domingo, 25 de agosto de 2013

AURORA em Jornalismo cultural e afins...

AURORADAS... Jornalismo Cultural

Curador do Cariri Cangaço Manoel Severo é recebido em AURORA

 Da Redação:
Aurora: Sec. de cultura José Cícero e o Curador do CC Manoel Severo

Curador do Cariri Cangaço visita Aurora para fechar programação de setembro

Com vistas ao fechamento oficial da programação do Cariri Cangaço deste ano em Aurora, assim como relativa aos demais  parceiros caririenses, o secretário de cultura e turismo do município recebeu na tarde do último sábado(24) em sua residência a equipe da curadoria do CC, capitaneada pelo seu idealizador  Manoel Severo. 
Além de AURORA o curador do evento, visitará igualmente neste final de semana todos os municípios que sediarão a iniciativa tais como: Barro, Porteiras, Missão Velha, Barbalha, Juazeiro do Norte e Crato. Severo também visitou durante a manhã de sábado Lavras da Mangabeira, que anteriormente havia realizado uma avant premier
De Aurora, o curador do CC se dirigiu para a cidade do Barro, seguindo para Missão Velha, Porteiras e, finalmente Barbalha, Juazeiro e Crato no domingo quando manterá contatos com prefeitos e secretários de cultura.

SEMINÁRIO DE AURORA:

Agora na sua 3ª edição em Aurora e a 4ª na região, o  seminário CC  vem se configurando como um dos mais importantes e participativos eventos temáticos e culturais, não somente do Cariri, como de todo o  Nordeste Brasileiro. E, seguramente, o primeiro em se tratando da temática sertaneja e do cangaço lampiônico, conforme ressaltou o secretário de Aurora, o professor José Cícero.
Antigo engenho do sítio Mel no Tipi
Com sua estréia  ocorrida ainda em 2010  o município de Aurora  abordara o tema "Os 83 anos da passagem de Lampião e seu banda pelo território aurorense" cuja palestra foi proferida pelo secretário José Cícero. 
Em 2011 " A trama da Ipueiras d'Aurora com vistas à invasão de Mossoró" abordada pelo memorialista  de Missão Velha, João Bosco André. 
O tema deste ano será: "Marica Macedo do Tipi: Sertaneja d'Aurora, matriarca do Cariri", a carg do Dr. Vicente Landim de Macedo(neto da homenageada) atualmente residente na capital federal. O evento está marcado para ocorrer no próximo dia 20 de setembro, às 19 h no auditório da Escola Técnica no Araçá. A prefeitura, por meio da sua secretaria de cultura e turismo está desde já convidando toda a população para participar do acontecimento. Segundo a curadoria do evento, cerca de 150 pesquisadores do país inteiro e até o exterior deverão está participando do Cariri Cangaço este ano. Familiares de Marica Macedo e do coronel Izaías Arruda também estarão em Aurora participando do seminário.
Este ano, o CC homenageará várias autoridades da região. Em Aurora por exemplo, receberão tal condecoração: o prefeito Adailton Macedo, o dr. Vicente Landim, além da srª Orlandina Arruda(filha do cel. Izaías Arruda) e o dr. Marcolino Lira.
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Da redação do Blog de Aurora e da Seult.
Fotos: J.Silva(Secult).
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Tipi e Ipueiras receberão visitas de pesquisadores durante o Cariri Cangaço 2013, diz secretário

Da Redação
Casarão do sítio Mel do Tipi onde viveu o clã da matriarca Marica Macedo
Fazenda Ipueiras do Cel. Izaías Arruda onde houve a trama de Mossoró
J. Cícero ao lado de um morador da Ipueiras e do penitente Chico Caboclo
JC ladeado pelos irmãos penitentes: Seu Chico e Geraldo Caboclo
Assessor da Secult João Silva com moradores da  Ipueiras
Sec. JC no Salgadinho com dois  Penitentes: Geraldo e Chico Caboclo
Local dos escombros da antiga residência de Marica Macedo no Tipi
Resquícios do antigo engenho pertencente ao clã de Marica Macedo
Na vila Tipi: Seu Chico Caboclo com o Sr. Elias Menezes 93 anos
Restos da antiga residência de Marica Macedo e Cazuzinha no Tipi
Restos do maquinário do antigo engenho do sítio Mel do Tipi
Local da antiga residência de Zé Cardoso e Izaías  da Ipueiras de Aurora

 Equipe da Secult-Aurora realiza visitas à zona rural com vistas  a escolher os locais históricos para a visitação técnica de pesquisadores e participantes do Cariri Cangaço deste ano

Punhal doado por Lampião
Tendo em vistas a realização de mais um Seminário Cariri Cangaço edição 2013 o secretário de cultura e turismo de Aurora  professor José Cícero, juntamente com  assessor  da pasta  João Silva  visitaram na manhã do último  sábado(24) alguns do locais históricos de Aurora que serão visitados em setembro  pela comitiva de pesquisadores do CC, oriundos de várias parte do país, inclusive do exterior a exemplo do pesquisador francês Jack di Witte e um historiador Uruguaio.
Este ano o evento abordará a palpitante história da famosa Marica Macedo do Tipi, cuja palestra ficará a cargo do seu neto residente em Brasília - 0 Dr. Vicente Landim de Macedo, autor do livro 'Marica Macedo - a brava serteneja de Aurora. Na noite do evento, ocorrerá também o lançamento de mais uma obra de Landim, desta festa abordando a formação daquele distrito.
Velha Chaminé do engenho do sítio Mel do Tipi
J.Silva no antigo cacimbão
"A intenção é realizarmos um mapeamento destes lugares, incluindo os contatos com os moradores, além da escolha do  melhor  itinerário levando-se em conta as condições de acesso, o valor histórico do lugar, bem como a menor distância para o cumprimento fiel do horário contido na programação", disse o secretário.
Os lugares escolhidos para a visitação técnica desta edição do Cariri Cangaço foram o sítio Mel nos arredores do distrito de Tipi  onde ainda existe o casarão e o antigo engenho que no passado  perteceram ao clã de Marica  Macedo. Como também o local dos escombros da antiga residência da matriarca no antigo sítio Sabonete. Ainda, um pouco mais à frente,  a famosa fazenda Ipueiras, pertecente ao coronel Isaías Arruda e Zé Cardoso, palco da trama para invasão de Mossoró, além da traição e cerco ao rei do cangaço com todo seu bando ocorrido em julho de 1927. 
No roteiro também está incluído o casarão da cultura(sede) com exposição de fotos antigas da cidade e a estação ferroviária onde ocorreu o célebre atentado/assassinato do coronel Isaías Arruda em agosto 1928.
A equipe da Seult visitou também a residência do Sr. Geraldo Caboclo, decurião do grupos dos penitentes no sítio Salgadinho e Cobra, cujo mesmo fará apresentação  durante o evento, dia 20 de setembro na cidade. Os representantes da Secult-Aurora visitaram ainda o nonagenário Elias Menezes do  Tipi e o filho do Sr. Davi Silva( antigo guia de Lampião) na Malhada Vermelha que, inclusive,  guarda consigo uma relíquia - um punhal original dado de presente ao pai pelo rei do cangaço durante a sua passagem pelo lugar.
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Da Redação do Blog de Aurora e da Seculte.
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SERVIÇO:
Seminário Cariri Cangaço 2013
Dia 20 de set. às 19 h - sessão de Aurora.
Tema: "Marica Macedo do Tipi: Sertaneja d'Aurora, matriarca do Cariri"
Palestrante convidado: Dr. Vicente Landim de Macedo (neto da matriarca)
Pres. de Honra da AFA - Residente em Brasília - DF.
Fotos e reportagem : JC
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Núcleo espírita de Aurora promove palestra sobre a obra da codificação



Cartaz de divulgação
Na noite da última sexta-feira(23), o Núcleo Espírita Maria de Nazaré (Nemame) da cidade de Aurora realizou em sua sede social, localizada no bairro Casas Populares, mais uma interessante palestra acerca da compreensão espírita. A iniciativa teve como foco central, conforme explicou o  presidente do centro,  noções  acerca do surgimento histórico  da obra da codificação através do seu pioneiro Allan Kardec. 
A explanação ficou por conta do doutrinador  do centro espírita "Bom Samaritano" do município de Crato, o professor Ádamo Brasil. Trata-se de um conhecido jovem conferencista  do movimento espírita cratense e do Cariri como um todo, disse.
Um significativo número de adeptos do kardecismo aurorense esteve participando do acontecimento doutrinário. O que agradou imensamente todos os que fazem a atual direção do Nemame local, principalmente o seu presidente o sr. Naro Macedo. 
No próximo mês, uma nova palestra estará sendo agendada, segundo informou a direção.
 Fotos e reportagem : JC
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AURORA: Aldemir Martins também se inspirou no Tema Cangaceiro

Aldemir Martins.
No blog acima também encontrei muita informação sobre vida e obra do artista vale a pena conferir.
Aldemir Martins É natural do distrito de Ingazeiras, município  de Aurora no Cariri  cearense8 de novembro de 1922(Ano de seu Nascimento) — São Paulo5 de fevereiro de 2006)(Data de sua Morte), foi um artista plástico brasileiroilustrador,pintor e escultor autodidata, de grande renome e fama no país e exterior. Foi o primeiro brasileiro a ganhar um prêmio na Bienal de Veneza
Neste link vocês poderão ler toda a biografia do artista: http://pt.wikipedia.org/wiki/Aldemir_Martins
Os trabalhos mais conhecidos do artista Aldemir Martins fazem parte de sua serie de Gatos
mas pesquisando, eu descobri, que ele possui muitos trabalhos em diferentes técnicas na temática dos cangaceiros, isso se deve ao fato de Aldemir Martins ter nascido em Aurora no estado do Ceará, portanto também é nordestino.
E como estamos trabalhando na Emei Jean Piaget, o centenário Luiz Gonzaga e tudo que envolve a cultura nordestina acredito que cairá como uma luva em nossa programação educativa para a Festa Junina, afinal nada melhor que as imagens dos cangaceiros, aqui na visão de um artista plástico cearense para trabalharmos com a educação infantil.
Neste link vocês podem encontrar muitos dos seus trabalhos:


Cangaceiro - Aldemir Martins (1969)
Técnica: Acrílica sobre tela | Dimensões (em cm): 30 x 30 | Local de exposição: Galeria M. Mizrahi, São Paulo, SP, Brasil

Aldemir Martins
Cangaceiro
40 x 30 cm
Acrílica sobre tela colada cartão
Ano: 1999

Fotos de  Aldemir Martins, Gravura Cangaço Lampião E Maria Bonita 1980

Gravura original de Aldemir Martins em papel próprio com marca d´água de 1980, numerada 087/100 e assinada, figura de Lampião e Maria Bonita. Em bom estado de conservação, a lâmina mede 64 cm. x 45 cm. e somente a imagem, 46 cm. x 30 cm.


