melhores encômios.

A coerência cultural com que se criou, no tempo certo de duas décadas passadas, a Academia dos Cordelistas do Crato ora resulta no patrimônio universal dessa literatura, circunscrevendo o âmbito das manifestações artísticas do mundo inteiro qual mérito de registro necessário.

O Nordeste brasileiro preserva suas origens medievais como nenhum outro território deste mundo, enquanto a fundação dessa instituição do verso popular aqui reúne valores exponenciais em grupo de riqueza ímpar. Autores talentosos, de oficina própria e edições que já remontam a casa dos dois milhares, atualizadas fontes da leveza das rimas e do gênero, a fonte primeira da grande literatura em juventude perene.

De particular, noticio, pois, fortes sentimentos da satisfação experimentada nestes momentos do Seminário de Verso Popular do corrente ano. Houve blocos distintos na sede da Academia, no Largo da RFFSA e no SESC - Crato. Ocorreu, concomitante, a distribuição de obras editadas pelo Projeto Livro de Graça na Praça, idealização exitosa do mineiro José Mauro da Costa, pioneiro dessa função de expandir o livro ao povo nos quatro cantos do País, também um dos conferencistas do evento, no domingo à noite. E no sábado à cantoria dos jovens expoentes da atual cantoria, Ismael Pereira e Jonas Bezerra, testemunhas autênticas do menestrel sertanejo, provas inconteste da sapiência humana por meio dessa expressão natural do verso violado.

No decorrer das manifestações, as presenças de Josenir Lacerda, Tranquilino Ripuxado, João do Crato, Mana do Romualdo, Dalinha Catunda, Pedro Costa, Eugênio Dantas, João Nicodemos, Miguel Teles, Abidoral Jamacaru, Jorge Carvalho, Pedro Bandeira, Bastinha, Poeta Nascimento, Maércio Lopes, Ginevaldo, Pedro Ernesto, Luciano Carneiro, Arievaldo, Gildemar, Willian Brito, Anilda Figueiredo, Wiliana, Carlos Henrique, Sandra Alvino, Chico Pedrosa, Maria do Rosário, Higino, Moreira de Acopiara, Ulisses Germano, Seu Zezé, Alexandre Lucas,Vicente, Vandinho Pereira, Aldemá de Morais, Zé Joel, Raul Poeta, Nizete, Manuel Patrício, dentre outros da intelectualidade caririense, razões do sucesso das ações desenvolvidas. Para formar juízo claro da importância do acontecimento, veio dele participar o autor Gonçalo Ferreira da Silva, atual Presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Fideralina Augusto Lima - Emerson Monteiro

Eu nasci 30 anos depois que ela desapareceu, e no mesmo pouso de onde comandara o seu clã, o Sítio Tatu, em Lavras. Desde cedo ouvi falar em minha trisavó, Fideralina Augusto Lima, avó de meu avô Amâncio e de minha avó Lídia, primos e naturais do tronco familiar.

Ela nascera na Vila de São Vicente Ferrer das Lavras, no dia 24 de agosto de 1832, filha de Isabel Rita de São José e do Major João Carlos Augusto.Pelo lado materno, era bisneta de Francisco Xavier Ângelo, Capitão-Mor e Comandante-Geral da Vila de São Vicente Ferrer das Lavras. Filha mais velha dentre onze irmãos, casara com o Major Ildefonso Correia Lima, Capitão da 1.ª Companhia do Batalhão n.º 28 e Major Fiscal da Guarda Nacional de Lavras. O casal teve 12 filhos. Proprietária rural em Lavras, possuía também prédios residenciais na sede da Vila e em Fortaleza, gado e negros que lhe serviam como escravos.

Viúva ainda cedo, sozinha educaria os filhos através de rígido sistema, nos moldes da época. Gostava dos trabalhos de fiar e rendar varandas de rede, nas horas quando livre das fainas rurais. Era católica, dedicada ao Ofício de Nossa Senhora. Construíra no Tatu uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição.

Fideralina participou ativamente da vida política do Ceará, elevando alguns de seus filhos a postos importantes, no município de Lavras e no Estado. Dentre esses, Gustavo Augusto Lima, o meu bisavô, chegaria à Presidência da Assembleia Legislativa, cargo que desempenhava quando foi assassinado, no ano de 1923, na Praça do Ferreira, em Fortaleza, por conta de retaliação a morte ocorrida em luta da qual participaram membros da família no ano anterior.

Vítima de febre, Fideralina Augusto Lima faleceria no dia 16 de janeiro de 1919, no Sítio Tatu, em Lavras da Mangabeira CE.

Vistas as ações austeras e intempestivas que empreendera, deixou na história a legenda de matriarca carrancista que as tradições familiares e dos conterrâneos insistem preservar, herança rude dos tempos áridos que cruzou com dignidade, ora inspiração a livros e poemas consagrados pelo Sertão nordestino.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

PARQUE ESTADUAL DO SÍTIO FUNDÃO CONTINUA ABANDONADO

MENTIRA OU VERDADE?!

DISSE O GOVERNADOR: “EU NÃO SABIA QUE A RESERVA ECOLÓGICA DO SÍTIO FUNDÃO ESTAVA ASSIM... ABANDONADA!”


Por Ed. Alencar


Foto feita em 11 de setembro de 2011. Atualmente quase nada existe.


No dia 22 de dezembro de 2011, quando chegou a cidade do Crato para receber o titulo de cidadão cratense e inaugurar as praças reformadas para o Natal, o governador foi surpreendido com a única manifestação pacífica e silenciosa na cidade. Quando ocupou o palanque da Praça Siqueira Campos, viu surgir em meio à multidão uma faixa, apresentada pelos representantes da família do ecologista Jeferson  da Franca Alencar, que lhe cobravam explicações sobre o abandono da reserva. Em seguida, foi entregue em suas mãos documentos que comprovam, através de textos e fotos, as destruição e vandalismo dentro do Parque, em especial a degradação do velho engenho de pau secular, única relíquia da região. 

