quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Lembrando a reconciliação da Igreja Católica com o Padre Cícero

 

   Dom Fernando Panico, quando Bispo da Diocese de Crato (2001-2016), teve um papel fundamental no processo de reconciliação da Igreja Católica Apostólica Romana com a herança espiritual deixada pelo Padre Cícero. Desde a sua posse – como 5° Bispo de Crato – Dom Fernando sinalizou que esta seria uma das suas principais metas como pastor diocesano no Sul do Ceará.  O que efetivamente aconteceu, quando ele priorizou a valorização das romarias e o reconhecimento da devoção popular pelo Padre Cícero. 

   No início do seu episcopado, Dom Fernando formou uma comissão de estudos, composta por pessoas de elevado nível intelectual, visando pedir ao Vaticano a “reabilitação histórica da figura do Padre Cícero”. Tudo culminou com a resposta do Vaticano, em 2015, levando em conta de que o Padre Cícero já havia falecido e as punições contra este sacerdote haviam cessado, e não tinha o que o Papa reabilitar. Daí porque a carta do Papa sinalizava uma “reconciliação”. Na visão do Vaticano, “reconciliação” é apagar qualquer oposição a ação pastoral do Padre Cícero.

 Resumo do trabalho de Dom Fernando Panico em favor da reconciliação da Igreja com a memória do Padre Cícero

      A ação de Dom Fernando encerrou um longo período de tensão, permitindo que a figura do Padre Cícero fosse vista como um promotor da fé católica, e não um opositor.

Comissão de Estudos: Instituiu uma comissão interdisciplinar para analisar a vida e os documentos do Padre Cícero, buscando superar a suspensão de ordens de 1934.

Diálogo com o Vaticano: Em 2006, enviou os resultados dos estudos à Congregação para a Doutrina da Fé, defendendo a "Reabilitação Histórico-Eclesial".

Reconciliação Oficial: Em 13 de dezembro de 2015, anunciou a reconciliação oficial da Igreja com Padre Cícero, focando na "misericórdia" e no acolhimento dos romeiros.

Foco na Devoção Popular: Defendeu que a fé do Padre Cícero estava em sintonia com o povo nordestino e reconheceu a legitimidade das romarias a Juazeiro do Norte.

Integração: Buscou maior aproximação entre os devotos do Padre Cícero e a estrutura da Igreja Católica, destacando que a ação do sacerdote foi de divulgação do Evangelho. 

O anúncio da carta feito por Dom Fernando Panico

     A solenidade de abertura da “Porta Santa do Ano da Misericórdia”, realizada em 13 de dezembro, na Catedral Nossa Senhora da Penha, em Crato, teve para os fiéis e romeiros do Padre Cícero um significado ainda maior. Neste dia o bispo diocesano, Dom Fernando Panico, comunicou ao povo, durante sua homilia, que o Papa Francisco havia enviado uma carta, assinada pelo Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado de Sua Santidade, na qual autorizava a reconciliação do Padre Cícero Romão com a Igreja Católica.

     As palavras aguardadas há décadas pelos fiéis foram recebidas com júbilo. Fogos de artificio, palmas e expressões de alegria era o que se notava no rosto dos que participavam da celebração. Um quadro com a fotografia do Padre  Cícero foi introduzida na solenidade, e ficou próxima ao altar-mor. “Ele vai entrar como romeiro. Seu lugar não será ainda o altar, mas ficará no meio do Povo, invocando e cantando conosco a misericórdia do Pai”, disse Dom Fernando.

      Além de destacar a fé simples e a devoção a Nossa Senhora que o Padre Cícero teve em sua existência, o Papa Francisco, na sua carta, ainda caracterizou o seu modo de evangelização, vivido no final do século XIX e início do XX, como atual. “Atitude de saída, ao encontro das periferias existenciais, a atitude do Padre Cícero em acolher a todos, especialmente aos pobres e sofredores, aconselhando-os e abençoando-os, constitui sem dúvida, um sinal importante e atual”, afirmou o Papa.

   No dia seguinte, 14 de dezembro de 2015, a ACI, agência de notícias  do Vaticano, publicou a nota abaixo.

“Autorizada pelo Vaticano a reconciliação de Padre Cícero com a Igreja

Padre Cícero Romão Batista, o conhecido sacerdote nordestino com fama de santo e que faleceu punido pelo Vaticano, foi reconciliado com a Igreja Católica. Assim anunciou o Bispo de Crato (CE), Dom Fernando Panico, neste domingo, 13. A ocasião para tornar público o fato foi a abertura da Porta Santa da Catedral de Nossa Senhora da Penha, pelo Ano da Misericórdia. “O Papa, com a autoridade que ele tem, depois dos estudos feitos e todo o aconselhamento que houve, escutou a voz da misericórdia”, disse Dom Panico durante a celebração.”

(Transcrito por Armando Lopes Rafael)