Aldemir Martins
Cangaceiro
Serigrafia
x / 100
50 x 70 cm


Tipo : Pinturas 
Título : Cangaceiro 
Artista : Aldemir Martins 
Ano : 1952
Técnica : Nanquim sobre cartão
Dim. : 34 x 26 cm
 
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Fonte: http://drucilamilian.blogspot.com.br/2012/06/festa-junina-na-emei-jean-piaget-com.html
SERVIÇO:
CARIRI CANGAÇO - Dia 20 de set.2013 
Tema: "Marica Macedo do Tipi: Sertaneja d'Aurora, matriarca do Cariri"
Participe:
CC/ Secult-Aurora/PMA
www.seculteaurora.blogspot.com
www.cariricangaco.com
www.blogdaaurorajc.blogspot.com



O célebre atentado contra Isaías Arruda na estação do trem de Aurora - Por José Cícero


Cel. Isaías Arruda - filho de Aurora ex-pref. de M. Velha
Estação de Aurora, aqui tombou Isaías Arruda em 1928

A tarde estava cinzenta naquela Aurora pacata e provinciana de 1928. Uma enorme sensação de tranqüilidade cobria os semblantes dos viajantes, assim como o coração e o pensamento da multidão que se aglomerava na pedra da estação aguardando o trem. Uma cena comum em todas as cidades interioranas atendidas pelo velho comboio da Rede Ferroviária Cearense(RVC).


Nuvens cor de chumbo em formação pareciam prenunciar no céu daquela Aurora antiga e calma, algo diferente prestes a ocorrer: uma tragédia. Logo se constataria...

Naquela tardezinha quase insossa de sábado, dia 4 de agosto de 28 quando muitos já se esqueciam dos episódios de um ano antes, relacionados à presença do rei do cangaço na terrinha; o velho aparelho do telégrafo da RVC de novo estava prestes a receber no código morse um telegrama diferente. Um comunicado estranho; digamos que chave, para os desdobramentos do acontecimento dramático que se seguira ao fato:
Jagunços do cel. sob o comando de Zé Gonçalves. Foto de 26 Ingazeiras
- “Antonio, algodão hoje sobe!”. Eis a mensagens...
Uma missiva quase enigmática considerando que o algodão – o ouro branco d’Aurora daquele tempo, faria sempre o sentido contrário, ou seja, descia pras bandas do litoral. E o seu preço no mercado há muito era de todos conhecido.
Porém, aquela mensagem sertanejamente codificada não seria de todos estranha. Havia um destino e um desiderato certo: os paulinos com o fito de surpreender o coronel. 
Dizia muito mais do que ali estava escrito de modo lacônico... A estação de Aurora estava repleta de gente. Um acontecimento que se tornara comum deste a sua inauguração festiva, oito anos antes, isto é, em 7 de setembro de 1920.
E a cronologia do momento seguinte, logo provaria para todos que o pano de fundo era um crime. Um atentado violento à ordem e a vida em nome da vingança e da intolerância de uma região marcada pela lei do bagamarte. Uma intriga passada à limpo. E como se viu, expressa na força da violência e da ignorância em detrimento da razão e da justiça. Sinais de uma época densamente marcada pelo poder de fogo do coronelismo oligárquico, engendrado pelos mais temíveis e truculentos líderes políticos que o Cariri cearense já experimentou um dia. Um período onde a lei no mais das vezes, quando prevalecia, era a do mais forte.  Enquanto a justiça quase sempre, era feita, via de regra pelas próprias mãos, em geral, dos poderosos.
Estação de Aurora em dia dia exposição de fotos antigas
Naquele sábado, de uma tarde escura de agosto, a estação de Aurora não demoraria a ser palco de um episódio que  marcaria à história do Cariri e do Ceará para sempre como um nódoa incômoda. Vez que envolveria, aquele que foi certamente, o mais famoso e temível chefe político da região: o coronel Isaias Arruda de Figueirêdo. Filho do lugar, ex-delegado de polícia, então prefeito pela força da vizinha Missão Velha. E, de quebra, o maior dos coiteiros de Lampião no interior cearense. Um autêntico mantenedor de jagunços e hábil negociador político junto aos potentados da vizinhança, assim como os grandes da capital.
O tempo escorria tal qual o suor no rosto daquela turba de anônimos já impacientes pela delonga. O relógio do prédio apontava 14h25min quando, finalmente, todos puderam escutar o apito estridente da velha máquina a ecoar no horizonte.  Apenas Sabina, entretida demais com o seu café, não se deu conta daquele acontecido. Todos, de repente voltaram suas atenções na direção do corte-grande lá pras bandas do alto da cruz, do sito Frade. A paz da Aurora estava prestes a sofrer um abalo...
O trem da Fortaleza vinha ligeiro e enfezado beirando o rio Salgado na ânsia de chegar tão logo às terras do Crato. E chegou à Aurora. Esbaforido e com sede como se fosse um animal cansado
Enquanto exímios chapeados transportavam com pressa e sem nenhum cuidado, grandes caixotes, sacos, pacotes e outros fardos de mercadorias aos sopapos. Uns desciam para o armazém da RVC outros subiam para os vagões do trem com destino ao Crato. Animais, coisas de madeira, artesanato, aguardente, rapadura, oiticica, panelas de barro. O trem acelerava a curiosidade, tanto quanto a economia daquela vila quase esquecida no oco do mundo.
Mas de repente, o som de um tiro seco ribombeou no ar. Quebrando a normalidade natural daquele acontecimento diário. Em seguida, vários outros disparos puderam ser ouvidos no interior do segundo vagão da primeira classe. Talvez sete ou oito no total... Até hoje ninguém sabe ao certo. Um silêncio quase sepulcral se abateu na plataforma por alguns instantes que pareceram eternos. Somente o roncar da locomotiva um pouco mais a frente estacionada defronte a caixa d’água. Em seguida uma correria...
Vozes diziam tratar-se de uma discussão. Três homens saíram atracados e em seguida correram no sentido contrário do vagão. Uma disparada em direção do armazém e depois para o beco da antiga rua que dava para o cemitério. De súbito, um quarto homem um tanto elegante, rosto jovem e bem tratado. Gestos aparentemente finos, surgiu do segundo vagão da primeira classe. Vestia impecavelmente um terno de linho branco. Olhar altivo. Pisou de modo esquisito e desaprumado o piso, a pedra da estação. Alguns passos apenas e cambaleando fitou a multidão como quem quisesse dizer algo. Não foi possível. Sangrando e com a mão direita colada ao peito chamava baixinho pelo primo. 
O linho branco do seu terno agora começava a se tingir de vermelho. Seus sapatos de cor marrom e bem polidos contrastavam com o vermelho escuro do seu próprio sangue formando poças na plataforma enfumaçada. Era o coronel Isaias Arruda, chefe político, filho da terra. Prefeito da Missão Velha. Alguém logo afirmara em meio a multidão de curiosos. 
Homem afamado em toda região, desde as bibocas à capital do estado. Um líder corajoso e ousado. Devagar caiu ao chão da plataforma ainda com arma intacta junta ao cinto. Não teve tempo sequer de usá-la.
Alguém saindo de dentro do vagão posterior se aproxima dele e forra o chão da pedra com um jornal que lia; edição do dia 3. Seu braço esquerdo e parte superior do tórax estavam em frangalhos. 
Ferimentos gravíssimos provocados pelos vários balanços com que fora atingido mortalmente. E o coronel, mesmo seriamente alvejado, bastante ferido, pronunciou baixinho quase inaudível:
- Os irmãos paulinos me acertaram! 

Eles me acertaram! 
- Mas como é que nem o Viana nem ninguém me avisou que meus inimigos estavam aqui?! 
Oh, Bando de covardes...
E de chofre emendou:
- alguém me chame o farmacêutico!
Foram os Paulinos, eles me acertaram... repetiu: - Bando de covardes!