Ao folhear os documentos, enquanto falavam os oradores, o governador Cid chamou até o palanque o ex-presidente do CONPAM André Barreto, articulador da compra da reserva, encarregando-o ali de uma missão como seu porta-voz para um levantamento dos problemas do Parque.

Ao término da solenidade, o  governador concedeu entrevista  à imprensa,  dizendo  não  saber  do que estava acontecendo com a reserva . Enfatizou: fiquei sabendo agora, através da faixa e dos documentos que recebi. Concluiu: não quero ser DESMORALIZADO com o que assumi no Crato, assinando uma ordem de serviço perante autoridades e a sociedade. Pedi ao André Barreto que fizesse um relatório dos problemas que o parque está passando. Perguntado por que ele ainda não havia visitado o parque que ele criou, respondeu que já havia visitado a reserva por duas vezes. MENTIRA OU VERDADE?! Pois até hoje não consta nenhum registro de sua visita ao Parque.

Após 30 dias dessas promessas, nesta 2ª feira 30 de janeiro, o governador Cid Gomes e André Barreto se encontraram em Juazeiro do Norte, para o “VEREDICTO” do relatório apresentado, o que deverá ser anunciado em breve.
     
Enquanto isso o velho engenho, desprotegido das chuvas e do sol, voltou a RUIR. Parte de sua estrutura, desprendeu-se com as últimas chuvas da semana que passou. Lamentavelmente, é uma vergonha o descaso do governo com aquela história secular, que se destrói por falta de uma lona de plástico.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Os povoadores Efetivos do Cariri na visão do Padre Antonio Gomes - Antonio Correia Lima – TOINHO (*)



Na qualidade  de historiador e pesquisador da área de genealogia, em especial, das famílias que deram origem à região do Cariri, não posso deixar de ressaltar a minha admiração pelo excelente trabalho do Padre Antonio Gomes.
Vendo    A CIDADE DE FREI CARLOS ( 1971) no subtítulo “MITO DA DESCENDÊNCIA”  ( da p. 104 a 112) que o nobre pesquisador diz que  “de 1703 a 1800 aproximadamente  70 pessoas requereram e obtiveram , em datas e sesmarias, terras no Vale do Cariri”. Mas que na verdade essas pessoas “não se fixaram  e radicaram em seus sesmos. Neles não constituíram  família nem pessoalmente  valorizaram a terra”. 
Que esses  sesmeiros “ agiram à distância, de seus domínios longínquos. Alguns por meio de prepostos temporários. Todos venderam suas terras sesmeiras a retalho, a prepostos, a rendeiros, a colonos espontâneos que iam  chegando ao vale. Estas categorias de compradores  é  que foram os povoadores efetivos do vale. Que  Vale do Cariri os que, de 1714 a 1725, requereram  e obtiveram terras residiam nos vales do Jaguaribe  , do São Francisco e nas Alagoas”.
 Nesse sentido, Padre Gomes  ressalta apenas uma exceção, que é o caso da família Alencar, que descende de Leonel de Alencar Rego que era genro do sesmeiro Antonio de Sousa Gulart, que em 1718 já estava fixado no Salamanca ( hoje Barbalha).
Finaliza dizendo que “em verdade, não descendemos  dos sesmeiros oitocentistas, e, sim, dos que lhes adquiriram  as terras sesmeiras – os povoadores efetivos do Cariri.
Vedo a relação de nomes que o Padre Gomes diz serem os verdadeiros povoadores do Cariri,(  os detentores de patentes )fico a pensar onde entram  na história aquelas famílias simples que foram os  verdadeiros desbravadores da nossa região.
Padre Gomes fez a sua parte, agora farei a minha, dando continuidade na descoberta dos descendentes dos nomes citados abaixo, como também,  dos que foram deixado de lado  no árduo trabalho do sacerdote, afinal de contas, quem povoou a região não foram apenas os coronéis.
Vejamos a relação dos principais patriarcas do Cariri, segundo Padre Gomes fundamentada em vasta documentação da época.
Alexandre Correia  Arnaud(Capitão); Antonio da Cruz Neves (Tenente); Antonio Gonçalves Dantas (Capitão),; Antonio José Batista e Melo (Tenente  - coronel); Antonio Lopes de Andrade (Coronel); Antonio Macedo Pimentel. Antonio Manuel de Jesus (Capitão); Antonio Moreira  dos Santos (Capitão); Antonio Pereira  Gonçalves Martins Parente; Antonio Pereira de Brito(Capitão),; Antonio Pinheiro Lôbo, (Capitão), situado no Vale  em 1734; Arnaud de Holanda Correia (Sargento – mor  ) Bartolomeu Martins de Morais (Capitão); Caetano  Gonçalves de Souza(Alferes; Coronel Luiz Furtado Leite e Almeida (Tenente); Domingos Álvares  de Maros (Capitão – mor  ); Domingos Gonçalves Sobreira (Capitão), Domingos Paes Landim (Capitão); Francisco  Xavier  das Chagas (Capitão); Francisco de Magalhães  Barreto e Sá  (Capitão), sediado no   Cariri em 1744; Francisco Ferreira da Silva, (Capitão),  sediado no  vale  em 1736; Francisco Gomes de Melo (Capitão); Francisco Pinto da Crus (Capitão); Francisco Roberto de Menezes (Sargento – mor  ); Gonçalo Coelho de Sampaio (Alferes), sediado no Vale em 1748; Gonçalo de Oliveira Rocha (Tenente); Gregório Pereira Pinto (Tenente);  Inácio de Figueiredo Arnor, (Capitão),  sediado no Vale em 1735; João Correia Arnaud (Capitão); João Fernandes de Morais (Alferes); João Gomes Leitão(Capitão); João Machado Jorge; José  de Sá Souto Maior (Capitão),, situado no vale em 1744; José Dávila de Figueiredo (Capitão); José de Caldas  Costa; José de Oliveira Rocha ( Tenente); José dos Montes e Silva (Ajudante), situado no Vale  em 1739;  José Paes Landim ,(Capitão),, sediado no Vale em  1731; José Pereira Mascarenhas (Capitão); José Quesado Filgueiras Lima (Tenente);  Luiz da Rocha Pita (Capitão); Manuel Cardoso Viana (Capitão); Manuel de São João Madeira (Doutor); Manuel Gonçalves Parente; Manuel Prudente  do Espírito Santo (Tenente);  Silvestre Ribeiro da Silva (Capitão); Simão  Cabral de Melo(Alferes), fixado no Vale  em 1743.
Antonio Correia LIMA – TOINHO é graduado em História pela Universidade Regional  do Cariri – URCA- 2008, e se dedico ao estudo genealógico da Região do Cariri. É editor  Blog  ALGUMAS FAMÍLIAS CARIRIENSES.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Lavras da Mangabeira conta sua história - Emerson Monteiro