Outros mais ousados iam  aos poucos  se aproximando da vítima que gemia deitada ao solo da pedra, sobre as folhas do jornal ‘O Ceará’. Enquanto isso, um mais pouco afastado da estação José Vicente ou Nezinho de Milica, dois  primos  saíram em perseguição(ou fugindo) dos irmãos paulinos: Antonio e Francisco, responsáveis pelo atentado.
Foi levado para à residência de Cícero Ferreira do lado do poente  e, em seguida, para a de  Augusto Jucá um antigo amigo morador da rua grande. Isaías foi socorrido. Inicialmente por um farmacêutico prático - o único que existia na cidade. No dia seguinte, bem cedo, dois médicos de Iguatu vindo de trole pela linha da RVC: Antenor Cavalcante e Sérgio Banhos atenderam o coronel. Porém, diante da gravidade dos ferimentos não tiveram como salvá-lo. Sendo que no dia 8 de abril uma quarta-feira às 6h da manhã, quatro dias após ter sido baleado, Isaías Arruda faleceu como que por capricho do destino na terra em que nasceu, foi batizado, cresceu, casou e foi delegado.
Antiga Fazenda Ipueiras do cel. Isaías em dia de Cariri Cangaço

Rumores apontaram ter sido o assassinato uma vingança de Lampião pela suposta traição do coronel um ano antes, durante o célebre “fogo da Ipueiras” (fazenda de sua propriedade) ao lado de Zé Cardoso e o major Moisés Leite de Figueiredo. Além da tentativa de envenenamento do bando lampiônico, em cujo local Virgulino se arranchara por diversas vezes. Ocasião em que o rei do cangaço fugia das volantes, após o fracasso da invasão à Mossoró, arquitetada sob as estratégias de Massilon Leite e financiada pelo próprio coronel.
Mas o certo, segundo se provaria logo depois, foi que os paulinos vingaram o assassinato do irmão mais velho João, morto numa emboscada no serrote d’Aurora pelos jagunços de Arruda no ano anterior.
Terminava ali de modo trágico, na estação ferroviária de Aurora a verdadeira saga de um dos mais temíveis e respeitados coronéis do Cariri - Isaías Arruda de Figueirêdo. Assim como, sua rixa ferrenha contra os irmãos paulinos da Aurora.
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Prof. José Cícero.
Escritor, Pesquisador e Poeta -
Secretário de Cultura e Turismo de Aurora - Ce.
jcaurora.blogspot.com
www.blogdaaurorajc.blogspot.com
  Fotos: arquivo JC
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SERVIÇO:
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em setembro o Cariri apresenta: Palestras:
EM MISSÃO VELHA - ISAÍAS ARRUDA
E EM AURORA  DIA 20 DE SETEMBRO 
19 H- MARICA MACEDO DO TIPI. 
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- Por: José Cícero
Foto inédita de Marica Macedo do Tipi
Prefeito Adailton Macedo ao lado do Dr. Vicente Landim
Pracinha em frente a capela no distrito do Tipi
Aquarela do sítio Mel onde viveu o clã da matriarca do Tipi

Aurora reencontrando a sua verdadeira história durante o Cariri Cangaço 2013

Contemporânea da intrépida lavrense Fideralina Augusto Lima, Generosa Amélia da Cruz em Santana do Cariri,  além dos feitos e ações que nos remetem até mesmo à  heroína Bárbara de Alencar -  Maria da Soledade Landim – 'Marica Macedo do Tipi d’Aurora', compôs com folga de mérito e valentia o histórico quarteto  das chamadas matriarcas dos sertões caririenses.   
Nascida no século XIX ao que tudo indica no início de 1865  na Gameleira do Pau  sobre a  serra do Araripe,  região do Jamacaru (bem ao lado da fazenda  Serra do Mato do não menos famoso cel. Santana – conhecido coiteiro de Lampião)  em Missão Velha.
Filha de João Manuel da Cruz(Joca da Gameleira) e de Dona Joaquina de Sales Landim(D. Quininha). Casara pela primeira vez entre 1883-1885 na igreja de Missão Velha com José Antonio de Macedo(Cazuzinha do Tipi)  seu parente. Ambos descendentes dos “Terésios. Em 1891 o casal decidiu  morar em Aurora  comprando a propriedade do sítio Sabonete onde mais tarde se formaria a vila Tipi; local onde  fixaram residência até o fim da vida.
Informações esporádicas dão conta de que era uma mulher de gênio, determinada e de inteligência incomum para aqueles tempos. Além de ousada, perspicaz e valente, notadamente quando se tratava  de defender  posições e  os interesses do seu clã.  Mesmo numa época  em que  imperava a supremacia do sistema patriarcal que, via de regra, relegava à mulher  a uma posição social das mais subalternas.  No mais das vezes, relegada aos afazeres domésticos, conquanto  confinada à cozinha e a criação da prole.
De tal forma que, qualquer tentativa de se contrariar  o velho padrão era encarado quase como  um sacrilégio. Porém,  com Marica do Tipi, o que  até então era tido como  regra,  acabou dando lugar à exceção. Pelo menos por aquelas bandas do sertão do Ceará... E assim foi que ousou, desafiou e se impôs do seu modo particularmente austero e imperativo ao status quo vigente. 
Por sua coragem e valentia  de autêntica ‘amazonas sertaneja’, logo se tornou conhecida, influente e respeitada  por todos os quadrantes do Cariri e  região circunvizinha. Tanto que, ainda hoje alguns historiadores a denominaram de “a coronel de saia” ou simplesmente de ‘a brava sertaneja de Aurora’.
A força do seu nome, portanto foi muito além  do riacho do Tipi de onde construiu o seu  poder, que além de político era alicerçado no latifúndio, no criatório de gado,  lavoura  de milho, algodão, casa de farinha e  engenho de rapadura. Gostava de  ideias  novas e pioneiras. Como por exemplo, quando Antonio Macedo (seu filho), assumiu a prefeitura em 1919 ela ordenou que o município fosse divididos em quatro partes  no sentido de facilitar   administração. Cabendo a ela própria gerir os problemas e os interesses da região que ia do sítio Cobra, Sabonete, Mel e Tipi até à fronteira com a Paraíba. Há quem diga, que fizera  uma excelente administração.
Da casa grande, quanto   da bagaceira do eito dava ordens  aos seus comandados com  a mesma autoridade e energia dos coronéis  do seu tempo. Suas determinações, portanto, tinham verdadeira força de lei. Tornando-se, por conseguinte, uma mulher de invejável poder e respeito não somente no que tange às questões familiares, como inclusive  na política aurorense onde se pontificou por vários anos não, diretamente, mas através de filho,  parentes e aliados.
Esteve no centro de questões emblemáticas, a exemplo do chamado “fogo do Taveira” que redundou  na invasão e saque de Aurora em 1908 por mais de 600 jagunços sob o comando de Zé Inácio do Barro ante os auspícios de quase todos os coronéis da região. Ocasião em que foi deposto  por meio das balas o então intendente municipal Antonio Leite Teixeira Neto(Totonho de Monte Alegre), substituído que foi pelo fiel aliado de Marica, o cel. Cândido do Pavão. 
Um episódio que, de tão marcante e violento ainda hoje ocupa lugar de destaque tanto na crônica historiográfica, quanto nos anais da história do Cariri, do  Ceará e do Nordeste.
O  tal  “Fogo do Taveira” aconteceu  entre os dias  16 e 17 de dezembro de  1908 no sítio Taveira de Aurora, situado já nos limites de Milagres contíguo ao Barro.  Cerrado tiroteio quando foi morto o filho mais novo da matriarca - José Antonio de Macedo(Cazuza) de apenas 14 anos sendo também alvejado o proprietário da casa.  
Coincidentemente,  naquele mesmo dia fatídico e  na mesma ribeira, acontecia a  polêmica demarcação das célebres  minas do Coxá pertencentes ao padre Cícero Romão Batista. Por sinal, objeto de disputa entre o sacerdote do Juazeiro e pequenos sitiantes do lugar. O que decerto, contribuiu  muito mais para o acirramento dos ânimos entre a gente do coronel Totonho de Monte Alegre, Marica Macedo, Zé Inácio do Barro e coronel Domingos Furtado de Milagres.
Sabendo disso, Marica   solicitou ajuda a Floro Bartolomeu que se encontrava nas imediações do sítio Maracajá(Pavão) liderando um  grupo de jagunços armados até os dentes. Contudo, não querendo participar diretamente do conflito, o representante do padre Cícero apenas usou do seu prestígio junto ao então governador do estado -  Nogueira Acióli que  ordenara a retira imediata do destacamento policial que dava apoio ao cel. Totonho. O que facilitou ainda mais a estratagema para  a invasão e deposição do então intendente municipal.  
Assim, o 'fogo do Taveira' representou  o verdadeiro estopim para a invasão e saque de Aurora, pela jagunçada coronelista  a mando dos maiores potentados  da região. Em cumprimento ao pedido de Marica. Como era comum  naquele tempo, todos os grandes coronéis, invariavelmente, possuíam  seus grupos particulares de jagunços e cangaceiros.
O fato predito culminou com   a deposição forçada do então intendente Cel. Antonio Leite Teixeira Neto(Totonho de Monte Alegre) que aliás, parente de Marica Macedo.  Sendo em seguida colocado em seu lugar o cel. Cândido do Pavão, por seu turno, rendeiro-mor e amigo do padre  Cícero, além aliado incondicional da matriarca do Tipi.  
Quando  viúva, casara  pela segunda vez em 1906   com o barbalhense Antonio Abel de Araújo.   Mandona e dominadora, dizem que não costumava levar desaforo pra casa. Nada acontecia na Aurora do seu tempo, quer seja  na política quanto nas questões mais comezinhas que não fosse do seu inteiro conhecimento. Influente e respeitada era de fato uma grande liderança. Ao passo que também, tinha a força de juiz, prefeito, delegado, assim como senhora de engenho e conselheira familiar. Uma mulher sertaneja que, dentre outras qualidades, se notabilizou  sobretudo por está muito além do seu tempo...  
Morreu supostamente de ataque cardíaco em 6 de janeiro de 1924 na residência de sua filha, localizada  a rua José dos Santos, na beira fresca de Aurora.
  Tema do Cariri Cangaço 2013  em Aurora:
  