Numa iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura, Esportes e Turismo, a Prefeitura de Lavras da Mangabeira iniciou, sábado, 20 de agosto de 2011, os trabalhos que visam aprofundar estudos relativos ao conhecimento da rica história daquele município.

Comuna das mais antigas do Ceará, elevada a vila em 20 de maio de 1816, Lavras detém um passado de expressivos acontecimentos, desde quando chegara o seu fundador, capitão-mor Xavier Ângelo, procedente da Paraíba do Norte, aos feitos legendários da matriarca Fideralina Augusto Lima, das primeiras mulheres que assinalaram a vida brasileira nos primórdios da colonização do interior, pela fibra de coragem e liderança altiva diante das agruras do semiárido nordestino.

Visando, pois, a preservação desses valores históricos que definem as origens de famílias e instituições, nas formações locais, a prefeita Edenilda Lopes de Oliveira Sousa (Dena) e Miriam Linhares de Sá e Sousa (Manta), secretária de Cultura do município, organizaram mesa redonda composta por membros da comunidade, autoridades e titulares da Academia Lavrense de Letras, visando debater fatos históricos que definem a estruturação de um futuro seminário sob o tema História de Lavras da Mangabeira – Valores, Cultura e Artes da Cidade, do Município e Região.

Ao término dos estudos, será elaborado vasto documento que consolidará os feitos dos povos do lugar considerados os pontos de vista religiosos, econômicos, políticos, educacionais, científicos e turísticos.

Esse primeiro evento ocorreu nas dependências da Escola Estadual de Educação Profissional Professor Gustavo Augusto Lima (ex-Colégio Agrícola de Lavras da Mangabeira), em solene reunião presidida pela professora Fátima Lemos, da Academia Lavrense, com a presença da chefe do Executivo, professora Edenilda Lopes, do deputado estadual Danniel Oliveira, educadores, representantes do Legislativo, autoridades civis e religiosas, profissionais liberais e de um bom público, os quais prestigiaram a realização.

Ao empreender essas pesquisas, os lavrenses demonstram sentimento cívico e exemplo pedagógico, aprimorando meios de desenvolver e educar as novas gerações numa louvável providência.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Crônicas cangaceiras - Emerson Monteiro


Em dias recentes, com satisfação recebi o livro Cariri: cangaço, coiteiros e adjacências, de Napoleão Tavares Neves, publicado pela Thesaurus Editora, de Brasília DF, em 2010. Sob o ordenamento das memórias recolhidas de suas observações e escutas, Dr. Napoleão descreve as presenças do cangaço na região do Cariri cearense e entorno através de crônicas bem narradas, fotografias primorosas de um passado que ainda perdura no seio desta humanidade, inclusive nos interiores sertanejos.

Capítulo a capítulo, vemos desfilar episódios marcantes que nutriram as histórias repassadas dos ancestrais da primeira metade do século XX, nas salas, varadas e bagaceiras de sítios e engenhos, dotes imorredores daquilo que praticaram coronéis, polícias e cangaceiros, desfilar de casos que apavoraram o imaginário social antes de chegar o tão propalado desenvolvimento da indústria moderna.

Enquanto escorrem das letras filmes desse acervo de rifles e punhais dos tempos em sobressalto, nas maldades dos Marcelinos, de Sabino, Antônio Silvino, Lampião, cenas horripilantes de crimes impunes dos dois lados do feudalismo em decadência, transcorria também a história do mesmo homem e das dimensões trágicas que carrega consigo na busca da perfeição.

Quando criança, ouvia, na escola, apenas o lado romântico das vitórias, nos acontecimentos históricos. Esse aspecto escabroso de cores amargas pouco aparecia na movimentação das tropas e dos confrontos. Achava até que o pior restava só na memória. No entanto ainda se anda longe dos dias de paz plena.

As versões escutadas pelo autor barbalhense, ora transmitidas através dessa obra literária que leio, atende às necessidades do conhecimento de assuntos ocorridos aqui por perto, lugares conhecido no desfilar dos calendários. As marcas cruéis da violência campeavam nas quebradas das serras, no meio dos marmeleiros das campinas esturricadas, nos brejos. Tiros, incêndios, cavalgadas, talhes de facões, medo, destruição, em época de ninguém obedecer aos ditames da Lei nas ações, fosse qual banda fosse que a executasse, casos típico dos fuzilados do Leitão, nos arredores de Barbalha, e do fogo das Guaribas, em Brejo Santo, para executar Chico Chicote.

Esse tropel de cenas guardadas pelo escritor transmite com maestria o panorama daquela fase rude que parece não ter fim diante das injustiças que pouco mudaram nos dias de hoje. A diferença mais forte, porém, é que as histórias tristes deixaram de ocupar as conversas noturnas das varandas brejeiras de sítios e fazendas, e repontam frescas na guerra aberta de extermínio a plena luz do dia nos programas televisivos dos horários de almoço da atualidade cangaceira.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Reedições de livros caririenses - Emerson Monteiro


Neste primeiro semestre de 2011, foram reeditadas pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, em parceria com as Universidades Federal do Ceará e Regional do Cariri, algumas das obras do escritor cearense J. de Figueiredo Filho, emérito historiador que viveu em Crato e desenvolveu atividades intelectuais de larga repercussão pelo País inteiro, sendo um dos fundadores do Instituto Cultural do Cariri ao qual pertenço.

Avô de dois dos meus amigos, Tiago e Flamínio Araripe, conheci o Prof. Figueiredo Filho quando ele proferira notável discurso por ocasião da vinda a Crato, em 21 de junho de 1964, do Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, no Dia do Município cratense. Ao pleno sol quente das 11h no céu aberto da Praça da Sé, Figueiredo falou a imensa plateia e palanque lotado de autoridades, durante meia hora, repassando os detalhes da epopeia do Cariri. Senhor do assunto e respeitável pesquisador das nossas origens libertárias cumpriu a valer seu ofício. Isto numa fase em que o Brasil afundava nos porões da ditadura que permaneceria no poder mais de duas décadas, com sérios danos às liberdades civis e aos direitos humanos, preço pago das modernizações econômicas que varia o mundo naquele tempo para instalar a globalização dos dias atuais.

Depois, já pelos idos da década de 70, frequentei a sede do ICC, na Rua Miguel Limaverde, instalada na sala principal da residência do historiador, com quem conversava boas horas e de quem adquiri o gosto pelos estudos caririenses bem a seu modo e dedicação.

Agora recebemos sete dos seus livros, reeditados em momento oportuno, para as novas gerações, através das Edições UFC, série Memória, da Coleção Nossa Cultura. Engenhos de Rapadura do Cariri, Folguedos Infantis do Cariri, os quatro volumes de História do Cariri e Cidade do Crato (este com Irineu Pinheiro) ganharam outra publicação como parte de dez títulos que enfocam a história e os costumes do Cariri.

Além desses, também mereceram novas edições Efemérides do Cariri e O Cariri, seu descobrimento, povoamento, costumes, de Irineu Pinheiro, e Juazeiro do Padre Cícero, de Floro Bartolomeu da Costa.

São trabalhos emblemáticos da civilização caririense, motivos autênticos da preservação de nossas tradições e valores, os quais, ao lado de outros ainda adormecidos, demonstram a profundidade que caracteriza a alma desta gente que iniciaria com sucesso a colonização cearense, primeiro aqui estabelecida e só então desenvolvida junto do litoral.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O parque de exposições de Crato - Emerson Monteiro

Por mais que a gente não queira, se envolve nesses assuntos de governo, quando a população, nas urnas, permitiu aos administradores públicos cuidarem da sorte do povo do jeito que lhes aprouver. Ainda assim, coça por dentro uma vontade de falar qualquer palavra de cidadão no quadro que se estabeleceu.

É que se formou uma espécie de cabo de guerra entre os gestores do Município cratense e o Executivo estadual quanto ao jeito certo de resolver, daqui para adiante, onde funcionará o Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti.

O tema esquentou mais durante o evento deste ano de 2011, pois cada vez o local fica menor para tanto movimento. A cidade passa por crise de, no mínimo, dez dias diferentes, com carros de todo canto do Brasil a encherem as vias do centro e dos bairros, sem lugar de circular, de estacionar, etc. A selvageria das alturas do som na área dos shows, que ninguém consegue diminuir, nem tem a quem reclamar, judiando, prejudicando a paz, ensurdecendo gerações e gerações, além de incomodar sobremaneira os bichos expostos lá em cima, transtornando as imediações e intranqüilizados as famílias que moram perto.

Bom, segundo aqueles com quem converso, pode haver mais disciplina, inclusive no que diz respeito aos estandes trazidos, aos segmentos e à seleção, talvez controle impossível nesses tempos de mercantilização e dinheiro, a interessar os organizadores da festa tradicional de 60 anos.

Outros pretendem que modernizar o parque no ponto ora existente resolve, que possui área de expansão no sentido Canfundó. Enquanto que o Governo oferece o projeto pronto de deslocar as atividades para o Sítio Palmeiral, nas bandas dos brejos, entorno da Avenida do Contorno.

Em resumo, a querela estabelecida virou domínio público. Impasses, impasses, e nenhum entendimento que pacifique e inicie as construções futuras. Até falam em possível consulta popular através de um plebiscito.

No entanto, prezadas autoridades, há de existir dose suficiente de sensatez nos juízos dos gestores para equilibrar a balança, porquanto é hora de providenciar soluções urgentes, invés de esperar outro ano de contradições para avançar alternativas sem que nada aconteça até a nova edição do apreciado acontecimento, afinal em suas mãos depositamos a nossa confiança.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O centenário de Juazeiro do Norte - Emerson Monteiro


Neste ano de 2011, o dia 22 de julho assinala 100 anos desde que Juazeiro mereceu sua autonomia municipal através da Lei n.º 1.028, quando recebeu a toponímia de Joaseiro, em homenagem à árvore típica da vegetação do semi-árido, sempre verde inclusive nas épocas mais tórridas.

Suas origens remontam ao vilarejo de Tabuleiro Grande, formado nas terras que pertenceram à sesmaria concedida no ano de 1703 ao capitão-mor Manuel Rodrigues Ariosa, de origem norterriograndense, depois havidas por famílias iniciais advindas de Sergipe, até chegar no brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro e no neto, o sacerdote católico Pedro Ribeiro da Silva Monteiro. As terras se estendiam do município do Crato às cercanias da Serra de São Pedro. Nessa área da grande propriedade, no decorrer da década de 1820, o Padre Pedro Ribeiro edificaria casa grande, de taipa e telha, engenho, aviamento, senzala e capela.

Para a construção da capela dedicada à Nossa Senhora das Dores, o sacerdote e seu futuro capelão reuniria também esforços dos familiares, nela sendo celebrada missa no dia 15 de setembro de 1827 alusiva ao lançamento da pedra fundamental do templo.

Em 09 de setembro de 1833, quando Padre Pedro Ribeiro deixaria este mundo, a futura povoação juazeirense começava a despontar no crescimento. Somava duas ruas, a Rua Grande, hoje Padre Cícero, e a Rua dos Brejos, em traçado perpendicular; a capela, uma escola e 32 prédios com tetos apenas de palha.