Na noite do próximo dia 20 de setembro durante o seminário Cariri Cangaço 2013 em grande estilo Aurora celebrará pela terceira vez, tanto à memória quanto o resgate desta palpitante  história  protagonizada  por  Marica Macedo,  quando se comemora a passagem dos  148 anos do seu nascimento.  
A palestra ficará por conta do seu neto, o Dr. Vicente Landim de Macedo residente na capital federal e presidente de honra da AFA-Brasília*. Indubitavelmente, um momento dos mais afirmativos em que a população aurorense será convidada a conhecer um pouco mais  acerca da história de uma das mais célebres mulheres do Cariri e do Nordeste brasileiro.  
Um instante de verdadeira celebração da geração do presente  com  alguns  dos grandes acontecimentos do seu passado.  
Por fim,  um verdadeiro brinde ao resgate e a preservação da  memória histórica de Aurora, do Cariri e do Nordeste.
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Prof. José Cícero
Secretário de Cultura e Turismo.
Pesquisador do Cangaço
e Conselheiro do Cariri Cangaço.
Aurora – CE.
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Obras Consultadas:
Aurora, História e Folclore – Amarílio Gonçalves Tavares
Marica Macedo, a brava sertaneja de Aurora – Vicente Landim de Macedo.
Matriarcas do Ceará(Papéis Avulsos) – Raquel de Queiroz e Heloísa Buarque de Hollanda.
Estirpe de Santa Tereza – Joaryvar Macedo.
Venda Grande d’Aurora – João Tavares Calixto Jr.
Império do Bacamarte – Joaryvar Macedo.
Revista Aurora – jc: edição 2007.
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SERVIÇO:
SEMINÁRIO CARIRI CANGAÇO 2013! 

AURORA:

Dia 20 de setembro de 2013 
TEMA: “Marica Macedo do Tipi – Sertaneja d’Aurora, Matriarca do Cariri”.

Dr. Vicente landim de Macedo.  
Neto de Marica, Presidente de Honra da AFA-Brasília.
Secult-PMA. 
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Casal de Francês visita sede da Secult para conhecer obra de Cizim d'Aurora

Direita:  Cizim, Marie Christine,  José Cícero, Mª Helana e Oussama Cherief

No final da manhã desta terça-feira(13) estiveram visitando a sede da secretaria de Cultura e Turismo do município os  entusiastas franceses da arte popular Drª Marie Christine Laznik e o esposo Oussama Cherief (residentes na França e no Marrocos). Ambos ciceroneados pela barbalhense residente em Fortaleza a professora da UFC Maria Helena Cardoso(ver fotos).  Os mesmos vieram à Aurora para conhecerem de perto o escultor filho da terra Cícero Simplício do nascimento (o Cizim), assim como um pouco mais da sua produção artística especificamente no gênero da escultura em madeira. 
Para Marie Christine, a obra de Cizim lhe foi apresentada há muitos anos no Rio de Janeiro pelo famoso paisagista  Roberto Burle Marx, assim como por meio da pintora cearense, colecionadora de arte  Heloísa Juaçaba - que igualmente adepta do  trabalho de Cizim muito ajudou a divulgar a sua obra pelo Brasil e pelo mundo afora. Disse ainda que, o mestre Burle Marx tinha uma grande vontade de conhecer o artista aurorense, mas faleceu antes da realização deste sonho. Segundo Christine, um dia  Burle Marx a confidenciou diante de uma obra(Nossa Senhora) de Cizim que, em se tratando do estilo; depois  do mineiro Aleijadinho, o aurorense é maior do gênero atualmente. 
Opinião que também foi muitas vezes corroborada pela própria Heloísa Juaçaba. "Vimos à cidade de Aurora com o objetivo de conhecer pessoalmente Cizim e sua  obra de arte", disse ela.  
Além da sede da Secult onde se encontram expostas várias peças de artes de Cizim, assim como de vários outros escultores da terra, o casal também estivera na residência do secretário de cultura José Cícero no Araçá. Oportunidade em que também apreciaram obra raras de Cizim d'Aurora, dos seus filhos Painha e Zomim, como também de outros artistas aurorenses tais como: João Paulo da Ingazeiras, Calistênio do Angico, Gil Chagas e Joanita.
O distinto casal  estará retornando amanhã  para à França e Marrocos de onde  manterá contatos com o secretário de cultura de Aurora no sentido de providenciar futuras obras(esculturas) que deverão ser enviadas sob encomendas para à Europa. Ambos ficaram bastante impressionados com toda a beleza artística verificada na obra popular e rudimentar do escultor aurorense.
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Da Redação do Blog de Aurora e da Secult.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Sousa e Nazarezinho sediam 1º Parahyba Cangaço

Pesquisadores e entusiastas do Cangaço de várias partes do Brasil se reúnem na cidade de Sousa para o ‘Parahyba Cangaço’




No último sábado, dia 15  aconteceu com sucesso na cidade de Sousa na Paraíba a abertura da Avant Premier do Cariri Cangaço 2013. No domingo dia 16, foi a vez de Nazarezinho.
Teve início na tarde de sábado(15) a abertura da  Avant Premier do ‘Parahyba Cangaço’ na cidade de Sousa. A abertura do evento ocorreu no auditório do Campus da Universidade Federal de Campina Grande local. Oportunidade em que diversos pesquisadores do cangaço e de outros temas ligados a temática sertaneja se fizeram presentes, dentre os quais do professor Wescley Rodrigues - anfitrião da iniciativa, César Nobrega, Manoel Severo(curador do Cariri cangaço no CE), Dr. e escritor  Bismarck, o Presidente da SBEC, professor Lemuel Rodrigues,  o representante da CCBNB Lenin Falcão, bem como o  fundador da SBEC-RN, Paulo Gastão, o cineasta Aderbal Nogueira(Fortaleza), Juliana Ischiara (Quixadá), Múcio Procópio(Mossoró), Narciso Dias(João Pessoa), Prof. Pereira(Cajazeiras), Sousa Neto(Barro), Cristina Couto(Lavras da Mangabeira), Ângelo Osmiro(pres. Gecc Fostaleza), Tomás Osterne(Fortaleza),  o pesquisador Jorge Remígio, João de Sousa Lima(Paulo Afonso-BA), professor José Cícero(Aurora), professor Alan Alves( Arraial do Cabo-PE), Professora Cláudia Maria e João Silva(Aurora), além de estudantes, professores sousenses, assim como representantes das universidades daquela região paraibana dentre outros.
Na abertura dos trabalhos o pesquisador Múcio Procópio falou sobre a palpitante história de Antonio Conselheiro e Canudos, enfatizando o aspecto da sua religiosidade. Em seguida, o professor Wescley Rodrigue discorreu acerca da construção histórica da figura do cangaceiro. Duas abordagens primorosos que prenderam do começo ao fim as atenções de todos os presentes. E que também forneceu muito combustível para o calor dos debates e discussões que se seguiram.
Na parte da noite, após o jantar, todos retornaram para a segunda rodada de apresentação que ficou a cargo de mais dois pesquisadores do Cariri Cangaço. Quer sejam: a  historiadora Juliana Ischiara e o documentarista Aderbal Nogueira. este último responsável pela produção do documentário "A Violência Institucionalizada na época do Cangaço" que uma vez exibido no auditório, fomentou o debate atinente a controversa atuação das volantes em seu histórico de combate  contra os cangaceiros lampiônicos.
As Explanações Temáticas:
O Professor Lemuel Rodrigues(presidente da Sbec) destacou a grande gama de pesquisadores na platéia, vindos de vários estados do país. Ressaltou ainda, sobre os vinte anos  de fundação daquela instituição de estudo a qual preside atualmente.   
Por sua vez, o estudioso Manoel Severo, curador do Cariri Cangaço-CE fez questão de enfatizar o grande  papel desempenhado pelo referido acontecimento, ao dizer durante sua fala:"Estarmos escrevendo mais essa importante página dentro da história da pesquisa do tema cangaço; dessa vez inaugurando um novo fórum de debates, desta vez no sertão da Paraíba".
No domingo(16) todos os pesquisadores participaram do segundo dia de evento, na vizinha cidade de Nazarezinho-PB, onde ocorreram, além palestras, debates e visitações técnicas em vários locais históricos que marcaram o cangaço no lugar
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Redação do Blog de Aurora.
Fotos  J. Silva - Secult-Aurora.
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sexta-feira, 3 de maio de 2013

Cariri: História e Cultura do povo...

Casa de Cultura é inaugurada na cidade de Barro

Da Redação:
Solenida de inauguração da Casda de Cultura André Rodrigues em Barro/CE
Presidente de honra da Fundação' Zerinho' fala durante o evento
Prefeito Neneca Tavares discursa no momento do ato inaugural
Mesa das autoridades: Momento da execução do hino oficial do município
Secretário de Cultura do município Sousa Neto no momento da sua fala
Dep. paraibano José Aldemir em discurso durante a abertura do evento
População no interior da casa de cultura visita exposição histórica
Cangaço: Grupo de arte faz apresentação na abertura da solenidade
Vigário da paróquial( pe. Arnaldo) realiza a benção da Casa de Cultura



Na última quarta-feira, 1º de maio - Dia internacaional do trabalho, aconteceu a solenidade de inauguração da 'casa de cultura' do município de Barro, cuja mesma recebeu a denominação de André Rodrigues - O primeiro morador da antiga vila.  Trata-se da Casa de Cultura André Rodrigues numa feliz parceria entre a prefeitura local e a fundação Zerinho.
Foi um momento alegre e festivo da mais alta afirmação para a sociedade barrense, onde se fizeram presentes várias autoridades locais e de outras regiões. Dentre as aquais, o prefeito municipal prof. Neneca Tavares juntamente com a 1ª dama, o deputado paraibano José Aldemir, o ex-prefeito de Cajazeiras e filho da terra Zerinho, o presidente da câmara Coringa, o secretário da cultura local Sousa Neto, os ex-prefeitos Dr. Marquinélio e Joaquim Alves. Bem como, a atual prefeita de Cajazeiras Denise Albuquerque, o pesquisador  do cangaço professor Francisco Pereira, o historiador e radialista paraibano Chagas Amaro,  o secretário de cultura de Aurora professor José Cícero, além de vereadores,   secretários, municipais,  demais autoridades e a população local.
A programação foi iniciada com a apresentação de duas bandas de músicas(uma das quais da cidade de Sousa-PB), seguida da benção religiosa feita pelo vigário do município padre Arnaldo Pereira. Após os discursos, ocorreu o corte da fita inaugural, quando o espaço foi aberto para à população e demais convidados. 