Ordenado em 1870, no dia 11 de abril de 1872, o Padre Cícero Romão Batista fixaria residência no pequeno arruado. Afeito aos anseios das populações simples, desempenharia funções apostólicas voltadas ao conforto das almas sertanejas, cumprindo nisso a missão religiosa católica. Tempos depois, em 06 de março de 1889, dar-se-ia o fenômeno da hóstia transformada em sangue, na ocasião de ministrar a comunhão à Beata Maria de Araújo. A propagação do acontecimento pelos interiores nordestinos intensificaria o deslocamento de milhares de pessoas ao lugarejo, que ganharia impulso surpreendente e definitivo no desenvolvimento.

Já em dias do século XX, a 16 de agosto de 1907, circulara um boletim conclamando os cidadãos juazeirenses para reunião a ocorrer no dia 18 do mesmo mês, na residência do major Joaquim Bezerra de Menezes, descendente dos primeiros proprietários do lugar, visando organizar a emancipação política do território, livrando-o da administração do município do Crato, a quem obedecia. Isso, no entanto, deixaria de gerar efeitos práticos imediatos. Só adiante, devido ações encetadas por novas lideranças, de Padre Alencar Peixoto, Floro Bartolomeu da Costa, José Marrocos e outros, nas páginas do jornal O Rebate, essas ideias ganhariam corpo, galgando efetiva concretização em 22 de julho de 1911, quando da lei estadual que estabeleceu: “Art. 1.º - A povoação de Juazeiro, da comarca do Crato, é elevada à categoria de vila e sede de município, com a mesma denominação”.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

FIGURAS REPRSENTATIVAS DA VILA DO CRATO QUANDO PASSOU À CATEGORIA DE CIDADE EM 1853


Por Antonio Correia Lima *

Por me dedicar ao estudo genealógico da nossa região, e por dispor de um vasto material ( Casamentos, Batismos e óbitos)transcritos dos livros eclesiásticos da Freguesia do Crato, referentes ao século XIX, e início do XX, resolvi me utilizar desta relação com o objetivo de informar e colher mais dados sobre as figuras abaixo para que possa alimentar a nossa página na Internet – ALGUMAS FAMÍLIAS CARIRIENSES( http://algumasfamiliascaririenses.blogspot.com/).
Portanto, peço a colaboração no sentido de se identificar as figuras representativas aqui relacionadas .


01 – Capitão Mor Joaquim Antonio Bezerra de Menezes , Dep. Provincial, eleito em 1838;
02 –Cel. Luiz Alves Pequeno , Presidente da Câmara em 1853;
03 – Felipe Teles de Mendonça ;
04 – Pedro José Gonçalves da Silva;
05 – Joaquim de Araújo Candéia;
06 - Joaquim Lopes/ Raimundo do Bilhar;
07 – Joaquim Pedroso Bembém;
08 – Miguel Henrique Xavier de Oliveira, Dep. Provincial, eleito em 1842;
09 – José Francisco Pereira Maia, Dep. Provincial, eleito em 1838;
10 - Joaquim Romão Batista, pai do Padre Cícero;
11 - José Romão Norões;
12 – José Vitoriano Maciel, Dep. Provincial eleito em 1838;
13 – José Ferreira de Menezes;
14 – Francisco Lião da Franca Alencar, pai de Seu Nelson do Lameiro , e outros;
15 – José Esmeraldo da Silva, tronco da família Esmeraldo ;
16 – Antonio Ferreira de Mello;
17 - João Soares de Oliveira;
18 – Francisco Gomes de Matos;
19 – Antonio Ferreira Lima;
20 – Felismino Marques Peixoto, era o pai do Padre Peixoto;
21 – Antonio José de Carvalho;
22 – Francisco Lôbo de Macedo;
23 – Benedito da Silva Garrido;
24 – Laureno Briseno da Silva;
25 – José Antonio de Figueirêdo;
26 – Hildebrando Sisnando Batista;
27 – Joaquim Gomes de Mattos;
28 - Childerico Cícero de Alencar Araripe;
29 – Raimundo Gomes de Matos;
30 – José Germano Bezerra de Menezes;
31 – José Pinheiro Bezerra de Menezes;
32 – Antonio Duarte Pinheiro;
33 – Joaquim Saraiva;
34 – Manuel Pereira de Araújo Caçula;
35 – Joaquim Secundo Chaves;
36 – Antonio Ferreira Lôbo;
37 – Mariano de Oliveira e Souza;
38 – Jesuino Brizeno da Silva;
39 - Joaquim José de Santana Milfont;
40 – Joaquim Jácome Pequeno;
41 – José de Souza Rolim;
42 – Manuel Leite Xenofonte de Oliveira, tronco da família Xenofonte de Oliveira, do sítio Catingueira, em Ponta da Serra;
43 – João Vitoriano Gomes Leitão;
44 – Vicente Alves de Lima;
45 – Antonio Romão Batista;
46 – José Alves da Silva Bacurau;
47 - Joaquim Bezerra de Menezes;
48 – Leandro Bezerra de Menezes;
49 – Miguel Ferreira Nobre, tronco da família Ferreira Nobre do Baixio das Palmeirias;
50 – Manuel Lopes Abath;
51 – Miguel Bezerra Frazão;
52 – Domingo Lopes de Sena;
53 – Antonio Raimundo Brígido dos Santos, Dep. Provincial eleito em 1838;
54 – Antonio Teles de Mendonça;
55 – Francisco Dias Azêde e Melo;
56 – Adriano Pinheiro Lamdim;
57 - José do Monte Furtado;
58 – Ricardo José de Araújo Vilar, tronco da família Vilar, tendo sido proprietário do sítio Patos, em Ponta da Serra, e outros;
59 – Eufrásio Alves de Brito( Major) um dos troncos da família Brito/Macário, da Malhada, onde foi proprietário, tendo sido, também, dono do sítio Ponta da Serra. Era Senhor dono de escravos;
60 – Antonio Brito Correia, era irmão do Major Eufrásio, e dele descendem os Brito da Palmeirinha e do sítio Juá. Era Senhor dono de escravos;
61 –– Francisco José de Brito, (Yoyô de Brito) pai do Cel Chico de Brito, e avô de Francisco José , repórter da TV Globo, proprietário do Sítio São Bento, à época. Era um dos troncos da família Brito da Malhada;
62 – Antonio Francelino Correia;
63 – Joaquim Francelino da Cunha;
64 – Leandro de Melo Chaves, Dr. Dep. Provincial eleito em 1858, depois Dep. Geral.

PADRES EXISTENTES NA VILA DO CRATO EM 1853
01 – Padre Joaquim Ferreira Lima Verde, proprietário do sítio Fábrica , e Santa Fé,e tronco familiar da Família Limaverde;
02 – Padre João Marrocos Teles, pai de José Joaquim Marroco Teles, ferrenho defensor do Padre Cícero, nascido em Crato;
03 – Manuel Joaquim Ayres do Nascimento, que foi Párocho em Crato por muitos anos,tendo sido Dep. Provincial eleito em 1840.
( Fonte: Revista Itaytera Nº 1, ANO 1855)
Antonio Correia Lima, graduado em História pela Universidade Regional do Cariri – URCA, e se dedica ao estudo genealógico da região do Cariri. Editor do Blog http://algumasfamiliascaririenses.blogspot.com/




sábado, 4 de junho de 2011

Monsenhor Joviniano Barreto, o Mártir do Dever - Armando Lopes Rafael


O ano de 1950 começou promissor para Juazeiro do Norte. A comunidade católica daquela cidade preparava-se para comemorar – no mês de março – os 15 anos do profícuo paroquiato de Monsenhor Joviniano Barreto. Este, por sua vez, após ajudar, meses antes, na instalação da Congregação Salesiana em Juazeiro do Norte, aguardava o dia 6 de janeiro, data marcada para o lançamento da pedra fundamental do Convento e Seminário dos Capuchinhos, frades recém-chegados a Juazeiro do Norte, após pacientes negociações feitas entre o Bispo de Crato, Dom Francisco de Assis Pires – com decisiva participação do Monsenhor Joviniano Barreto – e a Província Franciscana.

A quase totalidade da população ordeira e humilde de Juazeiro do Norte professava a religião católica. E, como ocorre em toda cidade em fase de grande crescimento, Juazeiro do Norte abrigava alguns portadores de paranoias esquizofrênias. Um deles, Manoel Pedro da Silva, natural de Açu, Rio Grande do Norte, vinha, nos últimos meses, insistindo (junto a monsenhor Joviniano) para que o vigário o casasse com uma senhora já casada. Em vão o sacerdote explicou ao desequilibrado homem que a Igreja Católica proibia a realização desse matrimônio. Consta que, por algumas vezes – por vingança ante a recusa do sacerdote em realizar o ilegal casamento – Manoel Pedro procurou assassinar Monsenhor Joviniano. Uma dessas tentativas teria sido planejada para a Missa de Natal. E só não foi concretizada, pois, na hora prevista, faltou coragem a Manoel Pedro para praticar o homicídio.

Mas, no início da fatídica noite de 6 de janeiro de 1950, após a solenidade de lançamento da pedra fundamental do convento dos capuchinhos, Manoel Pedro veio na direção de Monsenhor Joviniano e lhe desferiu profunda facada no coração, matando-o na hora. A pedra fundamental do convento dos capuchinhos foi, assim, regada pelo sangue desse servo bom e fiel, um “Mártir do Dever”.

Monsenhor Joviniano Barreto nasceu no município de Tauá, no Sertão dos Inhamuns, em 05 de maio de 1889. Oriundo de família de sólida formação católica era afilhado de crisma do segundo bispo do Ceará, Dom Joaquim José Vieira. Estudou no Seminário da Prainha, em Fortaleza, onde recebeu ordenação sacerdotal em 22 de dezembro de 1911, aos 22 anos. Enquanto aguardava a idade canônica para receber a ordem do presbiterato lecionou naquele Seminário, entre 1908 e 1909 e no Colégio São José de Crato, entre 1910 e 1911.

A criação da Diocese de Crato veio encontrar o então Padre Joviniano Barreto como vigário-cooperador de Lavras da Mangabeira. Posteriormente, ele foi Cura da Catedral de Crato, Secretário do Bispado, professor e reitor do Seminário Diocesano São José, vice-presidente do Banco do Cariri (pertencente à diocese) e diretor do Ginásio, hoje Colégio Diocesano.

Segundo o escritor Mário Bem Filho: “Na administração episcopal de Dom Quintino Rodrigues de Oliveira e Silva, primeiro bispo de Crato, Monsenhor Joviniano Barreto era o padre de maior projeção da diocese. Homem apostólico, dedicado, trabalhador, inteligente e culto. Tinha um caráter forte e uma personalidade marcante. Contava com a amizade e estima de todo o clero diocesano. Impôs-se pela bondade. No governo do segundo bispo, Dom Francisco de Assis Pires, Monsenhor Joviniano era depositário de toda a confiança do pastor diocesano que o tinha como conselheiro. Dom Francisco mandava-o chamar frequentemente, ao Palácio Episcopal, para ouvi-lo”.