Dado todo o zelo e o capricho verificado com o material artístico e histórico contido no acervo daquele importante instrumento sociocultural - todos os que puderam verificar de perto a riqueza história, tanto material quanto imaterial da casa de cultura do Barro, ficaram literalmente extasiados diante do belíssimo material, agora disponível para à população. Fruto de um intenso trabalho do secretário Sousa Neto e sua equipe, assim como do prefeito Neneca com o decisivo apoio da fundação Zerinho. 
Algo que muito dignifica a bela história do Barro e da região como um todo. Vale a pena conferir de perto todo o acervo disponível na casa de cultura André Rodrigues - Um grande resgate historiográfico, todo ele configurado num ato importante de puro esforço de preservação da memória, em favor da municipalidade barrense e também do Cariri.
Logo após as visitações, um jantar foi oferecido aos convidados, tendo como local o salão paroquial. Cumpre destacar também que, na mesma ocasião, a gestão municipal entregou à população as novas dependências(sede) do CRAS.
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Da Redação do Blog de Aurora
Fotos: João Silva e Blog da Secult
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Um comentário:

Vanilda disse...
Parabéns a todos que fazem este belo trabalho. Tão importante quanto a nossa cidade é também entender sua origem, conhecer um pouco ou por que não toda sua história?
Um bom trabalho, sucesso e muita luz em seus caminhos.
Gosto muito da cidade de Barro-Ceará
Vanilda SP.(aurorense)

sexta-feira, 12 de abril de 2013

FAMÍLIA DA COSTA SIEBRA, DOS PATOS/MALHADA - PONTA DA SERRA - CRATO -CE

FAMÍLIA DA COSTA SIEBRA, DOS PATOS/MALHADA - PONTA DA SERRA - CRATO -CE


Tronco: Major Francisco da Costa Siebra e Dona Joaquina Rosa de Jesus.Moradores no sítio Patos, hoje  área do Distrito de Ponta da Serra, em Crato – CE, e era dono de várias propriedades de terras nesta região, tendo ele falecido em 04 de setembro de 1902.
De acordo com o Inventário do major Francisco da Costa Siebra, que teve por inventariante a viúva, Dona Joaquina Roza de Jesus, datado de 1902 (Caixa 37  Pasta 563 – Centro de Documentação do Cariri – CEDOCC - URCA) e pelos livros eclesiásticos sob a guarda, do Departamento Histórico Diocesano Padre Gomes, FRANCISCO E DONA JOAQUINA ROZA , que, aproximadamente, em 1876, eram os pais de
1º) -  ( Antonio da Costa Siebra), nascido aproximadamente em 1877 , casado duas vezes. Do primeiro, c/ Emília Bezerra de Menezes, pais de Chiquinho Siebra, pai de Grosso. do segundo c/ Lydia Carvalho de Holanda;


2º) –)  José da Costa Siebra (Zé da Costa), nascido aproximadamente em , 1878, c.c.Raimunda Alves da Costa , são seus filhos: Antonio, pai de Marconi, e outros;

 3º) –   Joaquim da Costa Siebra , nascido aproximadamente em 1881  ,casado duas vezes; do primeiro casamento com Ana Bezerra da Costa, pais de: Raimundo, Audísio, e Francisco. Do segundo, c/ Altina de Loyola de Sampaio:Divane, Arlindo, José, José Tarcísio, José Tércio, Ana Maria, José Noberto e Altina Maria.

4º) – Maria Luiza Siebra, nascida aproximadamente em 1887,c.c. Simião, são os pais de Eulina de Assis de Brito;

5º) – Maria Joaquina, idade de 14 anos, nascido aproximadamente em1888, c.c. Joaquim Alves de Brito - Duquinco de Brito.


6º) –João da Costa Siebra, nascido aproximadamente em 1892,  c.c. Idalina da Costa Siebra em 1909, c/ 16 anos, são os pais de: Aluízio (1917), Nilton, Luzanira, Francisca, Juarez;

7º) – Fideralina, idade de 9  anos, nascido aproximadamente em, 1893, casada com Pedro Alves de Brito ;
8º) – Julia, idade  de 7 anos,
6- Júlia da Costa Siebra, nascida  aproximadamente em , 1895 c.c. Joaquim de Costinha. Foram proprietário e moradores no sítio Altos no século XX, pais de: Siebrinha, Edite, Taís, Quinô;


9º) – Lavínia, nascida,  aproximadamente em, 1899, c.c. Antonio Morais de Brito ;


ÁRVORE EM CONSTRUÇÃO. 


INVENTÁTIO DO MAJOR FRANCISCO DA COSTA SIEBRA – 1902, DO SÍTIO PATOS/MALHADA, EM PONTA DA SERRA – CRATO –CE.

domingo, 15 de abril de 2012

A Carroça de Mamulengos - Emerson Monteiro

Um clã organizado que viaja o Brasil produzindo arte popular através de espetáculos circenses, eis o retrato resumido dessa trupe de artistas formada de irmãos da mesma família para festas de intensa alegria, músicas e cores, mostradas em praça pública, revivendo no palco das ruas e praças do Cariri as boas noites do que oferece silenciosa felicidade, aos olhos brilhantes de crianças atenciosas ao novo que recebem.

O prenúncio desse grupo de artistas remonta 1975, em Brasília, quando seu idealizador, Carlos Gomide, trabalhava de junto do diretor de teatro Humberto Pedrancini, em outro grupo chamado Carroça. Ano seguinte e conheceria o espetáculo Festança no reino da mata verde, do Mamulengo Só Riso, assim reforçando o gosto pelo teatro de bonecos.

Em 1978, Carlos conheceu Antônio Alves Pequeno (Antônio do Babau), mestre brincante paraibano da cidade de Mari, buscando-o em 1979 para desenvolver o aprendizado nos espetáculos dos bonecos. Um ano e meio de convivência seria o suficiente para o discípulo estruturar o conjunto de bonecos da mesma brincadeira e receber permissão do mestre para levar adiante a tradição milenar em viagens pelo País, isto que vem informado no site do grupo na Internet.

Em 1982, ainda no Distrito Federal, se incorporou ao elenco das peças a teatróloga Schirley França, futura esposa de Carlos Gomide, de cuja relação nasceriam os oitos filhos do casal que compõem a base atual da caravana artística que nos visita: Maria, Antonio, Francisco, João, Pedro, Mateus, Luzia e Isabel.

Na melhor qualidade desses espetáculos, em turnê patrocinada dentre outros pela Petrobras, a Carroça de Mamulengos alimenta o encanto da arte espontânea dos terreiros, feiras e festivais, essência natural das manifestações coletivas de cunho popular, o que traduze em termos presentes os primórdios da Grécia mais antiga, naquilo que chamaram ditirambo, fonte arcaica do teatro moderno e do cinema industrial.

Desta maneira, revivem sonhos e vivências comunitárias em ações plenas de música, dança, jogos, diversões, folguedos, confraternização, força pulsante dos universos da beleza inesperada, isso diante da tecnologia artificiosa destes dias massificados da artificialidade vendida aos borbotões nos vídeos distanciados da gente.

Nossos votos de boas vindas e sucesso à Cia. Carroça de Mamulengos nas cidades do Cariri que desfrutam a luminosidade dos instantes mágicos que traz ao povo.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

PEÇA DE TEATRO DEFENDE O SÍTIO FUNDÃO

A CIA. CEARENSE DE TEATRO BRINCANTE (Crato-CE) reapresenta seu mais novo sucesso de público. Um grande espetáculo que resgata e valoriza a cultura popular e a mitologia sertanejo-universal numa aventura em que se defende a preservação da natureza.



"A DONZELA E O CANGACEIRO"
Texto e Direção de Cacá Araújo 
Música de Lifanco

Março
17 (sab), 18 (dom) - Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)
20 (ter) - Centro Cultural banco do Nordeste (Juazeiro do Norte-CE)
23 (sex) - Teatro do SESC (Juazeiro do Norte-CE)
24 (sab), 25 (dom) - Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)
31 (sab) - Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)

Abril
1º (dom) - Teatro Rachel de Queiroz (Crato-CE)

Sinopse:

A ambição desmedida do homem rico, a ganância cruel do norte-americano e a trama infernal vinda das trevas ameaçam o Sítio Fundão, importante reserva ecológica brasileira. As forças do mal, lideradas pelo Bode-Preto, entram em disputa ferrenha pelo domínio da área, mas são enfrentadas pela legião do bem, liderada pela Caipora, deusa protetora da natureza. Somente o amor pode salvar o sítio da destruição total. Um enigma, proferido pela esfinge de Seu Jefrésso, contém o segredo capaz de restabelecer a paz e a harmonia. Donzela Flor, símbolo de pureza, precisa ser desencantada. O cangaceiro Edimundo Virgulino, valente e destemido, luta com bravura para salvar o sítio e conquistar o coração da donzela.


Proposta do espetáculo:

Ao abordar a ecologia e o meio ambiente a partir de motivo factual doméstico, neste caso a luta pela preservação do Sítio Fundão, importante reserva ecológica na zona urbana na cidade do Crato-CE ameaçada de extinção, o espetáculo amplia o foco ao propor uma leitura da gana imperialista capitaneada pelos USurpAdores das riquezas alheias. Envereda também pelo universo histórico e mítico do homem nordestino e universal, revisitando o cangaço e o mito da Caipora numa história fantástica, mas embrenhada “na” e “de” realidade.

A Donzela e o Cangaceiro é um projeto cênico que dá prosseguimento à determinação do autor em buscar a afirmação de uma dramaturgia nordestina alinhada ao resgate e à difusão da cultura tradicional popular, fundada na expressão do imaginário do povo, nas lendas, nos mitos, nos causos, nas aventuras, nos romances, na história, nos mistérios que habitam a alma afoita e brincante do sertanejo, cujo sangue saltitante se perpetua no riso e na dor, na graça e no sofrimento, na desventura e na esperança.


Elenco:
Personagem/Ator (em ordem de entrada)

Mateus – Cacá Araújo
Catirina – Françoi Fernandes
Pafúncio Pedregôso – Franciolli Luciano
Cafuçú – Paulo Henrique Macêdo
Feiticeira Catrevage – Jonyzia Fernandes
Vicença – Raquel Silva / Rosa Waleska Nobre
Dona Colombina – Rosa Waleska Nobre / Samara Neres
Donzela Flor – Charline Moura
Caipora – Orleyna Moura
Troncho Sam – Márcio Silvestre
Edimundo Virgulino – Jardas Araújo
Bode-Preto – Joênio Alves
Seu Jefrésso – Paulo Fernandes

Técnicos:

Texto e Direção – Cacá Araújo
Assistência de Direção – Orleyna Moura
Música – Lifanco
Sonoplastia – Cacá Araújo e Lifanco
Figurino e Maquiagem – Joênio Alves
Cenografia e Iluminação – Cacá Araújo
Cenotécnica – França Soares, Saymon Luna e Mestre Galdino
Aderecistas – Willyan Teles, Marlon Torres e Cristiano de Oliveira
Criação e execução de efeitos sonoros – Lifanco e os atores
Instrumentalização e efeitos – Lifanco e os atores
Operação de Luz – Laumiro Pereira
Operação de Som – Babi Nobre
Confecção de figurino – Ariane Morais
Guarda-Roupa – Luciana Ferreira
Cinegrafia – Antonio Wideny (Toyota)
Fotografia – Gessy Maia e Mônica Batista

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Versos e cantorias - Emerson Monteiro

Este final de semana, de 10 a 12 de março de 2012, corresponde à realização, em Crato, do Seminário do Verso Popular em sua terceira edição, que, desta vez, corresponde aos 21 anos de existência da Academia dos Cordelistas do Crato, e consta do programa exposições, painéis, palestras, conferências, homenagens, oficinas de xilogravura e cordéis, minicursos, feiras, mesas redondas, apresentações de trabalhos científicos, sessões de vídeos, recitais, lançamentos de cordéis, posse de novos acadêmicos, apresentações de humor e música regional, numa festa da cultura popular nordestina digna dos melhores encômios.

A coerência cultural com que se criou, no tempo certo de duas décadas passadas, a Academia dos Cordelistas do Crato ora resulta no patrimônio universal dessa literatura, circunscrevendo o âmbito das manifestações artísticas do mundo inteiro qual mérito de registro necessário.

O Nordeste brasileiro preserva suas origens medievais como nenhum outro território deste mundo, enquanto a fundação dessa instituição do verso popular aqui reúne valores exponenciais em grupo de riqueza ímpar. Autores talentosos, de oficina própria e edições que já remontam a casa dos dois milhares, atualizadas fontes da leveza das rimas e do gênero, a fonte primeira da grande literatura em juventude perene.

De particular, noticio, pois, fortes sentimentos da satisfação experimentada nestes momentos do Seminário de Verso Popular do corrente ano. Houve blocos distintos na sede da Academia, no Largo da RFFSA e no SESC - Crato. Ocorreu, concomitante, a distribuição de obras editadas pelo Projeto Livro de Graça na Praça, idealização exitosa do mineiro José Mauro da Costa, pioneiro dessa função de expandir o livro ao povo nos quatro cantos do País, também um dos conferencistas do evento, no domingo à noite. E no sábado à cantoria dos jovens expoentes da atual cantoria, Ismael Pereira e Jonas Bezerra, testemunhas autênticas do menestrel sertanejo, provas inconteste da sapiência humana por meio dessa expressão natural do verso violado.

No decorrer das manifestações, as presenças de Josenir Lacerda, Tranquilino Ripuxado, João do Crato, Mana do Romualdo, Dalinha Catunda, Pedro Costa, Eugênio Dantas, João Nicodemos, Miguel Teles, Abidoral Jamacaru, Jorge Carvalho, Pedro Bandeira, Bastinha, Poeta Nascimento, Maércio Lopes, Ginevaldo, Pedro Ernesto, Luciano Carneiro, Arievaldo, Gildemar, Willian Brito, Anilda Figueiredo, Wiliana, Carlos Henrique, Sandra Alvino, Chico Pedrosa, Maria do Rosário, Higino, Moreira de Acopiara, Ulisses Germano, Seu Zezé, Alexandre Lucas,Vicente, Vandinho Pereira, Aldemá de Morais, Zé Joel, Raul Poeta, Nizete, Manuel Patrício, dentre outros da intelectualidade caririense, razões do sucesso das ações desenvolvidas. Para formar juízo claro da importância do acontecimento, veio dele participar o autor Gonçalo Ferreira da Silva, atual Presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Fideralina Augusto Lima - Emerson Monteiro

Eu nasci 30 anos depois que ela desapareceu, e no mesmo pouso de onde comandara o seu clã, o Sítio Tatu, em Lavras. Desde cedo ouvi falar em minha trisavó, Fideralina Augusto Lima, avó de meu avô Amâncio e de minha avó Lídia, primos e naturais do tronco familiar.

Ela nascera na Vila de São Vicente Ferrer das Lavras, no dia 24 de agosto de 1832, filha de Isabel Rita de São José e do Major João Carlos Augusto.Pelo lado materno, era bisneta de Francisco Xavier Ângelo, Capitão-Mor e Comandante-Geral da Vila de São Vicente Ferrer das Lavras. Filha mais velha dentre onze irmãos, casara com o Major Ildefonso Correia Lima, Capitão da 1.ª Companhia do Batalhão n.º 28 e Major Fiscal da Guarda Nacional de Lavras. O casal teve 12 filhos. Proprietária rural em Lavras, possuía também prédios residenciais na sede da Vila e em Fortaleza, gado e negros que lhe serviam como escravos.

Viúva ainda cedo, sozinha educaria os filhos através de rígido sistema, nos moldes da época. Gostava dos trabalhos de fiar e rendar varandas de rede, nas horas quando livre das fainas rurais. Era católica, dedicada ao Ofício de Nossa Senhora. Construíra no Tatu uma capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição.

Fideralina participou ativamente da vida política do Ceará, elevando alguns de seus filhos a postos importantes, no município de Lavras e no Estado. Dentre esses, Gustavo Augusto Lima, o meu bisavô, chegaria à Presidência da Assembleia Legislativa, cargo que desempenhava quando foi assassinado, no ano de 1923, na Praça do Ferreira, em Fortaleza, por conta de retaliação a morte ocorrida em luta da qual participaram membros da família no ano anterior.

Vítima de febre, Fideralina Augusto Lima faleceria no dia 16 de janeiro de 1919, no Sítio Tatu, em Lavras da Mangabeira CE.

Vistas as ações austeras e intempestivas que empreendera, deixou na história a legenda de matriarca carrancista que as tradições familiares e dos conterrâneos insistem preservar, herança rude dos tempos áridos que cruzou com dignidade, ora inspiração a livros e poemas consagrados pelo Sertão nordestino.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

PARQUE ESTADUAL DO SÍTIO FUNDÃO CONTINUA ABANDONADO

MENTIRA OU VERDADE?!

DISSE O GOVERNADOR: “EU NÃO SABIA QUE A RESERVA ECOLÓGICA DO SÍTIO FUNDÃO ESTAVA ASSIM... ABANDONADA!”


Por Ed. Alencar


Foto feita em 11 de setembro de 2011. Atualmente quase nada existe.


No dia 22 de dezembro de 2011, quando chegou a cidade do Crato para receber o titulo de cidadão cratense e inaugurar as praças reformadas para o Natal, o governador foi surpreendido com a única manifestação pacífica e silenciosa na cidade. Quando ocupou o palanque da Praça Siqueira Campos, viu surgir em meio à multidão uma faixa, apresentada pelos representantes da família do ecologista Jeferson  da Franca Alencar, que lhe cobravam explicações sobre o abandono da reserva. Em seguida, foi entregue em suas mãos documentos que comprovam, através de textos e fotos, as destruição e vandalismo dentro do Parque, em especial a degradação do velho engenho de pau secular, única relíquia da região. 

Ao folhear os documentos, enquanto falavam os oradores, o governador Cid chamou até o palanque o ex-presidente do CONPAM André Barreto, articulador da compra da reserva, encarregando-o ali de uma missão como seu porta-voz para um levantamento dos problemas do Parque.