Com a morte de Monsenhor Esmeraldo, vigário de Juazeiro do Norte, ocorrida em outubro de 1934, aquela paróquia ficou novamente vaga e o Bispo de Crato encontrava dificuldades junto aos seus padres para que um deles assumisse aquela jurisdição paroquial. Um grupo de senhoras de Juazeiro do Norte veio, certa vez, ao Seminário São José, em Crato, pedir monsenhor Joviniano para aceitar a missão de pastor dos juazeirenses. Ele respondeu negativamente ao pedido. Dias depois, sem que ninguém soubesse o motivo da mudança, Monsenhor Joviniano procurou Dom Francisco e disse que aceitava a nomeação para Vigário de Juazeiro do Norte, uma função que representava, àquela época, um grande desafio. Assumiu a Paróquia de Nossa Senhora das Dores em 26 de março de 1935. Durante 15 anos reorganizou a vida paroquial. Dinamizou as associações religiosas. Reformou totalmente a igreja-matriz – hoje Basílica Menor – deixando-a com o aspecto como está hoje. Ajudou na evolução social da Terra do Padre Cícero, participando de todas as iniciativas que representavam progresso para Juazeiro do Norte. Foi professor da Escola Normal Rural e concluiu sua profícua missão pastoral em 6 de janeiro de 1950, passando à história como “O Mártir do Dever”.



Na segunda foto acima, sentado à direita de Dom Quintino, monsenhor Jovianiano Barreto. Acima, em pé, da esquerda para a direita: monsenhor Francisco Assis Feitosa o cônego Manoel Feitosa.

(*) Armando Lopes Rafael é historiador.

ICÓ - Em maio de 1864, faleceu Dr. Pedro Théberge *



Sic ut in radii of aurora, lucet in animi et in veribus egregius heroes

Assim como brilha os raios da alvorada,
brilha a coragem e a força dos egrégios heróis


Luan Sarmento, 31 de Maio de 2011


Dr. Pedro Franklim Théberge




Fotos da década de 1930, produzidas por João José Rescala


Pedro Franklin Théberge nasceu em Marcé, na França, no ano de 1811. Thebérge, ingressou na cidade do Icó em 1845, acompanhado de sua esposa Elisa Soulé Theberge e seu filho Henrique Theberge, que logo mais se tornou um dos fundadores da Academia Cearense de Letras. A população icoense neste período histórico girava em torno de 15.000 habitantes.

Rico em um potencial cultural e artístico admirável, Théberge foi o idealizador da construção do Teatro da Ribeira dos Icós em 1860, cujo o nome é uma homenagem aos nativos e donos primitivos das terras do Icó. Théberge também financiou toda a construção do teatro, considerado por todos um monumento de grandeza histórica, simbólica, artística e cultural, na qualidade de casa da arte.

O teatro expressa em sua arquitetura as marcas do estilo neoclássico, movimento artístico e cultural surgido no século XVIII, que significou uma nova (neo) manifestação que buscou resgatar as características da arquitetura das artes clássicas da Europa Ocidental, em forma de crítica ao caráter dramático do estilo barroco, predominantemente presente em monumentos importantes da burguesia, não aceito por aqueles cuja a cultura era baseada nos princípios do iluminismo e racionalismo que se apresentavam em oposição ao dogmatismo e dramaticidade do barroco.

A cólera morbus, infecção contraída através de uma bactéria alojada em águas e alimentos contaminados que, após a ingestão, afeta fatalmente o organismo intestinal humano causando diarréia, dores, hipotensão, taquicardia, anúria e hipotermia, foi uma doença terrível, que deixou uma marca de mais de 100 falecidos por dia na cidade do Icó, fazendo do nobre médico francês improvisar o seu teatro em uma enfermaria para então assim, juntamente com outro médico conhecido como Rufino Alencar, diagnosticarem e tratarem daqueles que foram contaminados pela letal moléstia.

O pesquisador Monte enfatiza a questão do cemitério do Icó, ter sido uma iniciativa do próprio Théberge, personalidade ilustre e marcante na história dessa linda cidade conhecida por ''cidade dos sobrados''. Faleceu no dia 08 de maio 1864, vítima da cólera. Seus restos mortais repousam no Santuário do Senhor do Bonfim em Icó. (ver abaixo)

* Adendo Icó é Notícia - O estudioso em História de Icó, Miguel Porfírio (in memoriam), esclarece sobre a situação no volume II de "Icó em Fatos e Memórias" - "As urnas funerárias foram retiradas da parede, e por muito tempo ficaram abandonadas em algum canto daquele templo, sendo levadas como dizíamos antes, por uma alma caridosa, D. Adélia Nogueira, esposa de Horário Nogueira, e sepultadas no cemitério local".




Foto do site Icó é Notícia


Está escrito:

HIG JACET ALIX:
VELUT FLOS É VITA EGREDITUR, OBEDIENS FILIA AS DULCIS CONJUX
SEMPER RECOLITAR;
VIRTUDE PRODITA,
FORMÂ RECOGNITA,
FRATRE ET SOROBE SIMULQUE VIRO
QUI MULTUM DILEXIT ET AMISIT EAM FATO DIRO,
PROBATA AB HOMINIBUS
OMNIBUSQUE, DILECTA PARENTIBUS.

HIC ETIAM JACENT OSSA PATRIS EJUS, DOCTORIS PETRI THEBERGIS:
QUI EX GALLIÂ CUM VENISSET IN BRASILE,
VIR EGREGIUS ET MEDICUS OPTIMUS,
CARUS ACCEPTUSQUE OMNIBUS COGNITUS FACTUS;
OB ILLIUS CELEBRITATEM QUI DIXISSET:
EGO SUM GALLUS EX NATIONE BRASILIENSIS EX CORDE.
ICÓ 1872
SIMPLICIO D MONTEZUME
HENRIQUE THEBERGE.

Tradução:

HIG JACET ALIX
COMO SE FOSSE A FLOR DA VIDA SAI OBEDIENTE FILHA DOCE MULHER.
SEMPRE LEMBRAR
VIRTUDE TRAÍDA
FORMA RECONHECIDA
IRMÃO E SOROBE AO MESMO TEMPO UM HOMEM
ELE ERA MUITO AMADO SEU DESTINO TERRÍVEL
APROVADO PELOS HOMENS E TODOS, AMADOS PAIS

AQUI SE ENCONTRAM OS OSSOS DE SEU PAI
DOUTOR PEDRO THEBÉRGE
QUE A PARTIR DE FRANÇA ELE CHEGOU NO BRASIL
UM HOMEM RARO, E MÉDICO O MELHOR
E QUERIDO, ACOLHIDO POR TODOS CONHECIDO
EM CONTA QUE, PARA CELEBRAR ELE DISSE:
EU SOU FRANCÊS POR NAÇÃO E BRASILEIRO DE CORAÇÃO
ICÓ 1872
SIMPLICIO D MONTEZUME
(Tradução de Luan Sarmento)


Arte Clássica

Partenon, século V a C. Acrópole de Atenas. Autor Onkel Tuca

Arte Neoclássica

Fachada do edifício da Academia Imperial de Belas Artes, um projeto de Grandjean de Montigny, fotografada por Marc Ferrez 1891.