Ao término da solenidade, o  governador concedeu entrevista  à imprensa,  dizendo  não  saber  do que estava acontecendo com a reserva . Enfatizou: fiquei sabendo agora, através da faixa e dos documentos que recebi. Concluiu: não quero ser DESMORALIZADO com o que assumi no Crato, assinando uma ordem de serviço perante autoridades e a sociedade. Pedi ao André Barreto que fizesse um relatório dos problemas que o parque está passando. Perguntado por que ele ainda não havia visitado o parque que ele criou, respondeu que já havia visitado a reserva por duas vezes. MENTIRA OU VERDADE?! Pois até hoje não consta nenhum registro de sua visita ao Parque.

Após 30 dias dessas promessas, nesta 2ª feira 30 de janeiro, o governador Cid Gomes e André Barreto se encontraram em Juazeiro do Norte, para o “VEREDICTO” do relatório apresentado, o que deverá ser anunciado em breve.
     
Enquanto isso o velho engenho, desprotegido das chuvas e do sol, voltou a RUIR. Parte de sua estrutura, desprendeu-se com as últimas chuvas da semana que passou. Lamentavelmente, é uma vergonha o descaso do governo com aquela história secular, que se destrói por falta de uma lona de plástico.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Os povoadores Efetivos do Cariri na visão do Padre Antonio Gomes - Antonio Correia Lima – TOINHO (*)



Na qualidade  de historiador e pesquisador da área de genealogia, em especial, das famílias que deram origem à região do Cariri, não posso deixar de ressaltar a minha admiração pelo excelente trabalho do Padre Antonio Gomes.
Vendo    A CIDADE DE FREI CARLOS ( 1971) no subtítulo “MITO DA DESCENDÊNCIA”  ( da p. 104 a 112) que o nobre pesquisador diz que  “de 1703 a 1800 aproximadamente  70 pessoas requereram e obtiveram , em datas e sesmarias, terras no Vale do Cariri”. Mas que na verdade essas pessoas “não se fixaram  e radicaram em seus sesmos. Neles não constituíram  família nem pessoalmente  valorizaram a terra”. 
Que esses  sesmeiros “ agiram à distância, de seus domínios longínquos. Alguns por meio de prepostos temporários. Todos venderam suas terras sesmeiras a retalho, a prepostos, a rendeiros, a colonos espontâneos que iam  chegando ao vale. Estas categorias de compradores  é  que foram os povoadores efetivos do vale. Que  Vale do Cariri os que, de 1714 a 1725, requereram  e obtiveram terras residiam nos vales do Jaguaribe  , do São Francisco e nas Alagoas”.
 Nesse sentido, Padre Gomes  ressalta apenas uma exceção, que é o caso da família Alencar, que descende de Leonel de Alencar Rego que era genro do sesmeiro Antonio de Sousa Gulart, que em 1718 já estava fixado no Salamanca ( hoje Barbalha).
Finaliza dizendo que “em verdade, não descendemos  dos sesmeiros oitocentistas, e, sim, dos que lhes adquiriram  as terras sesmeiras – os povoadores efetivos do Cariri.
Vedo a relação de nomes que o Padre Gomes diz serem os verdadeiros povoadores do Cariri,(  os detentores de patentes )fico a pensar onde entram  na história aquelas famílias simples que foram os  verdadeiros desbravadores da nossa região.
Padre Gomes fez a sua parte, agora farei a minha, dando continuidade na descoberta dos descendentes dos nomes citados abaixo, como também,  dos que foram deixado de lado  no árduo trabalho do sacerdote, afinal de contas, quem povoou a região não foram apenas os coronéis.
Vejamos a relação dos principais patriarcas do Cariri, segundo Padre Gomes fundamentada em vasta documentação da época.
Alexandre Correia  Arnaud(Capitão); Antonio da Cruz Neves (Tenente); Antonio Gonçalves Dantas (Capitão),; Antonio José Batista e Melo (Tenente  - coronel); Antonio Lopes de Andrade (Coronel); Antonio Macedo Pimentel. Antonio Manuel de Jesus (Capitão); Antonio Moreira  dos Santos (Capitão); Antonio Pereira  Gonçalves Martins Parente; Antonio Pereira de Brito(Capitão),; Antonio Pinheiro Lôbo, (Capitão), situado no Vale  em 1734; Arnaud de Holanda Correia (Sargento – mor  ) Bartolomeu Martins de Morais (Capitão); Caetano  Gonçalves de Souza(Alferes; Coronel Luiz Furtado Leite e Almeida (Tenente); Domingos Álvares  de Maros (Capitão – mor  ); Domingos Gonçalves Sobreira (Capitão), Domingos Paes Landim (Capitão); Francisco  Xavier  das Chagas (Capitão); Francisco de Magalhães  Barreto e Sá  (Capitão), sediado no   Cariri em 1744; Francisco Ferreira da Silva, (Capitão),  sediado no  vale  em 1736; Francisco Gomes de Melo (Capitão); Francisco Pinto da Crus (Capitão); Francisco Roberto de Menezes (Sargento – mor  ); Gonçalo Coelho de Sampaio (Alferes), sediado no Vale em 1748; Gonçalo de Oliveira Rocha (Tenente); Gregório Pereira Pinto (Tenente);  Inácio de Figueiredo Arnor, (Capitão),  sediado no Vale em 1735; João Correia Arnaud (Capitão); João Fernandes de Morais (Alferes); João Gomes Leitão(Capitão); João Machado Jorge; José  de Sá Souto Maior (Capitão),, situado no vale em 1744; José Dávila de Figueiredo (Capitão); José de Caldas  Costa; José de Oliveira Rocha ( Tenente); José dos Montes e Silva (Ajudante), situado no Vale  em 1739;  José Paes Landim ,(Capitão),, sediado no Vale em  1731; José Pereira Mascarenhas (Capitão); José Quesado Filgueiras Lima (Tenente);  Luiz da Rocha Pita (Capitão); Manuel Cardoso Viana (Capitão); Manuel de São João Madeira (Doutor); Manuel Gonçalves Parente; Manuel Prudente  do Espírito Santo (Tenente);  Silvestre Ribeiro da Silva (Capitão); Simão  Cabral de Melo(Alferes), fixado no Vale  em 1743.
Antonio Correia LIMA – TOINHO é graduado em História pela Universidade Regional  do Cariri – URCA- 2008, e se dedico ao estudo genealógico da Região do Cariri. É editor  Blog  ALGUMAS FAMÍLIAS CARIRIENSES.


segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Lavras da Mangabeira conta sua história - Emerson Monteiro


Numa iniciativa da Secretaria Municipal de Cultura, Esportes e Turismo, a Prefeitura de Lavras da Mangabeira iniciou, sábado, 20 de agosto de 2011, os trabalhos que visam aprofundar estudos relativos ao conhecimento da rica história daquele município.

Comuna das mais antigas do Ceará, elevada a vila em 20 de maio de 1816, Lavras detém um passado de expressivos acontecimentos, desde quando chegara o seu fundador, capitão-mor Xavier Ângelo, procedente da Paraíba do Norte, aos feitos legendários da matriarca Fideralina Augusto Lima, das primeiras mulheres que assinalaram a vida brasileira nos primórdios da colonização do interior, pela fibra de coragem e liderança altiva diante das agruras do semiárido nordestino.

Visando, pois, a preservação desses valores históricos que definem as origens de famílias e instituições, nas formações locais, a prefeita Edenilda Lopes de Oliveira Sousa (Dena) e Miriam Linhares de Sá e Sousa (Manta), secretária de Cultura do município, organizaram mesa redonda composta por membros da comunidade, autoridades e titulares da Academia Lavrense de Letras, visando debater fatos históricos que definem a estruturação de um futuro seminário sob o tema História de Lavras da Mangabeira – Valores, Cultura e Artes da Cidade, do Município e Região.

Ao término dos estudos, será elaborado vasto documento que consolidará os feitos dos povos do lugar considerados os pontos de vista religiosos, econômicos, políticos, educacionais, científicos e turísticos.

Esse primeiro evento ocorreu nas dependências da Escola Estadual de Educação Profissional Professor Gustavo Augusto Lima (ex-Colégio Agrícola de Lavras da Mangabeira), em solene reunião presidida pela professora Fátima Lemos, da Academia Lavrense, com a presença da chefe do Executivo, professora Edenilda Lopes, do deputado estadual Danniel Oliveira, educadores, representantes do Legislativo, autoridades civis e religiosas, profissionais liberais e de um bom público, os quais prestigiaram a realização.

Ao empreender essas pesquisas, os lavrenses demonstram sentimento cívico e exemplo pedagógico, aprimorando meios de desenvolver e educar as novas gerações numa louvável providência.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Crônicas cangaceiras - Emerson Monteiro


Em dias recentes, com satisfação recebi o livro Cariri: cangaço, coiteiros e adjacências, de Napoleão Tavares Neves, publicado pela Thesaurus Editora, de Brasília DF, em 2010. Sob o ordenamento das memórias recolhidas de suas observações e escutas, Dr. Napoleão descreve as presenças do cangaço na região do Cariri cearense e entorno através de crônicas bem narradas, fotografias primorosas de um passado que ainda perdura no seio desta humanidade, inclusive nos interiores sertanejos.

Capítulo a capítulo, vemos desfilar episódios marcantes que nutriram as histórias repassadas dos ancestrais da primeira metade do século XX, nas salas, varadas e bagaceiras de sítios e engenhos, dotes imorredores daquilo que praticaram coronéis, polícias e cangaceiros, desfilar de casos que apavoraram o imaginário social antes de chegar o tão propalado desenvolvimento da indústria moderna.