Façade du Panthéon - Paris. Obra do próprio. Autor Jean-Christophe BENOIST

Teatro da Ribeira dos Icós - Edificado na cidade de Icó (CE), pelo Francês Pedro Théberge, em 1860. É o teatro mais antigo do estado do Ceará. Foto de Arthur Luiz Andrade

A CÓLERA

Santuário de Nossa Senhora da Conceição (XVIII) e
o cemitério público de Icó (XIX). Construções ainda existentes.
Foto provavelmente produzida na década de 1920 ou 1930,
fornecida pelo historiador Monte.


Segundo estudos elaborados por Sarmento, em um levatamento de dados realizado dentro do antigo cemitério icoense, em busca de datas e escritos da arte tumular, provavelmente esse antigo cemitério começou a existir em meados do século XIX, devido às datas quase apagadas pela ação do tempo nas lápides dos túmulos em estilo gótico abandonados. Essas mesmas datas nos jazigos mais antigos, coincidem com tempo da cólera e a presença de Théberge na cidade.

De acordo com fontes de pesquisas disponíveis a palavra ''cemitério'' vem do latim ‘’coemeteirum‘’ derivada do grego ''κοιμητήριον'', ''kimitírion'' atribuído o significado de ''pôr a jazer'' também denominado ‘’campo-santo’’.

Em tempos antigos, a prática dos sepultamentos fora dos templos cristão era atribuída para os ''não-cristãos'' praticantes de outras religiões, havendo até mesmo uma visão preconceituosa de tal procedimento funerário, caso algum cristão fosse sepultado fora do templo.

Em algumas cidades antigas, foi à contaminação da cólera e outras pragas o motivo para a criação de cemitérios em regiões distantes. Em outras, foi à questão sanitária dos corpos estarem no mesmo ambiente dos vivos dentro das igrejas. Já em outras, foi o crescimento da zona urbana que favoreceu a criação do ‘’campo-santo’’ em áreas próximas aos templos religiosos.

Prática oriunda da Europa em Icó, os mortos eram sepultados dentro de suas próprias igrejas e podemos citar o caso da família Montes do século XVIII na Matriz de Nossa Sra. do Ó, da família Nogueira do século XIX no mesmo templo, da família libertadora de escravos Pinto Albuquerque na Igreja do Monte e demais membros da sociedade icoense que jazem no Santuário do Senhor do Bomfim e do Rosário. Prática também ocorrida em capelas particulares, situação da família Antero na Capela do Sagrado Coração (XIX) outra família libertadora de escravos.

Na época da cólera, devido ao número de mortes em grande massa, muitos foram os sepultamentos em covas coletivas nas proximidades da Igreja do Monte, localidade isolada e distante do centro da cidade, já que era costume da época sepultar aqueles morreriam de doenças graves em localidades distante da civilização, comprovando então, relatos de pessoas que ao construírem suas casas nesta região em meados da década de XX, encontrarem restos mortais, e de outras que lavavam roupas na lagoa da torre que se encontravam no caminho com as sepulturas. Vejamos o relato abaixo:

(Trabalho realizado por Luan Sarmento em busca de datas do século XIX no antigo cemitério do Icó)


Em uma entrevista ao blog D. Josefa Maria de Sousa, expressou: ''Moro aqui desde o ano de 1958 e morava em uma casinha de taipa ao lado da Igreja do Monte. Eu via da janela da minha casa as catatumbinhas e alí (apontou para os comércios da avenida principal e para a região do lado esquerdo do cemitério) também tinha mais.

Quando agente ia lavar roupa na lagoa da torre, agente via mais catatumbinhas e montinhos de barro pela região do monte, nas laterais e atrás da igreja, tudo fora do cemitério. Aqui não tinha nada, era tudo mato, isolado. Tinha também a casa da pólvora, preta, caindo os pedaços e era de muitos anos atrás. '
' Relato de D. Josefa, 72 anos.

LAGOA - A lagoa da torre era um lago que existia ao lado da Igreja do Monte, onde hoje se encontra o Centro Gerencial e recentemente foi secada. Surgiu esta denominação quando aqui se estabeleceram bandeirantes da Casa da Torre da Bahia, para criar gado, riqueza econômica do século XVIII em Icó, civilização dos criadores de gado.

A Casa da Torre era uma poderosa instituição pioneira na pecuária no Nordeste do Brasil colonial, que adentrava nos sertões para explorar as terras e cultivar riquezas, estimando-se que a Igreja do Monte foi iniciativa de um ou dois membros do grupo em 1750. Nossa Senhora da Conceição é padroeira de Portugal.


* Textos de Luan Sarmento - Bacharelando em Serviço Social - publicado no blog Icó Arte Barroca

Colaboradores:
Historiador Altino Afonso Medeiros Monte
Genildo Angelim
D. Josefa Maria do Sousa
Texeira Alenca


Referências:

COUTO. Padre Francisco de Assis. a história do Icó, sua genuína crônica, primeira parte 1682 a 1726. Iguatu: 1962. 98 p.

LIMA. Miguel Porfírio de.Icó em fatos e memórias. Icó: vol. 1, 1995. 215 p.

LIMA. Miguel Porfírio de. Icó em fatos e memórias. Icó: vol. 2, 1998 159 p.

http://www.icoenoticia.com/2009/08/ha-145-anos-falecia-o-idealizador-do-1.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Site - A enciclopédia livre.