Enquanto escorrem das letras filmes desse acervo de rifles e punhais dos tempos em sobressalto, nas maldades dos Marcelinos, de Sabino, Antônio Silvino, Lampião, cenas horripilantes de crimes impunes dos dois lados do feudalismo em decadência, transcorria também a história do mesmo homem e das dimensões trágicas que carrega consigo na busca da perfeição.

Quando criança, ouvia, na escola, apenas o lado romântico das vitórias, nos acontecimentos históricos. Esse aspecto escabroso de cores amargas pouco aparecia na movimentação das tropas e dos confrontos. Achava até que o pior restava só na memória. No entanto ainda se anda longe dos dias de paz plena.

As versões escutadas pelo autor barbalhense, ora transmitidas através dessa obra literária que leio, atende às necessidades do conhecimento de assuntos ocorridos aqui por perto, lugares conhecido no desfilar dos calendários. As marcas cruéis da violência campeavam nas quebradas das serras, no meio dos marmeleiros das campinas esturricadas, nos brejos. Tiros, incêndios, cavalgadas, talhes de facões, medo, destruição, em época de ninguém obedecer aos ditames da Lei nas ações, fosse qual banda fosse que a executasse, casos típico dos fuzilados do Leitão, nos arredores de Barbalha, e do fogo das Guaribas, em Brejo Santo, para executar Chico Chicote.

Esse tropel de cenas guardadas pelo escritor transmite com maestria o panorama daquela fase rude que parece não ter fim diante das injustiças que pouco mudaram nos dias de hoje. A diferença mais forte, porém, é que as histórias tristes deixaram de ocupar as conversas noturnas das varandas brejeiras de sítios e fazendas, e repontam frescas na guerra aberta de extermínio a plena luz do dia nos programas televisivos dos horários de almoço da atualidade cangaceira.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Reedições de livros caririenses - Emerson Monteiro


Neste primeiro semestre de 2011, foram reeditadas pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, em parceria com as Universidades Federal do Ceará e Regional do Cariri, algumas das obras do escritor cearense J. de Figueiredo Filho, emérito historiador que viveu em Crato e desenvolveu atividades intelectuais de larga repercussão pelo País inteiro, sendo um dos fundadores do Instituto Cultural do Cariri ao qual pertenço.

Avô de dois dos meus amigos, Tiago e Flamínio Araripe, conheci o Prof. Figueiredo Filho quando ele proferira notável discurso por ocasião da vinda a Crato, em 21 de junho de 1964, do Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, no Dia do Município cratense. Ao pleno sol quente das 11h no céu aberto da Praça da Sé, Figueiredo falou a imensa plateia e palanque lotado de autoridades, durante meia hora, repassando os detalhes da epopeia do Cariri. Senhor do assunto e respeitável pesquisador das nossas origens libertárias cumpriu a valer seu ofício. Isto numa fase em que o Brasil afundava nos porões da ditadura que permaneceria no poder mais de duas décadas, com sérios danos às liberdades civis e aos direitos humanos, preço pago das modernizações econômicas que varia o mundo naquele tempo para instalar a globalização dos dias atuais.

Depois, já pelos idos da década de 70, frequentei a sede do ICC, na Rua Miguel Limaverde, instalada na sala principal da residência do historiador, com quem conversava boas horas e de quem adquiri o gosto pelos estudos caririenses bem a seu modo e dedicação.

Agora recebemos sete dos seus livros, reeditados em momento oportuno, para as novas gerações, através das Edições UFC, série Memória, da Coleção Nossa Cultura. Engenhos de Rapadura do Cariri, Folguedos Infantis do Cariri, os quatro volumes de História do Cariri e Cidade do Crato (este com Irineu Pinheiro) ganharam outra publicação como parte de dez títulos que enfocam a história e os costumes do Cariri.

Além desses, também mereceram novas edições Efemérides do Cariri e O Cariri, seu descobrimento, povoamento, costumes, de Irineu Pinheiro, e Juazeiro do Padre Cícero, de Floro Bartolomeu da Costa.

São trabalhos emblemáticos da civilização caririense, motivos autênticos da preservação de nossas tradições e valores, os quais, ao lado de outros ainda adormecidos, demonstram a profundidade que caracteriza a alma desta gente que iniciaria com sucesso a colonização cearense, primeiro aqui estabelecida e só então desenvolvida junto do litoral.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O parque de exposições de Crato - Emerson Monteiro

Por mais que a gente não queira, se envolve nesses assuntos de governo, quando a população, nas urnas, permitiu aos administradores públicos cuidarem da sorte do povo do jeito que lhes aprouver. Ainda assim, coça por dentro uma vontade de falar qualquer palavra de cidadão no quadro que se estabeleceu.

É que se formou uma espécie de cabo de guerra entre os gestores do Município cratense e o Executivo estadual quanto ao jeito certo de resolver, daqui para adiante, onde funcionará o Parque de Exposições Pedro Felício Cavalcanti.

O tema esquentou mais durante o evento deste ano de 2011, pois cada vez o local fica menor para tanto movimento. A cidade passa por crise de, no mínimo, dez dias diferentes, com carros de todo canto do Brasil a encherem as vias do centro e dos bairros, sem lugar de circular, de estacionar, etc. A selvageria das alturas do som na área dos shows, que ninguém consegue diminuir, nem tem a quem reclamar, judiando, prejudicando a paz, ensurdecendo gerações e gerações, além de incomodar sobremaneira os bichos expostos lá em cima, transtornando as imediações e intranqüilizados as famílias que moram perto.

Bom, segundo aqueles com quem converso, pode haver mais disciplina, inclusive no que diz respeito aos estandes trazidos, aos segmentos e à seleção, talvez controle impossível nesses tempos de mercantilização e dinheiro, a interessar os organizadores da festa tradicional de 60 anos.

Outros pretendem que modernizar o parque no ponto ora existente resolve, que possui área de expansão no sentido Canfundó. Enquanto que o Governo oferece o projeto pronto de deslocar as atividades para o Sítio Palmeiral, nas bandas dos brejos, entorno da Avenida do Contorno.

Em resumo, a querela estabelecida virou domínio público. Impasses, impasses, e nenhum entendimento que pacifique e inicie as construções futuras. Até falam em possível consulta popular através de um plebiscito.

No entanto, prezadas autoridades, há de existir dose suficiente de sensatez nos juízos dos gestores para equilibrar a balança, porquanto é hora de providenciar soluções urgentes, invés de esperar outro ano de contradições para avançar alternativas sem que nada aconteça até a nova edição do apreciado acontecimento, afinal em suas mãos depositamos a nossa confiança.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

O centenário de Juazeiro do Norte - Emerson Monteiro


Neste ano de 2011, o dia 22 de julho assinala 100 anos desde que Juazeiro mereceu sua autonomia municipal através da Lei n.º 1.028, quando recebeu a toponímia de Joaseiro, em homenagem à árvore típica da vegetação do semi-árido, sempre verde inclusive nas épocas mais tórridas.

Suas origens remontam ao vilarejo de Tabuleiro Grande, formado nas terras que pertenceram à sesmaria concedida no ano de 1703 ao capitão-mor Manuel Rodrigues Ariosa, de origem norterriograndense, depois havidas por famílias iniciais advindas de Sergipe, até chegar no brigadeiro Leandro Bezerra Monteiro e no neto, o sacerdote católico Pedro Ribeiro da Silva Monteiro. As terras se estendiam do município do Crato às cercanias da Serra de São Pedro. Nessa área da grande propriedade, no decorrer da década de 1820, o Padre Pedro Ribeiro edificaria casa grande, de taipa e telha, engenho, aviamento, senzala e capela.

Para a construção da capela dedicada à Nossa Senhora das Dores, o sacerdote e seu futuro capelão reuniria também esforços dos familiares, nela sendo celebrada missa no dia 15 de setembro de 1827 alusiva ao lançamento da pedra fundamental do templo.

Em 09 de setembro de 1833, quando Padre Pedro Ribeiro deixaria este mundo, a futura povoação juazeirense começava a despontar no crescimento. Somava duas ruas, a Rua Grande, hoje Padre Cícero, e a Rua dos Brejos, em traçado perpendicular; a capela, uma escola e 32 prédios com tetos apenas de palha.

Ordenado em 1870, no dia 11 de abril de 1872, o Padre Cícero Romão Batista fixaria residência no pequeno arruado. Afeito aos anseios das populações simples, desempenharia funções apostólicas voltadas ao conforto das almas sertanejas, cumprindo nisso a missão religiosa católica. Tempos depois, em 06 de março de 1889, dar-se-ia o fenômeno da hóstia transformada em sangue, na ocasião de ministrar a comunhão à Beata Maria de Araújo. A propagação do acontecimento pelos interiores nordestinos intensificaria o deslocamento de milhares de pessoas ao lugarejo, que ganharia impulso surpreendente e definitivo no desenvolvimento.

Já em dias do século XX, a 16 de agosto de 1907, circulara um boletim conclamando os cidadãos juazeirenses para reunião a ocorrer no dia 18 do mesmo mês, na residência do major Joaquim Bezerra de Menezes, descendente dos primeiros proprietários do lugar, visando organizar a emancipação política do território, livrando-o da administração do município do Crato, a quem obedecia. Isso, no entanto, deixaria de gerar efeitos práticos imediatos. Só adiante, devido ações encetadas por novas lideranças, de Padre Alencar Peixoto, Floro Bartolomeu da Costa, José Marrocos e outros, nas páginas do jornal O Rebate, essas ideias ganhariam corpo, galgando efetiva concretização em 22 de julho de 1911, quando da lei estadual que estabeleceu: “Art. 1.º - A povoação de Juazeiro, da comarca do Crato, é elevada à categoria de vila e sede de município, com a mesma denominação”.